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Officina Tipografica L. Marinoni - Lodi, via Volturno,

PREFÁCIO

————

A pesquisa minuciosa da Sra.

Cooper-Oakley é tão bem conhecida e tão altamente apreciada entre os estudantes, que não é necessário que eu "recomende o seu trabalho.

Ela viajou por toda a Europa, visitando bibliotecas famosas, a fim de coletar, com longa perseverança e incansável esforço, os materiais que lemos à nossa vontade, em confortáveis poltronas, com os pés no guarda-fogo.

Portanto, devemos a ela nossa atenção e nossa gratidão.

O grande Ocultista e Irmão da Loja Branca, fragmentos de cuja vida são aqui apresentados, foi a maior força por trás do movimento de reforma intelectual que recebeu seu golpe mortal no irromper da Revolução Francesa.

Como uma fênix, ele ressurgiu, e reapareceu no século XIX como a Sociedade Teosófica, da qual este grande Irmão é um dos reconheci.

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O CONDE DE ST. GERMAIN

dos Líderes.

Ainda vivendo no mesmo corpo, cuja juventude perene surpreendeu os observadores.

do século XVIII, Ele cumpriu a profecia feita à Sra.

d'Adhémar de que Ele Se mostraria novamente um século após Sua despedida dela, e no crescente movimento espiritual que se vê ao nosso redor por todos os lados, Ele será um dos Chefes reconhecidos.

Profundamente interessante, portanto, deve ser cada detalhe que possa ser reunido sobre a Sua vida no século XVIII, e muito é aqui reunido.

Londres, 1911.

ANNIE BESANT
Presidente da Sociedade Teosófica.

DEDICADO

A

GRANDE ALMA

QUE NAS LUTAS DO SÉCULO XVIII

TRABALHOU, SOFREU E TRIUNFOU.

PREFÁCIO

Pensei ser melhor, ao preparar a primeira parte da monografia sobre a Vida do Conde de St. Germain, reimprimir os artigos que foram publicados em 1897 na "Theosophical Review" com algum material adicional, em vez de reescrever um livro inteiramente novo, uma vez que para muitas pessoas esses artigos de revista não são facilmente acessíveis.

Talvez alguns críticos pensem que há matéria citada em demasia; isso fiz de propósito, para que as opiniões daquelas pessoas que estiveram em contato real com o Conde de St. Germain possam ser consideradas, em vez das minhas próprias.

No século XVIII, toda pessoa com alguma educação mantinha um diário, e nesses diários obtemos uma imagem viva do período; este é decididamente o caso nas Memórias de Madame d'Adhémar.

Foi sugerido, por um escritor do século XIX, que estas Memórias são apócrifas.

Não penso assim, pois a atual Condessa d'Adhémar me informou que possuem documentos sobre o Conde de St. Germain em sua posse.

Na segunda parte deste estudo há muito material político adicional; infelizmente, no Arquivo Nacional inglês, todas as cifras que estavam entre as linhas escritas foram cuidadosamente apagadas, antes que os papéis me fossem confiados. Evidentemente, havia algum mistério sobre este trabalho político que ainda agora não deve ser tornado público.

Aproveito esta oportunidade para agradecer aos muitos amigos, e especialmente ao Sr. G. Mallet, que me ajudaram com o árduo trabalho de copiar e traduzir.

Sem sua valiosa ajuda, este estudo não poderia ter sido impresso.

Estou agora coletando mais material que formará a segunda parte desta monografia quando estiver completa.

—

Londres, 1911.

ISABEL COOPER-OAKLEY.

CAPÍTULO I

Místico e Filósofo

Ele foi, talvez, um dos maiores filósofos que já existiram.

O amigo da humanidade, desejando dinheiro apenas para poder dar aos pobres, amigo dos animais, seu coração estava preocupado somente com a felicidade dos outros.

— Mémoire de Mon Temps, p. 135. S. A. O LANDGRAVE CARLOS, PRÍNCIPE DE HESSE.

(Copenhague, 1861).

Durante o último quarto de cada cem anos, uma tentativa é feita por aqueles Mestres, de quem falei, para ajudar no progresso espiritual da Humanidade.

Próximo ao fim de cada século, invariavelmente se encontrará que uma efusão ou agitação de espiritualidade — ou chame-lhe misticismo, se preferir — ocorreu.

Uma ou mais pessoas apareceram no mundo como seus agentes, e uma maior ou menor quantidade de conhecimento ou ensino oculto foi divulgada.

— A Chave para a Teosofia (ed. 1893, p. 194). H. P. BLAVATSKY.

O Conde de St. Germain foi certamente o maior Adepto Oriental que a Europa viu durante os últimos séculos.

— Glossário Teosófico, H. P. BLAVATSKY.


Entre os estranhos e misteriosos seres, com os quais o século XVIII foi tão ricamente dotado, ninguém comandou mais comentário e atenção universal do que o místico que era conhecido pelo nome de Conde de St. Germain.

Um herói de romance; um charlatão; um vigarista e um aventureiro; ricos e variados eram os nomes que choviam livremente sobre ele.

Odiado por muitos, amado e reverenciado por poucos, o tempo ainda não levantou o véu que ocultava sua verdadeira missão dos especuladores vulgares da época.

Então, como agora, o ocultista era tachado de charlatão pelos ignorantes; apenas alguns homens e mulheres aqui e ali percebiam o poder do qual ele era possuidor.

Amigo e conselheiro de reis e príncipes, inimigo de ministros hábeis na decepção, ele trouxe seu grande conhecimento para ajudar o Ocidente, para afastar em alguma medida as nuvens de tempestade que se acumulavam tão densamente em torno de algumas nações.

Infelizmente! suas palavras de advertência caíram em ouvidos surdos, e seus conselhos foram totalmente ignorados.

Olhando para trás a esta distância de tempo, será de interesse para muitos estudantes de misticismo traçar a vida, tanto quanto ainda pode ser contada, desse grande ocultista.

Esboços podem ser encontrados aqui e ali de vários escritores, em sua maioria antagônicos, mas nenhum relato detalhado e coerente de sua vida apareceu até agora.

Isso se deve em grande parte

MÍSTICO E FILÓSOFO 13.

ao fato de que o trabalho mais interessante e

_.. importante, realizado por M. de St. Germain, jaz |

enterrado nos arquivos secretos de muitas famílias principescas e nobres.

Com esse fato nos familiarizamos durante as investigações cuidadosas que temos feito sobre o assunto.

Onde os arquivos estão situados também aprendemos, mas ainda não recebemos em todos os casos permissão para fazer as pesquisas necessárias.

Deve-se ter em mente que o Conde de _ St. Germain, alquimista e místico, não pertence à família francesa de St. Germain, da qual descendeu o Conde Robert de St. Germain; este último nasceu no ano de 1708, em Lons-le-Saulnier, foi primeiro jesuíta, e entrou © mais tarde sucessivamente nos serviços militares francês, palatino e russo; tornou-se Ministro da Guerra dinamarquês sob o Conde Struensee, depois reingressou no serviço francês, e no início do reinado de Luís XVI, tentou, como Ministro da Guerra, introduzir várias mudanças no exército francês; estas levantaram uma violenta tempestade de indignação; ele caiu em desgraça pelo rei e finalmente morreu em 1778. Ele é tão frequentemente confundido com seu homônimo místico e filosófico, que para esclarecer a ignorância que prevalece sobre o assunto, é bom dar esses breves detalhes, mostrando a diferença entre os dois homens; infelizmente a desgraça na qual A queda do soldado é, com demasiada frequência, atribuída ao místico, para quem agora voltaremos toda a nossa atenção.


Que M. de St. Germain mantinha relações íntimas com muitas pessoas elevadas em vários países — é bastante inegável, sendo o testemunho sobre este ponto esmagador.

Que tais relações devessem causar ciúmes e especulações maldosas é, infelizmente, não raro em qualquer século.

Vejamos, porém, o que dizem alguns desses amigos principescos.

Quando interrogado pelo Herzog Karl Auguste sobre a idade sobrenatural desse místico, o Landgraf von Hessen-Phillips-Barchfeld respondeu: "Não podemos falar com certeza sobre esse ponto; o fato é que o Conde tem conhecimento de detalhes sobre os quais apenas contemporâneos daquele período poderiam nos dar informações; está agora na moda, em Cassel, ouvir respeitosamente suas declarações e não se admirar de nada.

Sabe-se que o Conde não é um bajulador importuno; é um homem de boa sociedade ao qual todos se comprazem em se apegar..... Ele, de todo modo, mantém estreita relação com muitos homens de considerável importância e exerce uma influência incompreensível sobre outros.

Meu primo, o Landgraf Karl von Hessen, é muito afeiçoado a ele; são maçons entusiastas e trabalham juntos em todo tipo de artes ocultas..... Supõe-se que ele tenha intercâmbio com fantasmas

MÍSTICO E FILÓSOFO

e seres sobrenaturais, que aparecem ao seu chamado." (x).

O Sr. Mauvillon, apesar de seu preconceito pessoal contra M. de St. Germain, é obrigado a reconhecer o sentimento do Duque para com o grande alquimista.

Pois, quando se mencionou sua suposta morte no jornal de Brunswick da época, no qual M. de St. Germain era tratado como "um homem de saber", "amante da verdade", "devotado ao bem" e "inimigo da baixeza e do engano", o próprio Duque escreveu ao editor, expressando sua aprovação do anúncio (2).

Na França, M. de St. Germain parece ter estado sob os cuidados pessoais e gozando da afeição de Luís XV, que repetidamente declarava que não toleraria qualquer zombaria do Conde, que era de nascimento nobre.

Foi essa afeição e proteção que fez do Primeiro-Ministro, o Duque de Choiseul, um amargo inimigo do místico, embora em certa época lhe fosse amigável, pois o Barão de Gleichen, em suas memórias, diz: "M. de St. Ger-

(1) AxsAxkor A., Psychische Studien, Monatliche Zeitschrift, xii., p. 430. Leipzig, 1885.

(2) MAvviLtion T., Geschichte rerdinands, Herzog's von Braunschweig-Luneberg, ii., p. 479. Leipzig, 1794.

TG nae O CONDE DE ST. GERMAIN

frequentava a casa de M. de Choiseul e era bem recebido ali” (1). O mesmo escritor, que mais tarde se tornou um de seus dedicados alunos, testemunha o fato de que M. de St. Germain não comia carne, não bebia vinho e vivia segundo um regime rigoroso.

Luís XV deu-lhe um conjunto de aposentos no Château de Chambord, e ele passava constantemente noites inteiras em Versalhes com o Rei e a família real.

Uma das principais dificuldades que encontramos ao traçar sua história consiste nas constantes mudanças de nome e título, um procedimento que parece ter despertado muita animosidade e não pouca dúvida.

Esse fato, no entanto, não deveria ter feito o público (da época) antipatizar com ele, pois parece ter sido prática de pessoas de posição que não desejavam atrair a curiosidade vulgar; assim, por exemplo, temos o Duque de Médici viajando nos anos de 1698 e 1700 sob o nome de Conde de Siena.

O Conde Marcolini, quando foi de Dresden a Leipzig para encontrar M. de St. Germain, adotou outro nome.

O Kur-Prinz Friedrich-Christian von Sachsen viajou pela Itália de 1738 a 1740, sob o nome de Conde Lausitz.

Quase todos os

(1) GLEICHEN (E. H. Baron de) Souvenirs, Paris 1868, p. 126.

MÍSTICO E FILÓSOFO

membros das famílias reais em todos os países, durante o século passado, e mesmo neste, adotaram a mesma prática; mas quando M. de St. Germain o fez, temos todos os pequenos escritores daquele período e posteriores chamando-o de aventureiro e charlatão pelo que parece ter sido, praticamente, um costume da época.

Façamos agora uma lista desses nomes e títulos, tendo em mente que eles cobrem um período de tempo que vai de 1710 a 1822. A primeira data é mencionada pelo Barão de Gleichen, que diz: "Ouvi Rameau e um velho parente de um embaixador francês em Veneza testemunharem ter conhecido M. de St. Germain em 1710, quando ele tinha a aparência de um homem de cinquenta anos de idade" (1). A segunda data é mencionada pela Sra. D'Adhémar em suas mais interessantes (2) Souvenirs sur Marie Antoinette.

Durante esse tempo, temos M. de St. Germain como o Marquês de Montferrat, Conde Bellamarre ou Aymar em Veneza, Cavaleiro Schoening em Pisa, Cavaleiro Weldon em Milão e Leipzig, Conde Soltikoff em Gênova e Livorno, Conde Tzarogy em Schwal-

(1) GLEICHEN, (Op. Cit.; p. 127).

(2) D'ADHÉMAR (A Condessa), *Souvenirs sur Marie Antoinette, Archiduchesse d'Autriche, Reine de France, et sur la Cour de Versailles*. Paris, 1836.

— OAKLEY — *O Conde de St. Germain*.

'O CONDE DE ST. GERMAIN

— Bach e Triesdorf, Príncipe Ragoczy em Dresden, — e Conde de St. Germain em Paris, Haia, — Londres e São Petersburgo.

Sem dúvida todas essas — variadas mudanças deram amplo escopo e muito — material para especulações curiosas.

— Algumas palavras podem ser aqui ditas apropriadamente sobre sua aparência pessoal e educação.

De — um escritor contemporâneo obtemos o seguinte esboço: "Ele aparentava cerca de cinquenta anos, não é nem corpulento nem — magro, tem um semblante intelectual refinado, veste-se — muito simplesmente, mas com gosto; usa os mais finos — diamantes em caixa de rapé, relógio e fivelas. Muito — do mistério que o cerca deve-se — à sua liberalidade principesca." Outro escritor — que o conheceu quando em Anspach, diz: "Ele — sempre jantava sozinho e muito simplesmente; suas necessidades — eram extremamente poucas; era impossível, enquanto em — Ansbach, persuadi-lo a jantar à mesa do Príncipe."

M. de St. Germain parece ter sido muito — altamente educado.

Segundo (1) Karl von Weber, "ele falava alemão, inglês, italiano, — português e espanhol muito bem, e francês — com um sotaque piemontês."

(1) WEBER (Dr. Karl von), *Aus vier Jahrhunderten Mittheilungen aus dem Haupt Staats Archive*, Dresden. i. p. 312. Tauchnitz, Leipzig, 1857.

MÍSTICO E FILÓSOFO

— Era quase universalmente reconhecido que ele — tinha um encanto gracioso e cortesia de maneiras.

— Ele exibia, além disso, em sociedade, uma grande — variedade de dons, tocava vários instrumentos musicais — excelentemente, e às vezes mostrava facilidades — e poderes que beiravam o misterioso — e o incompreensível. Por exemplo, um dia ele — ditou os primeiros vinte versos de — um poema, e os escreveu simultaneamente com — ambas as mãos em duas folhas de papel separadas — "nenhum dos presentes conseguia distinguir uma folha da outra."

Para chegar a uma sequência ordenada, — será bom dividir nosso material em três Partes...

i. Teorias sobre seu nascimento e caráter, — com detalhes pessoais, alguns dos quais já — notamos brevemente.

ii. Suas viagens e conhecimento.

iii. Seu trabalho político e místico.

Começando, então, com nossa primeira divisão, as "teorias sobre seu nascimento e nacionalidade são muitas e variadas; e diferentes autores, conforme seus preconceitos, traçam sua descendência de príncipe ou cobrador de impostos, aparentemente conforme a fantasia dita.

Assim, entre outras ascendências, encontramo-lo supostamente descendente de:  
1. A viúva de Carlos II (Rei da Espanha) — o pai um banqueiro de Madri.


2. Um judeu português.  
3. Um judeu alsaciano.  
4. Um cobrador de impostos em Rotondo.  
5. Rei de Portugal (filho natural).  
6. Franz-Leopold, Príncipe Ragoczy, da Transilvânia.

Esta última parece ter sido a visão correta, de acordo com as fontes mais confiáveis que foram encontradas, e outras informações às quais tivemos acesso sobre este ponto.

Esta teoria também é sustentada por Georg Hezekiel em sua *Abentuerliche* (i. 35. Berlim, 1862). — Karl von Weber (cf. *czz.*, i. 318) também diz que M. de St. Germain apareceu abertamente em Leipzig em 1777 como Príncipe Ragoczy, e que ele era

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frequentemente conhecido como o Graf Tzarogy, sendo este último meramente um anagrama para Ragotzy (Ragoczy). Este último fato verificamos em outro conjunto interessante de artigos, aos quais nos referiremos mais tarde, escritos por uma pessoa que o conheceu em Anspach sob o nome Tzarogy.

Outro escritor comenta: "Sua origem real, talvez, se revelada, teria comprometido pessoas importantes." E esta é a conclusão à qual, após cuidadosa investigação, também chegamos.

O Príncipe Karl de Hesse (1), escrevendo sobre M. de St. Germain, diz:

(1) Hesse (Karl, Prinz de), *Mémoires de Mon Temps*, p. 133. Copenhague, 1861.

MÍSTICO E FILÓSOFO 21  
« Alguma curiosidade pode ser sentida quanto à sua história;  
Eu a traçarei com a máxima veracidade, conforme suas próprias palavras, acrescentando quaisquer explicações necessárias.

Ele me disse que tinha oitenta e oito anos quando veio para cá, e que era filho do Príncipe (1) Ragoczy da Transilvânia com sua primeira esposa, uma Tékéli.

Ele foi colocado, bem jovem, sob os cuidados do último Duque de Médici (Gian Gastone), que o fazia dormir, ainda criança, em seu próprio quarto.

Quando M. de St. Germain soube que seus dois irmãos, filhos da Princesa de Hesse-Wahnfried (Rheinfels), haviam se tornado súditos do Imperador Carlos VI e recebido os títulos e nomes de St. Karl e St. Elizabeth, disse consigo mesmo: ‘Muito bem, chamar-me-ei Sanctus Germano, o Irmão Santo.’ Não posso, em verdade, garantir seu nascimento, mas que ele foi enormemente protegido pelo Duque de Médici, soube por outra fonte.”

Outro escritor bem conhecido fala sobre o mesmo ponto, um autor, além disso, que teve acesso aos valiosos arquivos de Milão; referimo-nos ao falecido Cesare Cantu, bibliotecário da grande biblioteca de Milão, que em sua obra histórica, *Illustré Italien*, ii., 18, diz: “O Marquês de San Germano parece ter sido filho do Príncipe Ragotzy (Ragoczy) da Transilvânia; ele também esteve muito na Itália; muito se relata de suas viagens na Itália e na Espanha; foi grandemente protegido pelo último Grão-Duque da Toscana, que o havia educado.” Foi dito que M. de Germain foi educado na Universidade de Siena; Mme. de Genlis, em suas *Mémoires*, menciona ter ouvido falar dele em Siena durante uma visita que fez àquela cidade.

Toda a vida de M. de St. Germain parece ter sido mais ou menos ensombrada pelas perturbações e lutas políticas de seu pai. Para compreender isso, devemos fazer um breve levantamento de sua história familiar, um levantamento que, além disso, nos dará algumas pistas, ajudando-nos a desvendar a teia emaranhada de elementos misteriosos que cercaram a vida e a obra do grande ocultista.

Poucas páginas da história estão mais profundamente marcadas por tristeza, sofrimento e luta impotente do que aquelas que contam a história dos esforços de um Ragoczy após outro para preservar a liberdade de seu principado e salvá-lo de ser engolido pelo rapidamente crescente Império Austríaco sob a influência da Igreja Romana.

Em um antigo livro alemão, *Genealogische Archivarius aus das Jahr 1734*, pp. 400, 410, 438, Leipzig, um esboço é dado, por ocasião da morte

MÍSTICO E FILÓSOFO

do Príncipe Ragoczy, de sua família, seus antecedentes e descendentes, dos quais citaremos alguns fatos principais: Francisco Leopoldo Racozi, ou Rakoczy, segundo a grafia posterior — o pai do famoso místico — fez esforços inúteis para recuperar seu trono, o principado de Siebenbürgen.

A propriedade Ragoczy era rica e valiosa, e o Príncipe Francisco, avô do místico sobre quem escrevemos, havia perdido a vida em uma luta desesperada para manter sua liberdade; por ocasião de sua morte, sua viúva e filhos foram capturados pelo Imperador Austríaco, e assim o filho, Francisco Leopoldo, foi criado na Corte de Viena.

Como nosso informante diz: "A Princesa viúva (que havia se casado novamente com o Conde Tékéli) foi forçada a entregar seus filhos, juntamente com suas propriedades, ao Imperador, que disse que se tornaria seu guardião e seria responsável por sua educação." Esse acordo foi feito em março de 1688. Quando, no entanto, o Príncipe Francisco atingiu a maioridade, suas propriedades, com muitas restrições e limitações, foram-lhe devolvidas pelo Imperador da Áustria.

Em 1694, este Príncipe Ragoczy casou-se em Colônia, no Reno, com Carlota Amália, filha do Landgrave Carlos de Hesse-Wahnfried (da linhagem de Rheinfels). Desse casamento nasceram três filhos: José, Jorge e Carlota.

Quase imediatamente após esse período, o Príncipe Ragoczy começou a liderar as conspirações de seus nobres contra o Império Austríaco, com o objetivo de recuperar seu poder independente.

A história dessa luta é das mais interessantes em todos os aspectos e singularmente comovente.

O Príncipe foi derrotado e todas as suas propriedades foram confiscadas.

Os filhos tiveram que renunciar ao nome de Ragoczy e adotar os títulos de São Carlos e Santa Isabel.

Observemos o que (1) Hezekiel tem a dizer sobre esse ponto, pois ele fez investigações muito cuidadosas sobre o assunto: "Estamos, de fato, inclinados a pensar que o Conde de St. Germain era o filho mais novo do Príncipe Franz-Leopold Ragoczy e da Princesa Carlota Amália de Hesse-Wahnfried.

Franz-Leopold casou-se em 1694, e desse casamento teve dois filhos, que foram feitos prisioneiros pelos austríacos e criados como católicos romanos; também foram forçados a abandonar o temido nome de Ragoczy."

O filho mais velho, autodenominando-se Marquês de San Carlo, escapou de Viena em 1734. Nesse ano, após lutas infrutíferas, seu pai morreu em Rodosto, na Turquia, e foi sepultado em Esmirna.

O filho mais velho então recebeu a pensão turca de seu pai e foi reconhecido como Príncipe de Siebenbürgen (Transilvânia). Ele travou a mesma guerra que seu pai, lutou contra e foi expulso pelo Príncipe Fernando de Lobkowitz, e finalmente morreu esquecido na Turquia.

O irmão mais novo não participou dos empreendimentos de seu irmão mais velho e, portanto, parece ter estado sempre em bons termos com o governo austríaco.

Escritores adversos fizeram muito mistério sobre o fato de o Conde de Saint-Germain ser rico e sempre ter dinheiro à sua disposição; na verdade, aqueles escritores que gostavam de chamá-lo de "charlatão e vigarista" não se abstiveram de insinuar que seu dinheiro devia ter sido mal adquirido; muitos vão ainda mais longe, dizendo que ele o ganhou enganando pessoas e exercendo influência indevida sobre elas.

Se nos voltarmos para o antigo Arquivista já mencionado, encontramos informações muito definidas que não apenas nos mostram de onde provinha a grande fortuna possuída por este místico, mas também por que ele foi tão calorosamente recebido pelo Rei da França e era tão conhecido em todas as cortes da Europa.

Não é um aventureiro obscuro com quem estamos lidando, mas um homem de sangue principesco e de ascendência quase real.

Voltando à antiga crônica, encontramos no volume de 1736 o testamento do falecido Príncipe Franz-Leopold Ragoczy, no qual são mencionados ambos os seus filhos, já nomeados, e também um terceiro filho (1). Também declara que Luís XIV havia comprado propriedades de terra para este Príncipe Ragoczy da Rainha polonesa Maria, cujos aluguéis dessa propriedade foram investidos por ordem do Rei da França no Hôtel de Ville em Paris.

Também descobrimos que legados consideráveis foram deixados, os quais deveriam ser reclamados da Coroa da França. Os executores deste testamento foram o Duque de Bourbon, o Duque de Maine e o Conde de Charleroi e Toulouse. Aos seus cuidados, o Príncipe Ragoczy confiou seu terceiro filho, a quem também deixou um grande legado e outros direitos sobre essa valiosa propriedade.

Portanto, devemos descartar as teorias de que M. de St. Germain era um aventureiro sem lar e sem dinheiro, buscando ganhar dinheiro de qualquer pessoa bem-intencionada: Essas eram as opiniões e ideias dos escritores de jornais e revistas da época, apresentadas nos periódicos mais importantes.

Infelizmente, a lei da hereditariedade prevalece nessa classe de pessoas, e há uma notável semelhança entre os epítetos lançados pela imprensa do século XIX contra o ocultista aventureiro de hoje e aqueles dirigidos a M. de St. Germain e outros místicos de menor importância e mérito inferior.

(1) Este é o filho, mencionado pelo Príncipe Carlos de Hesse, que foi colocado sob os cuidados do último dos Médici.

MÍSTICO E FILÓSOFO

Passaremos agora desta parte do nosso assunto para alguns dos incidentes pessoais relatados sobre M. de St. Germain; talvez os mais interessantes sejam aqueles dados por alguém que o conheceu pessoalmente em Anspach durante o período em que ele esteve em estreita conexão com o Marquês. Parece que o místico fez duas visitas em diferentes ocasiões a Schwalbach, e de lá foi para Triesdorf. Deixaremos o escritor falar por si mesmo sobre este ponto:

“Ao saber que um estranho, notável e interessante, estava em Schwalbach, o Marquês de Brandemburgo-Ansbach convidou-o a vir a Triesdorf na primavera, e o Conde Tzarogy (pois este era o nome sob o qual ele aparecia) aceitou o convite, com a condição de que lhe permitissem viver à sua maneira, bem despercebido e em paz.

Ele foi alojado nos cômodos inferiores do Castelo, abaixo daqueles ocupados por Mademoiselle Clairon. O Marquês e sua esposa viviam no Falkenhaus. O Conde Tzarogy não tinha servo próprio; jantava da maneira mais simples possível em seu próprio quarto, que raramente deixava. Suas necessidades eram extremamente poucas, e evitava toda a sociedade em geral, passando as noites na companhia apenas do Marquês, de Mademoiselle Clairon e daquelas pessoas que o primeiro se agradava em ter ao seu redor. Era impossível persuadir o Conde Tzarogy a jantar à mesa do Príncipe, e ele só viu a Marquesa algumas vezes, embora ela estivesse muito curiosa para fazer o conhecimento desse indivíduo estranho. Em conversa, o Conde era muito entretido e mostrava muito conhecimento do mundo e dos homens.”

Ele sempre se alegrava especialmente em falar de sua infância e de sua mãe, a quem nunca se referia sem emoção, e frequentemente com lágrimas nos olhos.

Se fosse possível acreditar nele, ele havia sido criado como um Príncipe.

Um dia, Tzarogy mostrou ao Markgraf um convite que recebera, enviado por um mensageiro, do Graf Alexis Orloff, que acabava de retornar da Itália; a carta instava o Graf Tzarogy a visitá-lo, pois o Graf Orloff estava passando por Nuremberg.

. . . O Markgraf foi com o Graf Tzarogy a Nuremberg, onde o Graf Alexis Orloff já havia chegado.

Por ocasião de sua chegada, Orloff, de braços abertos, adiantou-se para encontrar e abraçar o Graf Tzarogy, que agora aparecia pela primeira vez no uniforme de General russo; e Orloff o chamou várias vezes de "Caro padre", "Caro amico". O Graf Alexis recebeu o Markgraf de Brandemburgo-Ansbach com a mais marcada polidez, e agradeceu-lhe várias vezes pela proteção que o Markgraf havia concedido ao seu digno amigo; almoçaram juntos ao meio-dia.

O

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conversa foi das mais interessantes; falaram bastante sobre a campanha no Arquipélago, e ainda mais sobre descobertas úteis e científicas.

Orloff mostrou ao Markgraf um pedaço de madeira incombustível, que, quando testado, não produzia — nem chamas nem cinzas, mas simplesmente se desfazia em cinzas leves, depois de inchar como uma esponja.

Após o jantar, o Graf Orloff levou o Graf Tzarogy para a sala ao lado, onde permaneceram juntos por um tempo considerável.

O escritor, que estava de pé junto à janela, sob a qual estavam estacionadas as carruagens do Graf Orloff, notou que um dos criados do Conde veio, abriu uma das portas da carruagem e retirou do compartimento sob o assento uma grande bolsa de couro vermelho, e a carregou para cima, para a outra sala.

Após o retorno a Ansbach, o Graf Tzarogy lhes mostrou, pela primeira vez, suas credenciais como General russo com o selo imperial anexo; posteriormente, informou ao Markgraf que o nome Tzarogy era um nome assumido, e que seu verdadeiro nome era Ragotzy, e que ele era o único representante e descendente do falecido Príncipe exilado Ragotzy de Siebenbürgen, da época do Imperador Leopoldo" (r).

(1) Curiositäten der Literarisch-historischen Vor und Mitwelt, pp. 285, 286. Weimar, 1818.


Até aqui, esta narrativa é razoavelmente precisa, mas

Após este ponto, o autor prossegue com a história do que considera o “desvelamento” do “notório Conde de St. Germain”, no qual todas as várias teorias sobre seu nascimento, às quais já nos referimos, são recontadas — com enfeites.

Entre outros relatos extravagantes, afirmava-se que M. de St. Germain só teria conhecido os Orloffs em Livorno — em 1770, ao passo que há várias provas históricas mostrando, sem dúvida, que ele estava em 1762 em São Petersburgo, onde conhecia bem os Orloffs.

Ouvimos ademais na Rússia que ele estava hospedado com a Princesa Marie Galitzin em Archangelskoi em 3 de março de 1762.

Os seguintes detalhes foram encontrados na Rússia e enviados por um amigo russo:

“O Conde de St. Germain esteve aqui no tempo de Pedro III e partiu quando Catarina II subiu ao trono.

O Sr. Pyliaeff (1) pensa que até antes do tempo de Catarina.

“Em São Petersburgo, St. Germain viveu com o Conde Rotari, o famoso pintor italiano, que foi o pintor dos belos retratos que estão no palácio de Peterhof.

“A rua onde eles viveram é supostamente

(1) Contado pelo Sr. Pyliaeff, membro do ‘Novoie Vremia’, autor de ‘Velha Petersburgo’.

”

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ser o Grafsky péréonlok (‘péréonlok’ significa rua pequena, e ‘Grafsky’ vem de Graf — Conde) perto da ponte Anitchkoff, onde fica o palácio, na Nevsky.

St. Germain era um violinista esplêndido, tocava como uma orquestra.” Na “História da família Razoamovsky”, Alexis R. teria falado de uma bela pedra da lua que St. Germain possuía.

“O Sr. Pyliaeff viu (não se lembra agora onde) uma peça musical, alguma melodia para harpa, dedicada à Condessa Ostermann, assinada pela própria mão de St. Germain.

Está encadernada lindamente em marroquim vermelho.

A data é por volta de 1760.

“O Sr. Pyliaeff pensa que St. Germain não esteve em Moscou.

Ele diz que a família Youssoupoff tem muitos manuscritos em baús antigos e que St. Germain teve relações com um Príncipe Youssoupoff, a quem deu o elixir da longa vida.

Ele diz também que St. Germain não usava o nome de Saltykoff na Rússia, mas que em Viena ele de fato adotou esse nome.

“Sobre a música assinada por St. Germain, M. Pyliaeff agora se recorda que ela pertencia a ele próprio.

Ele a comprou em algum leilão e a teve por algum tempo.

Depois, ele a deu de presente ao famoso compositor Peter Chazkowsky.

Deve estar agora nos papéis de Chaikowsky, mas como o grande músico tinha muito pouca ordem, M.


Pyliaeff acha muito improvável que pudesse ser encontrado, especialmente porque, na morte súbita de Chaikowsky, tudo foi deixado sem quaisquer instruções sobre a propriedade."

Dissemos que os eventos políticos em sua família haviam, até certo ponto, ensombrado a vida de M. de St. Germain; um exemplo notável disso citaremos agora: é, tanto quanto sabemos, o único no qual ele próprio faz referência direta a isso, e ocorre algum tempo depois dos eventos que acabamos de relatar.

Após o retorno do Markgraf da Itália, para onde havia ido em 1776, e onde ouvira algumas das lendas e fabricações acima referidas, parece que ele enviou o escritor que citamos a Schwalbach para ver o Graf Tzarogy e testar sua bona fides.

Continuaremos a história conforme ele a apresenta. "À sua chegada, encontrou M. de St. Germain doente na cama.

Quando o assunto lhe foi explicado, ele admitiu com perfeita frieza que havia assumido de tempos em tempos todos os nomes mencionados, até mesmo o de Soltikow: mas disse que era conhecido por todos os lados, e por muitas pessoas, sob esses nomes, como um homem de honra, e que se algum caluniador ousasse acusá-lo de transações nefastas, ele estava pronto a se exculpar da maneira mais satisfatória, assim que soubesse do que era

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acusado, e quem era o acusador que ousava atacá-lo.

Afirmou firmemente que não havia dito ao Markgraf nenhuma mentira com referência ao seu nome e à sua família.

As provas de sua origem, no entanto, estavam nas mãos de uma pessoa de quem ele dependia (isto é, o Imperador da Áustria), uma dependência que lhe trouxera, no curso de sua vida, a maior espionagem.

. . . Quando lhe perguntaram por que não havia informado o Markgraf sobre os diferentes nomes sob os quais aparecera em tantos lugares distintos, o Graf Tzarogy respondeu que não tinha obrigações para com o Markgraf, e que, uma vez que não ofendia ninguém e não fazia mal a pessoa alguma, só daria tais informações pessoais depois, e não antes, de ter relações com eles.

O Graf disse que nunca abusara da confiança do Markgraf; ele dera seu nome verdadeiro... depois disso, permaneceu ainda em Schwalbach." Um pouco mais adiante, o autor do parágrafo citado observa: "Que recursos M. de St. Germain possuía para custear as despesas necessárias de sua existência, é difícil de adivinhar"? (1).

Parece-nos curioso que o escritor soubesse tão pouco da história contemporânea.

Como vimos, todos os filhos do Príncipe Ragotzy estavam amplamente providos, e as provas eram ainda mais

(1) Curiositaten op. cit., pp. 287, 289, 293, 294. OAKLEY - The Comte de St. Germain.

_ O CONDE DE ST. GERMAIN

acessíveis do que o são em nossos dias.

Ele prossegue, concluindo: "Seria uma tarefa ingrata declarar que este homem era um vigarista; para isso, são necessárias provas, e elas não podem ser obtidas." Esta é verdadeiramente uma declaração engenhosa, mas beira um tanto a difamação; falar de alguém como vigarista sem qualquer prova ultrapassa os limites da justiça comum, e é especialmente incongruente em vista do parágrafo final, que é o seguinte: "Enquanto o Graf teve relações com o Markgraf, nunca pediu nada, nunca recebeu nada de valor mínimo, e nunca se envolveu em nada que não lhe dissesse respeito.

Devido à sua vida extremamente simples, suas necessidades eram muito limitadas; quando tinha dinheiro, o dividia com os pobres."

Se compararmos essas palavras com as ditas sobre M. de St. Germain por seu amigo, o Príncipe Carlos de Hesse, veremos que estão em perfeita concordância.

A única maravilha é que um escritor que profere tais palavras de elogio possa sequer insinuar que seu objeto possa ser um "vigarista." Se tais palavras podem ser ditas com justiça de um "aventureiro," então seria bom para o mundo se alguns mais dessa espécie pudessem ser encontrados.

Encontraremos contradições extraordinárias semelhantes em vários escritores à medida que avançarmos na vida de M. de St. Germain.

CAPÍTULO II

Suas Viagens e Conhecimento.

O culto puro da Natureza nos primeiros dias patriarcais.

... tornou-se a herança daqueles que sozinhos podiam discernir o númeno sob o fenômeno.

Mais tarde, os Iniciados transmitiram seu conhecimento aos reis humanos, assim como seus Mestres divinos o haviam passado a seus antepassados.

Era sua prerrogativa e dever revelar os segredos da Natureza que fossem úteis à humanidade.... Ninguém era Iniciado se não pudesse curar — sim, trazer de volta à vida, de uma aparente morte (coma), aqueles que, negligenciados por muito tempo, teriam de fato morrido durante sua letargia.

Aqueles que demonstravam tais poderes eram imediatamente elevados acima das multidões e considerados Reis e Iniciados.

A Doutrina Secreta, iii.

263.

_ Tracemos agora, até onde podemos com qualquer informação detalhada, os passos de M. de St. Ger- _ main em algumas de suas extensas viagens.

Que ele estivera na África, Índia e China, deduzimos de várias dicas que ele nos dá, e também de fatos

Re relatados por muitos escritores em diferentes épocas.


Que tais viagens pareçam sem objetivo e triviais aos mesmos escritores não é motivo de surpresa, mas para estudantes de misticismo, e especialmente aqueles para quem a "Grande Loja" é um fato e uma necessidade na evolução espiritual da humanidade, para esses estudantes as viagens amplamente estendidas deste "mensageiro" daquela Loja não serão surpreendentes; antes, eles buscarão abaixo da superfície e tentarão compreender a missão e o trabalho que ele veio realizar entre os filhos dos homens.

.

Devemos ter em mente, além disso, que no mundo antigo as artes e ciências eram consideradas dons divinos; os dons dos deuses.

"Reis das 'Dinastias Divinas', eles deram o primeiro impulso à civilização e dirigiram a mente, com a qual haviam dotado os homens, à invenção e aperfeiçoamento de todas as artes e ciências"? (1).

Conceitudos em sua ignorância superficial, a generalidade da humanidade despreza os dons e se afasta dos doadores.

Alguns séculos atrás, tais doadores e mestres foram silenciados na fogueira, como Giordano Bruno, e muitos outros que o tempo agora justificou aos olhos dos homens.

(1) Blavatsky (H. P.) A Doutrina Secreta, ii. p. 380. Londres, 1893.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

Então, mais tarde, após a reação do livre pensamento no século XVIII, encontramos Mesmer e o Conde de St. Germain sacrificando, não suas vidas, mas seus bons nomes e reputações ao tentar ajudar aqueles a quem foram enviados pela _ Grande Loja.

Tomemos agora o fio dessas viagens e, para torná-las tão claras quanto possível, sigamo-las na ordem de suas datas.

: Estas variam, como vimos em nossa última

capítulo de 1710 a 1822. Não poderemos, contudo, tratar de cada período com muita profundidade, pois M. de St. Germain frequentemente desaparecia por muitos meses de cada vez.

Os registros mais antigos que podemos reunir são os seguintes:

“Apareceu na Corte (1) naqueles dias um homem extraordinário, que se autodenominava Conde de St. Germain.

A princípio, ele se distinguiu por sua inteligência e pela grande diversidade de seus talentos, mas em outro aspecto logo despertou a maior admiração.

A velha Condessa v. Gergy, que cinquenta anos antes acompanhara seu marido a Veneza, onde ele ocupava o cargo de embaixador, encontrou recentemente St. Germain na casa de Mme de Pompadour.

Por algum tempo, observou o estranho com

(1) A Corte de Luís XV.


sinais da maior surpresa, na qual se misturava não pouco medo.

Por fim, incapaz de controlar sua agitação, aproximou-se do Conde mais por curiosidade do que por temor.

«Tereis a bondade de me dizer,” — disse a Condessa, “se vosso pai estava em Veneza por volta do ano de 1710?”

“Não, Senhora,” respondeu o Conde, bastante impassível, “há muito mais tempo que perdi meu pai; mas eu mesmo vivia em Veneza no fim do século passado e no início deste; tive então a honra de vos cortejar, e fostes bondosa o bastante para admirar algumas barcarolas de minha composição que costumávamos cantar juntos.”

“Perdoai-me, mas isso é impossível; o Conde St. Germain que conheci naqueles dias tinha pelo menos 45 anos, e vós, no máximo, tendes essa idade atualmente.”

“Senhora,” respondeu o Conde sorrindo, “sou muito velho.”

“Mas então deveis ter quase 100 anos.”

“Isso não é impossível.” E então o Conde relatou a Mme. v. Gergy uma série de pequenos detalhes familiares que diziam respeito a ambos, à sua estadia nos Estados Venezianos.

Ofereceu-se, caso ela ainda duvidasse dele, para trazer de volta à sua memória certas circunstâncias e observações, que....

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

“Não, não,” interrompeu a velha embaixatriz, “já estou convencida.

Apesar de tudo, sois um homem extraordinário, um demônio.”

“Piedade!” exclamou St. Germain em voz trovejante, “não useis tais nomes!”

Ele pareceu ser tomado por um tremor convulsivo em todos os membros e deixou a sala imediatamente.

Pretendo conhecer mais intimamente esse homem peculiar.”

St. Germain é de estatura mediana e maneiras elegantes; seus traços são regulares; sua tez é morena; seus cabelos, negros; seu rosto é móvel e cheio de gênio; seu porte carrega a impressão e a nobreza comuns apenas aos grandes.

O Conde veste-se com simplicidade, mas com bom gosto.

Seu único luxo consiste em um grande número de diamantes, com os quais está bastante coberto; ele os usa em todos os dedos, e eles estão engastados em suas caixas de rapé e em seus relógios.

Certa noite, ele apareceu na corte com fivelas de sapatos que o Sr. v. Goutant, um especialista em pedras preciosas, avaliou em 200.000 francos.

Um fato digno de nota é que o Conde fala francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e português com igual perfeição, de tal modo que, quando conversa com qualquer um dos habitantes dos países acima mencionados em sua língua materna, eles não conseguem descobrir o menor sotaque estrangeiro.


Os eruditos e os orientalistas comprovaram o conhecimento do Conde St. Germain.

Os primeiros o acharam mais apto na língua de Homero e Virgílio do que eles próprios; com os últimos, ele falava sânscrito, chinês e árabe de tal maneira que lhes mostrava que havia feito uma longa estadia na Ásia, e que as línguas do Oriente eram mal aprendidas nos Colégios de Luís, o Grande, e de Montaigne.

O Conde St. Germain acompanhava ao piano, sem partitura, não apenas toda canção, mas também os concertos mais difíceis, executados em vários instrumentos.

Rameau ficou muito impressionado com a execução desse diletante, e especialmente surpreendido com sua improvisação.

O Conde pinta lindamente a óleo; mas o que torna suas pinturas tão notáveis é uma cor particular, um segredo, que ele descobriu, e que confere à pintura um brilho extraordinário.

Em suas peças históricas, St. Germain sempre introduz, nos trajes das mulheres, safiras, rubis e esmeraldas de tonalidade tão brilhante que parecem ter emprestado sua beleza das próprias gemas originais.

Vanloo, que nunca se cansa de admirar a surpreendente coloração, frequentemente pediu ao Conde que o deixasse participar de seu segredo; este, porém, não o revela.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

Sem tentar julgar o conhecimento de um semelhante, sobre quem, no exato momento em que escrevo, tanto a corte quanto a cidade esgotaram todas as suposições, pode-se, creio eu, afirmar com segurança que uma parte de seus milagres se deve ao seu conhecimento de física e química, ciências nas quais ele é bem fundamentado.

Em todo caso, é palpável que seu conhecimento lhe lançou as sementes de uma saúde sólida; uma vida que — ou que já ultrapassou o tempo ordinário concedido ao homem; e também o dotou dos meios de prevenir que os estragos do tempo afetem o corpo.

Entre outras declarações, a respeito das surpreendentes qualidades do Conde, feitas à Favorita por Mme v. Gergy após seu primeiro encontro com o Conde depois desse lapso de anos, estava a de que, durante sua primeira estada em Veneza, ela recebeu dele um Elixir que, por um quarto de século inteiro, preservou inalterados os encantos juvenis que possuía aos 25 anos. Cavalheiros idosos, a quem Mme de Pompadour interrogou sobre esse incidente peculiar, deram a garantia de que isso era verdade, acrescentando que a paralisação na aparência juvenil de Mme v. Gergy, apoiada pelo testemunho desses velhos, tornaria isso ainda mais provável.

Uma noite, em uma festa, St. Germain acompanhou várias árias italianas para a jovem Comtesse

“ap oa O CONDE DE ST. GERMAIN

posteriormente tão celebrada sob o nome de Comtesse de Genlis, então com dez anos de idade.

|

Quando ela terminou de cantar, o Conde disse-lhe: “em cinco ou seis anos você terá uma voz muito bela, que preservará por muito tempo; para aperfeiçoar o encanto, você também deve preservar sua beleza, este será seu destino feliz entre seu 16º e 17º ano.”

“Mas, Conde”, respondeu a criança, enquanto deixava seus lindos dedos deslizarem sobre as notas, “isso não está ao alcance de ninguém.”

“Oh, sim”, respondeu o Conde descuidadamente, “apenas me diga se lhe daria prazer permanecer nessa idade?”

“Verdadeiramente, isso seria encantador.”

“Pois bem, eu prometo a você.” E St. Germain falou de outros assuntos.

Encorajada pela amabilidade desse homem da moda, a mãe da Condessa ousou perguntar-lhe se a Alemanha era sua pátria?

“Madame”, disse ele, suspirando profundamente, “há algumas coisas das quais não se pode falar. Basta saber que aos sete anos de idade eu vagava pelos bosques, e que um preço foi posto sobre minha cabeça.”

No meu aniversário, minha mãe, a quem eu não veria novamente, amarrou seu retrato em meu braço; eu o mostrarei a vocês.”

Ao ouvir essas palavras, St. Germain ergueu as mangas e mostrou às damas a miniatura de

SUAS VIAGENS E

CONHECIMENTO 43: Z

uma mulher excepcionalmente bela, mas representada em traje bastante peculiar.

“A que data pertence esse vestido?” perguntou a jovem Condessa.

Sem responder a essa pergunta, o Conde abaixou novamente a manga e trouxe outro assunto à tona.

Todos os dias, ficava-se surpreso com um novo milagre na companhia do Conde St. Germain.

Pouco tempo antes, ele havia presenteado Mme.

de Pompadour com uma *Bonbonniére* que era universalmente admirada.

Era trabalhada muito belamente em esmalte preto, e na tampa havia uma ágata.

O Conde pediu à Marquesa que colocasse a *Bonbonniére* perto do fogo; alguns minutos depois, ela foi retirá-la.

Qual não foi o espanto de todos os presentes: a ágata havia desaparecido, e em seu lugar via-se uma graciosa pastora em meio ao seu rebanho.

Depois que a *Bonbonniére* foi novamente colocada perto do fogo, a pastora desapareceu, e a ágata reapareceu” (1).

Este episódio foi registrado em 1750, mas os fatos mencionados ocorreram em 1723. Deve-se notar cuidadosamente que todos os amigos pessoais

de M. de St. Germain ocupavam posições elevadas

(1) Extraído de “Chroniques de l'Oeil de Boeuf.” Registrado pela Condessa viúva v. B.

Wal O CONDE DE ST. GERMAIN

principalmente austríacos e húngaros, todos homens de alto nascimento e nobre família, seus próprios parentes e afins; entre eles encontramos o Príncipe Kaunitz, o Príncipe Ferdinand Lobkowitz, o Graf Zobor, o Graf Maximilian Joseph von Lamberg, homens de posição pública e famílias bem conhecidas.

“De 1737 a 1742, nosso místico esteve na Corte do Xá da Pérsia, e é aqui que ele provavelmente adquiriu seu conhecimento de diamantes e pedras preciosas, pois segundo sua própria declaração muito crível, foi aqui que ele começou a compreender os segredos da Natureza, mas seu conhecimento arduamente adquirido nos leva a inferir um longo período de estudo cuidadoso.

Essas pistas colhemos de F. W. von Barthold (1) em sua obra interessante, e elas confirmam a declaração feita por outro escritor de que M. de St. Germain vinha realizando suas pesquisas na Pérsia.

Em seguida, nós o encontramos na Inglaterra, durante a Revolução Jacobita de 1745, suspeito de ser um espião, e preso.

Dois extratos interessantes podem ser citados aqui.

A primeira é das (2) divertidas cartas de Horace Walpole

(1) BARTHOLD (F. W. von) Die Geschichtlichen Persönlichkeiten in Jacob Casanova's Mémoiren. Vol. ii., Berlim ~ 1846.

(2) Letters of Horace Walpole, Earl of Orford, to Sir Horace Mann; ii., pp. 108, 109. Londres, 1833.

« ;

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO 45.

a Sir Horace Mann, o Enviado Britânico em Florença.

Escrevendo em 9 de dezembro de 1745, Walpole, após relatar todas as agitações produzidas pela Revolução, diz: "No outro dia, eles prenderam um homem estranho que atende pelo nome de Conde St. Germain. Ele está aqui há dois anos e não quer dizer quem é ou de onde vem, mas declara que não usa seu nome verdadeiro. Canta e toca violino maravilhosamente, é louco e não muito sensato."

A segunda referência a essa estadia na Inglaterra pode ser encontrada no Read's Weekly Journal ou British Gazeteer, 17 de maio de 1760, e é a seguinte:

"O autor da Gazette de Bruxelas nos conta que a pessoa que se intitula Comte de St. Germain, que chegou recentemente aqui vindo da Holanda, nasceu na Itália em 1712. Fala alemão e francês tão fluentemente quanto italiano, e expressa-se razoavelmente bem em inglês. Tem um conhecimento superficial de todas as artes e ciências, é um bom químico, um virtuose na música e um companheiro muito agradável. Em 1746 [1745, segundo Walpole], esteve a ponto de ser arruinado na Inglaterra. Alguém que tinha ciúmes dele por causa de uma dama colocou uma carta em seu bolso como se fosse do jovem Pretendente (agradecendo-lhe por seus serviços e pedindo que os continuasse), e imediatamente o fez ser detido por um mensageiro.

O COMTE DE ST. GERMAIN

Sua inocência tendo sido plenamente comprovada em seu interrogatório, foi libertado da custódia do mensageiro e convidado para jantar por Lord H. [Provavelmente William Stanhope, Conde de Harrington, que era Secretário do Tesouro e Tesoureiro da Câmara naquela época; faleceu em 1760.] Aqueles que o conhecem lamentarão (diz M. Maubert) saber que ele incorreu no desagrado do rei cristão."

Este último parágrafo alude ao que ocorreu em um período posterior.

Após essa data, 1745, parece que M. de St. Germain foi a Viena e passou algum tempo naquela cidade (1), e em 1755 foi para a Índia, pela segunda vez, como deduzimos de uma carta sua escrita ao Graf von Lamberg, à qual teremos de nos referir novamente mais adiante.

(1) ‘Ele vivera como um príncipe em Viena de 1745 a 1746, foi muito bem recebido, e o primeiro ministro do Imperador [Francisco I], o Príncipe Ferdinand von Lobkowitz, era seu amigo íntimo.

Este o apresentou ao Marechal francês de Belle-Isle, que fora enviado pelo Rei Luís XV em uma embaixada especial à Corte de Viena.

Belle-Isle, o rico neto de Fouquet, ficou tão encantado com o brilhante e espirituoso St. Germain, que o persuadiu a acompanhá-lo em uma visita a Paris.” *Historische Herinneringen*, de J. H. E. C. A. van SYPESTEYN; Haia, 1869.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

“Devo,” escreve ele, “meu conhecimento da fusão de joias à minha segunda viagem à Índia, no ano de 1755, com o General Clive, que estava sob o Vice-Almirante Watson.

Em minha primeira viagem eu tinha apenas uma ideia muito vaga do maravilhoso segredo de que falamos; todas as tentativas que fiz em Viena, Paris e Londres são inúteis como experimentos; a grande obra foi interrompida na época que mencionei.”

Todo escritor, adverso ou favorável, menciona e enfatiza o maravilhoso poder de aprimorar pedras preciosas que possuía o Sr. de St. Germain.

Na verdade, quase todo tipo de arte parece ter sido mais ou menos conhecido por ele, a julgar pelos muitos testemunhos que temos sobre esses pontos.

Nossa próxima data, 1757, nos leva ao período mais conhecido do público.

O Sr. de St. Germain foi apresentado em Paris pelo então Ministro da Guerra, Marechal e Conde de Belle-Isle; mas, como vimos pelos registros já citados, nem o Sr. de St. Germain nem sua família eram desconhecidos de Luís XV. Portanto, não nos surpreendemos com a recepção cordial e graciosa que ele recebeu, nem podemos nos admirar que o rei lhe tenha designado um conjunto de aposentos em seu castelo real de Chambord.

Ali havia um laboratório equipado para experimentos, e um grupo de estudantes se reunia em torno de nosso místico.

Entre estes encontramos o Barão de Gleichen, a Marquesa d’Urfé e também a Princesa de Anhalt-Zerbst, mãe de Catarina II da Rússia.

Madame de Genlis (1), falando dele nesse período, diz:

“Ele era bem versado em física e era um grande químico.

Meu pai, que era bem qualificado para julgar, era um grande admirador de suas habilidades nesse sentido.”

... Ele havia descoberto um segredo relativo às cores que era verdadeiramente maravilhoso, e que conferia um efeito extraordinário às suas pinturas.

... M. de St. Germain nunca consentiu em revelar seu segredo.” Madame du Hausset relata em suas memórias um interessante exemplo de seu conhecimento sobre pedras preciosas.

“O Rei,” diz ela, “ordenou que lhe trouxessem um diamante de tamanho médio que tinha um defeito.

Depois de pesá-lo, Sua Majestade disse ao Conde: ‘O valor deste diamante como está, e com o defeito, é de seis mil livres; sem o defeito valeria pelo menos dez mil.

Você se dispõe a me proporcionar um ganho de quatro mil livres?’ St. Germain o examinou muito atentamente, e

(1) GENLIS (Comtesse de), Mémoires Inédits pour servir à l’Histoire des XVIII et XIX Siècles, p. 88. Paris, 1825.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

disse, ‘É possível; pode ser feito.

Eu o trarei de volta em um mês.’

“No tempo aprazado, o Conde de St. Germain trouxe o diamante sem nenhuma mancha, e o entregou ao Rei.

Ele estava envolto em um pano de amianto, que ele retirou.

O rei o pesou imediatamente, e o achou muito pouco diminuído.

Sua Majestade então o enviou ao seu joalheiro por meio de M. de Gontaut, sem lhe contar nada do que havia acontecido.

O joalheiro lhe deu nove mil e seiscentas livres por ele. O Rei, no entanto, mandou buscar o diamante de volta, e disse que o guardaria como curiosidade.

Ele não conseguia superar sua surpresa, e disse que M. de St. Germain devia valer milhões, especialmente se possuísse o segredo de fazer diamantes grandes a partir de pequenos.

O Conde não disse que podia nem que não podia, mas afirmou positivamente que sabia fazer crescer pérolas e dar-lhes a mais fina água.

O Rei lhe dispensou grande atenção, e também Madame de Pompadour.

M. du Quesnoy disse uma vez que St. Germain era um charlatão, mas o Rei o repreendeu.

De fato, Sua Majestade parece fascinado por ele, e às vezes fala dele como se sua linhagem fosse ilustre:

Um fato deste período parisiense não deve ser omitido; consta de declarações feitas por Oakey - O Conde de St. Germain.

GERMAIN — O CONDE DE ST.

: Madame du Hausset (1), Herr von Barthold e o Barão de Gleichen, que um jovem inglês, então residente em Paris, Lord Gower por nome, costumava divertir a si mesmo e a outras pessoas ociosas fazendo-se passar por M. de St. Germain, de modo que a maioria das histórias tolas e tolas sobre ele, que corriam soltas nos “salões” fofoqueiros da época, originaram-se nos ditos desse jovem ocioso.

Vários detalhes de seus feitos podem ser encontrados, mas não merecem maior atenção, além do fato de que M. de St. Germain teve que arcar com a culpa por declarações que não se originaram com ele.

Diz van Sypesteyn (2): “Muitos dos selvagens gracejadores parisienses, conhecidos como ‘Milord Gower’ — um imitador esplêndido, e iam aos salões de Paris para representar o papel de St. Germain — naturalmente era muito exagerado, mas muitas pessoas foram enganadas por esse falso St. Germain.”

Enquanto isso, nosso filósofo continuava trabalhando com aqueles a quem podia ajudar e ensinar de várias maneiras.

Em 1760, encontramo-lo enviado por Luís XV a Haia em uma missão política: as circunstâncias são contadas de várias maneiras por diferentes escritores.

Em abril de 1760, encontramos M. de St. Germain atravessando a Frísia Oriental para a Inglaterra (1). Em seguida, no *London Chronicle* de 3 de junho de 1760, temos um longo relato de um “estrangeiro misterioso”, que acabara de chegar às costas da Inglaterra.

Diz-se também, por um escritor, que ele foi bem recebido na corte inglesa.

EZEQUIEL (i. op. cit.). *Gazette of the Netherlands*, 17 de janeiro de 1761. Haia, 2 de janeiro. Cartas de Paris afirmam que, ao partir para este país, ao qual veio sem pedir permissão ao Rei, M. de St. Germain devolveu sua Fita Vermelha: mas é praticamente certo que ele tem um entendimento com o Rei da Dinamarca.

O 3º. O assim chamado Conde de St. Germain é um homem incompreensível de quem nada se sabe: nem seu nome, nem sua origem, nem sua posição; ele tem uma renda, ninguém sabe de onde é derivada; conhecidos, No Museu Britânico há peças de música compostas pelo Conde de St. Germain em ambas as suas visitas, pois estão datadas de 1745 e 1760. Dizia-se em toda parte, tanto por inimigos quanto por amigos, que ele era um esplêndido violinista; ele “tocava como uma orquestra.”


Há uma lembrança das mais interessantes de M. de St. Germain, que tivemos a boa fortuna de ver.

Ela se conserva na biblioteca do grande e antigo castelo de Raudnitz, na Boêmia, propriedade do Príncipe Ferdinand von Lobkowitz.

Entre os manuscritos e outros tesouros dessa rara coleção, encontramos um livro de música — composto por M. de St. Germain, do qual, pela graciosa permissão do atual Príncipe, mandamos traçar a inscrição e o autógrafo.

Ela assim se apresenta:

“Para o Príncipe de Lobkowitz, Música Raciocinada, segundo o bom senso, às Damas Inglesas que amam o verdadeiro gosto nesta arte.

Por ...de St. Germain.”

A primeira letra, ou letras, da assinatura são bastante indecifráveis, embora tenham sido traçadas com o máximo cuidado para nós pelo bibliotecário de Raudnitz.

Em seguida, temos de passar a São Petersburgo, onde, segundo as palavras do Conde Gregor Orloff ao Marquês de Brandemburgo-Ansbach, M. de St. Germain “desempenhara um grande papel em sua revolução” (1).

Ele é mencionado como tendo estado em São Petersburgo por outro escritor, ou melhor, em um livro anônimo, cuja tradução do título é:

“Algumas Palavras sobre os Primeiros Auxiliares de Catarina II,” (xviii. Livro 3, p. 343, 1869).

A escritora tem outros detalhes em sua posse, mas como no momento não estão verificados e vêm antes como fragmentos, é melhor esperar por informações mais precisas, que ela espera obter.

Várias indicações, no entanto, levam-nos a supor que M. de St. Germain passou algum tempo na Rússia.

Como já notamos, a Princesa de Anhalt-Zerbst, mãe de Catarina II, era muito amiga dele; de fato, ele passava muito tempo em sua casa em Paris.

Em 1763, no entanto, obtemos um relato profundamente interessante de nosso filósofo na forma de uma carta do Conde Karl Coblenzl ao Príncipe Kaunitz, o Primeiro-Ministro.

Os detalhes que ela fornece são tão interessantes que é melhor citá-la integralmente.

(1) Curiositéten der Literarisch historischen Vor und Mitwelt, pp. 285, 286. Weimar, 1818.


“Bruxelas, 8 de abril de 1763.
Conde Karl Coblenzl a Kaunitz.

“Foi há cerca de três meses que a pessoa conhecida pelo nome de Conde de St. Germain passou por aqui e veio me ver. Achei-o o homem mais singular que já vi em minha vida.”

Ainda não sei precisamente seu nascimento; creio, no entanto, que ele é “o filho de uma união clandestina em uma família poderosa e ilustre.

Possuindo grande riqueza, vive na mais absoluta simplicidade; conhece tudo e demonstra uma retidão, uma bondade de alma dignas de admiração.

Entre várias de suas realizações, fez, sob meus próprios olhos, algumas experiências, das quais as mais importantes foram a transmutação do ferro em um metal tão belo quanto o ouro, e pelo menos tão bom para todos os trabalhos de ourivesaria; a tintura e preparação de peles, levadas a uma perfeição que superava todos os marroquins do mundo, e o mais perfeito curtimento; a tintura de sedas, levada a uma perfeição até então desconhecida; a tintura semelhante de lãs; a tintura de madeira nas mais brilhantes cores, penetrando de todo através,

e tudo sem índigo nem cochonilha, com os ingredientes mais comuns e, consequentemente, a um preço muito moderado; a composição de cores para pintura, ultramarino —

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

~~

tão perfeito quanto o feito de lápis-lazúli; e, finalmente, a remoção do odor dos óleos de pintura — e a produção do melhor óleo de Provença a partir dos óleos de Navette, de Colsat e de outros, mesmo os piores.

Tenho em minhas mãos todas essas produções, feitas sob meus próprios olhos; submeti-as aos mais rigorosos exames e, vendo nesses artigos um lucro que poderia elevar-se a milhões, esforcei-me por aproveitar a amizade que este homem sente por mim e aprender dele todos esses segredos. Ele os me deu e nada pede para si além de um pagamento proporcional aos lucros que deles possam advir, entendendo-se que isso somente se dará quando o lucro for obtido.

Como o maravilhoso deve inevitavelmente parecer incerto, evitei os dois pontos que me pareceram temíveis: o primeiro, ser enganado; o segundo, envolver-me em despesas demasiado grandes.

Para evitar o primeiro, tomei uma pessoa de confiança, sob cujos olhos fiz realizar as experiências, e fiquei plenamente convencido da realidade e da barateza dessas produções.

E quanto ao segundo, encaminhei o Sr. de Zurmont (que é o nome que St. Germain adotou) a um bom e confiável comerciante em Tournay, com quem ele está trabalhando, e fiz adiantamentos que montam a muito pouco, através de

e um genro, e o genro de ‘% - ckiers, são as pessoas que darão continuidade a essas manufaturas, quando os lucros das primeiras experiências nos colocarem em posição de estabelecê-las, sem arriscar nada de nosso.

O momento de auferir o lucro já está próximo — e gordo e ” (1). ; De outra fonte, também, ouvimos falar de de St. Germain em Tournay, a saber, das memórias de Casanova.

oe Casanova.

a caminho de Tournay foi informado da presença de M. le Comte de St. Germain, e desejou ser apresentado a ele.

Tendo-lhe sido dito que o Comte não recebia ninguém, escreveu-lhe para solicitar uma entrevista, que foi concedida sob a restrição de vir de incógnito,

e não ser convidado a participar de uma refeição com ele.

Casanova encontrou o Comte vestido como um armênio, com uma longa barba.” a Nessa entrevista, M. de St. Germain informou _ Xi rosa de que estava organizando uma fábrica para o Graf.

Coblenzl (2).

[on 1763, a data em que agora nos encontramos

() ARNETH (A. Ritter von), Graf.

Philipp Cobdlenzl ae seine Mémoiren, p. 9, nota.

Wien.

1885. - aoa (2) Casanova (F. Seingalt de), Mémoires ; vis.

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: SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO 57 um ano em Berlim, e este relato provém das memórias de M. Dieudonné Thiébault, que apresenta o seguinte esboço interessante:

“Veio a Berlim e permaneceu nessa cidade pelo espaço de um ano um homem notável, que passava pelo nome de Comte de St. Germain.

O Abade Pernety não tardou em reconhecer nele as características que constituem um adepto, e veio até nós com histórias maravilhosas.

”

O autor então prossegue relatando que a Princesa Amélie foi visitá-lo, e ele também observa que o velho Barão Knyhausen era sempre tratado por M. de St. Germain como “meu filho”.’ Diz nosso autor:

‘Madame de Troussel também estava ansiosa para vê-lo.

O Abade Pernety resolveu a questão para ela, e o Comte veio à sua casa uma noite para o jantar.

Por acaso mencionaram a ‘Pedra Filosofal’, e o Comte observou secamente que a maioria das pessoas que estavam em busca dela eram surpreendentemente ilógicos, na medida em que não empregavam outro agente senão o fogo, esquecendo que o fogo decompõe e desintegra, e que consequentemente era mera tolice depender dele para a construção de uma nova composição.

Ele falou muito sobre isso e, finalmente, conduziu a conversa de volta a tópicos mais gerais.

Na aparência, M. de St. Germain era =


refinado e intelectual.

Ele era claramente de nascimento nobre e havia circulado na alta sociedade; e dizia-se que o famoso Cagliostro (tão conhecido por sua mistificação do Cardeal Rohan e outros em Paris) havia sido seu pupilo.

O pupilo, no entanto, nunca alcançou o nível de seu mestre, e enquanto este terminou sua carreira sem contratempos, Cagliostro foi muitas vezes imprudente a ponto de criminalidade, e morreu na prisão da Inquisição em Roma.

... Na história de M. de St. Germain, temos a história de um homem sábio e prudente que nunca ofendeu deliberadamente o código de honra, ou fez algo que pudesse ofender nosso senso de probidade.

Maravilhas temos sem fim, nunca nada mesquinho ou escandaloso” (1).

A data exata dessa visita a Berlim não podemos dar com precisão, mas ela vem antes da estadia em Veneza, onde foi encontrado pelo Graf Max von Lamberg (2), na época Camareiro do Imperador José II, e em seu livro temos alguns detalhes muito interessantes.

O Graf encontra M. de St. Germain sob o nome de

(1) THIEBAULT (D.), Mes Souvenirs de Vingt Ans de Séjour à Berlin, iv. p. 83. Paris, 1813.

(2) LAMBERG (Graf Max von), Le Mémorial d'un Mondain, p. 80. London, 1775.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

Marquês d'Aymar, ou Belmare, fazendo uma variedade de experimentos com linho, que ele estava branqueando para parecer seda italiana; ele havia estabelecido um lugar bastante grande, e tinha cerca de cem trabalhadores.

Parece que ele então viajou com o Graf von Lamberg, pois em um artigo publicado em Florença, Le notizie del Mondo (julho de 1770), sob o título "Notícias do Mundo", encontramos o seguinte parágrafo.

“ Túnis, julho de 1770.

“ O Conde Maximiliano de Lamberg (1), Camareiro de Suas Majestades Imperiais e Reais, tendo feito uma visita à Ilha de Córsega para fazer várias investigações, está hospedado aqui desde o final de junho, em companhia do Senhor de St. Germain, celebrado na Europa pela vastidão de seus conhecimentos políticos e filosóficos.

(1) Algum material interessante sobre o Conde de St. Germain é impresso em um livro muito interessante publicado recentemente, *Casanova et son temps*, de E. Maynial; o fato inteiramente novo e mais interessante é dado por ele: uma correspondência foi encontrada em Praga entre o Conde de Lamberg e M. de St. Germain, e está agora nas mãos de um conhecido escritor austríaco, que a está organizando; sem dúvida, em breve M. Gugitz publicará esses documentos.


Não são dados mais detalhes sobre esta viagem, mas ouvimos falar de M. de St. Germain em Mântua no ano de 1773.

Um ponto importante, que pertence a 1770, foi omitido. M. de St. Germain estava em Livorno quando a frota russa estava lá; ele usava um uniforme russo e era chamado de Graf Saltikoff pelo Graf Alexis Orloff.

Além disso, foi neste ano que ele retornou a Paris, com a desgraça do Primeiro-Ministro, seu inimigo, o Duque de Choiseul.

"Todas as suas habilidades, especialmente sua extraordinária bondade", diz o Sr. van Sypesteyn (cf. cit.), "sim, até mesmo a magnanimidade, que formava suas características essenciais, o haviam tornado tão respeitado e tão amado, que quando em 1770, após a queda do Duque de Choiseul, seu arqui-inimigo, ele apareceu novamente em Paris, foi somente com as maiores expressões de pesar que os parisienses permitiram que ele partisse.

...M. de St. Germain veio para Haia após a morte de Luís XV (10 de maio de 1774), e partiu para Schwalbach em 1774. Esta foi a última vez que visitou a Holanda.

Não se pode determinar com precisão quantas vezes ele esteve lá.... É afirmado em uma biografia alemã que ele esteve na Holanda em 1710, 1735, 1742, 1748, 1760 e 1773."

Esta última data nos leva ao período que já notamos, a estadia em Triesdorf

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

e em Schwalbach, onde muitos experimentos alquímicos e outros foram realizados pelo Marquês e pelo Conde.

O primeiro, ouvimos, orgulhava-se de seu conhecimento médico e obteve do Cônsul Inglês em Livorno uma cópia da prescrição para o "Chá Russo" ou "Aqua Benedetta", feita por M. de St. Germain, que foi usada na frota russa; então no Arquipélago, para preservar a saúde das tropas sob o calor intenso.

De 1774 até 1776 temos a visita a Triesdorf; em 1776 ouvimos falar de nosso místico em Leipzig, e no ano seguinte em Dresden; com esses períodos teremos que lidar em nosso próximo artigo.

Por volta de 1779, ouvimos falar de M. de St. Germain em Hamburgo; de lá, ele vai ao Príncipe Karl de Hesse e permanece com ele por algum tempo como seu amado e honrado hóspede.

Juntos, começaram várias experiências, experiências que, em todos os casos, visavam ser úteis à raça humana.

Escrevendo sobre o conhecimento e aludindo à educação inicial de M. de St. Germain pelo Duque de Médici, o Príncipe diz:

“Esta Casa (Médici), como é bem sabido, estava de posse do mais alto conhecimento, e não é surpreendente que ele tenha extraído deles seu conhecimento mais precoce; mas ele afirmava ter aprendido o da Natureza por sua própria aplicação e pesquisas.

Ele compreendia profundamente as ervas e plantas, e havia inventado os medicamentos de que constantemente fazia uso, e que prolongavam sua vida e saúde.

Ainda tenho suas receitas, mas os médicos fizeram grande alvoroço contra sua ciência após sua morte.

Havia um médico, Lossau, que fora boticário, e a quem eu dava 1.200 coroas por ano para trabalhar nos medicamentos que o Conde de St. Germain lhe ensinara, entre outros e principalmente seu chá, que os ricos compravam e os pobres recebiam gratuitamente.

... Após a morte desse médico, enojado com as conversas que ouvia por todos os lados, retirei todas as receitas e não substituí Lossau” (1).

Olhando para trás, para o registro de todos os poderes e habilidades possuídos por este grande homem, um ponto se destaca claramente: ou ele seguia algum plano definido, um plano desconhecido do mundo em geral, ou vagava de lugar em lugar sem objetivo, sem família, sem laços humanos — uma vida triste, verdadeiramente, para um mortal tão dotado, se assim fosse. Mas, como ele parecia sempre contente, embora soubesse mais do que aqueles com quem entrava em contato, sempre dando e nunca necessitando, sempre ajudando, mas nunca pedindo auxílio — certamente, com tal evidência

(1) Hesse, op. cit., p. 135.

SUAS VIAGENS E CONHECIMENTO

torna-se óbvio até para o cético mais crítico que algum poder, algum plano, deve ter guiado os passos e a vida do Conde de St. Germain.

diz:

“Às vezes ele caía em transe, e quando novamente recobrava os sentidos, dizia que havia passado o tempo, enquanto jazia inconsciente, em terras distantes; às vezes desaparecia por um tempo considerável, então subitamente reaparecia, e dava a entender que estivera em outro mundo, em comunicação com os mortos.”

Além disso, ele se orgulhava de ser capaz de domar abelhas e de fazer as serpentes ouvirem música” (1).

O autor parece não saber que os iogues comuns da Índia têm esse poder sobre as serpentes; e, sem dúvida, M. de St. Germain aprendeu seu conhecimento na Índia.

O poder, também, de comunicar-se com os mortos recebeu mais luz neste século XIX, graças

‘De fato, um dos escritores citados anteriormente

àqueles que seguem os passos de M. de

St. Germain e que auxiliam na mesma grande obra.

No entanto, embora o escritor acima citado seja cético nesses pontos, ele concede um tributo de mérito honesto ao nosso filósofo, que vale a pena notar, ao escrever:

(1) Sypestein J. van, Historische Herinneringen.


“ Seja como for, St. Germain era, em muitos aspectos, um homem notável, e onde quer que fosse pessoalmente conhecido, deixava uma impressão favorável e a lembrança de muitas boas e, às vezes, nobres ações.

Muitos pais de família pobres, muitas instituições de caridade foram por ele ajudados em segredo... nunca se soube de uma ação má ou desonrosa dele, e assim ele inspirava simpatia em toda parte, e não menos na Holanda.

”

Assim se destaca claramente o caráter daquele que alguns chamam de “mensageiro” da Hierarquia espiritual que guia a evolução do mundo; tal é o valor moral do homem a quem os críticos superficiais da terra chamam de “aventureiro”.

”

ny

CAPÍTULO III

O Perigo que se Aproxima.

Os seguintes extratos são traduzidos das raríssimas e valiosas Souvenirs de Marie-Antoinette, da Condessa d’Adhémar, que fora amiga íntima da Rainha e que morreu em 1822.

Não consegui encontrar um único exemplar desta obra rara (1) em nenhuma biblioteca da Inglaterra ou do continente a que tive acesso até agora.

Mas, felizmente, existe um exemplar em Odessa.

(1) Desde que isto foi escrito, consegui obter esta obra; e a atual Condessa d’Adhémar informou-me de que há documentos sobre o Conde de St. Germain nos papéis de sua família.

Madame H. P. Blavatsky visitava a família e permaneceu no Château d’Adhémar em 1884. Esta foi uma das numerosas famílias aristocráticas que foram arruinadas na Revolução.

A atual Condessa d’Adhémar é americana; os documentos estão na América.

Oakley = O Conde de St. Germain.


na biblioteca de Madame Fadéef, a tia e — amiga, de Madame H. P. Blavatsky, e isso — pode conferir-lhe um interesse adicional, na opinião de alguns de nossos leitores.

A um de nossos membros foi gentilmente permitido — fazer alguns extratos dos quatro volumes, e agradecimentos são devidos a Madame Fadéef por tão graciosamente emprestar a obra para esse fim.

— Madame d'Adhémar parece ter mantido um diário diário, segundo o costume da época, e ter — mais tarde escrito suas *Souvenirs* a partir desse diário, | ocasionalmente intercalando uma observação explicativa.

. Eles cobrem um longo período de tempo, variando de 1760 a 1821.

Um fato muito interessante quanto a datas ocorre em uma nota escrita pela mão da Condessa, fixada com um alfinete ao manuscrito original, e datada de 12 de maio de 1821. Ela faleceu em 1822. Ela se refere a uma profecia feita a ela por St. Germain por volta do ano de 1793, quando ele a advertiu da aproximação do triste destino da Rainha, e em resposta à sua pergunta sobre se ela o veria — novamente, ele respondeu: "Cinco vezes mais; não — deseje a sexta."

A Condessa escreve: "Vi M. de St. Germain novamente, e sempre para meu inexprimível espanto: no assassinato da Rainha; na chegada do 18 de Brumário; no dia seguinte à morte do Duque d'Enghien (1804); no mês de janeiro de 1813; e na véspera do assassinato do Duque de Berry (1820). Aguardo a sexta visita quando Deus quiser."

Essas datas são de interesse por causa da opinião geralmente aceita de que Germain morreu em 1784; alguns poucos escritores dizem que ele apenas se retirou do trabalho público.

Essas opiniões variadas serão tratadas mais tarde.

Diz Madame d'Adhémar (1):

«Já que minha pena está novamente escrevendo o nome do Conde de St. Germain, direi algo sobre ele.

Ele apareceu (essa é a palavra) na Corte da França muito antes de mim. Foi em 1743; o boato se espalhou de que um estranho enormemente rico, a julgar pela magnificência de suas joias, acabara de chegar a Versalhes.

De onde veio? Isso é o que ninguém jamais conseguiu saber.

Seu semblante, altivo, intelectual, agudo, impressionava à primeira vista.

Ele tinha uma figura flexível, graciosa, mãos delicadas, um pé pequeno, uma perna elegante que valorizava uma meia de seda bem ajustada.»

As calças justas, muito apertadas, sugeriam também uma rara perfeição de formas; seu sorriso mostrava os mais belos dentes do mundo, uma graciosa covinha adornava seu queixo, seus cabelos eram negros, seus olhos eram suaves e penetrantes.

(1) ApHémaAR, op. cit., vol.

I, p. 294.


Oh! que olhos! Em nenhum lugar vi seus iguais.

Ele aparentava ter cerca de quarenta a quarenta e cinco anos.

Ele foi encontrado novamente nos aposentos menores, onde tinha livre acesso, no início de 1768. Ele não viu Madame du Barry, mas esteve presente na catástrofe de Madame de Chateauroux.

«« Quando esta senhora morreu, o Rei, que conhecia o Conde há apenas um ano, tinha, no entanto, tanta confiança nele que lhe pediu um antídoto para a Duquesa moribunda.

O Conde recusou, dizendo: "É tarde demais." Ela continua: 'Neste mesmo período, uma aventura muito singular me aconteceu. Eu estava sozinha em Paris, tendo M. d'Adhémar partido para visitar alguns parentes de seu próprio nome que tinha em Languedoc.

Era um domingo às oito horas da manhã.

Estou acostumada a ouvir Missa ao meio-dia, de modo que tinha pouco tempo para minha toilette e para me preparar para sair.

Levantei-me apressadamente, então, e mal havia vestido meu roupão matinal quando Mdlle.

Rostande, minha criada de quarto principal, em quem também depositava total confiança, entrou para me dizer que um cavalheiro desejava falar comigo.

Fazer uma visita a uma mulher às oito horas era contra todas as regras aceitas.

"É meu procurador, meu advogado?" perguntei.

Pois sempre se tem um desses senhores em nosso encalço, por mais

O PERIGO QUE SE APROXIMA

poucos bens que se possua.

"É meu arquiteto, meu seleiro, ou um dos meus fazendeiros?"

A cada pergunta, uma resposta negativa.

"Mas quem é, então, minha querida?"

Eu tratava minha criada com familiaridade.

Ela nasceu no mesmo dia que eu, na mesma casa, a de meu pai, com a diferença de que vim ao mundo em um belo apartamento e ela na guarita do porteiro de nossa casa.

Seu pai, um digno homem de Languedoc, era um aposentado em nosso serviço.

"Pensei," respondeu minha criada, "com todo o respeito à Madame a Condessa, que o diabo há muito fizera um manto da pele desse personagem."

Passei em revista todos os meus conhecidos que poderiam ter merecido algum tratamento especial de Satanás, e encontrei tantos deles que não sabia em quem fixar minhas conjecturas.

"Já que Madame não adivinha," continuou Mdlle.

Rostand, "Tomarei a liberdade de dizer-lhe que é o Conde de Saint-Germain!"

"Conde de Saint-Germain!" exclamei, "o homem dos milagres."

"Ele mesmo."

Grande foi minha surpresa ao descobrir que ele estava em Paris e em minha casa.

Fazia oito anos desde que deixara a França, e ninguém sabia ao certo o que havia sido dele. Atendendo apenas à minha curiosidade, ordenei que o fizessem entrar.

"Ele lhe disse para anunciá-lo sob o próprio nome?"

"É M. de Saint-Noël que ele agora se intitula.

Não importa, eu o reconheceria entre mil."

Ela saiu, e um momento depois o Conde apareceu.

Parecia fresco e bem, e quase rejuvenescido. Fez-me o mesmo elogio, mas pode-se duvidar se era tão sincero quanto o meu.

"Perdestes", disse-lhe, "um amigo, um protetor no falecido Rei."

"Lamento duplamente essa perda, tanto por mim quanto pela França."

"A nação não é de vossa opinião; ela olha para o novo reinado em busca de seu bem-estar."

"É um engano; este reinado lhe será fatal."

"O que estais dizendo?" respondi, baixando a voz e olhando ao redor.

"A verdade... Uma conspiração gigantesca está se formando, que ainda não tem chefe visível, mas ele aparecerá em breve. O objetivo é nada menos que a derrubada do que existe, para reconstruí-lo sob um novo plano. Há má vontade para com a família real, o clero, a nobreza, a magistratura. Ainda há tempo, contudo, para desbaratar a trama; mais tarde, isso seria impossível."

"Onde vistes tudo isso? Foi em sonhos, ou acordado?"

"Em parte com o auxílio de meus dois ouvidos, e em parte por revelações. O Rei da França, repito, não tem tempo a perder."

"Deveis buscar uma audiência com o Conde de Maurepas e dar-lhe a conhecer vossos temores, pois ele pode tudo, estando inteiramente na confiança do Rei."

"Ele pode tudo, eu sei, exceto salvar a França; ou melhor, é ele quem apressará a ruína dela. Este homem vos desfará, Madame."

"Estais me dizendo o bastante para ser enviado à Bastilha pelo resto de vossos dias."

"Não falo assim exceto com amigos de quem estou certo."

"Contudo, vede M. de Maurepas; ele tem boas intenções, embora lhe falte habilidade."

"Ele rejeitaria as evidências; além disso, ele me detesta. Não conheceis a tola quadra que causou seu exílio?"

“Bela Marquesa, eles elogiam seus encantos,  
Adorável você é e muito franca;  
Mas tudo isso não impede  
Que suas flores sejam flores.”

---

O CONDE DE SAINT-GERMAIN

“A rima é imprecisa, Conde.”

“Oh! a Marquesa deu pouca atenção a isso; mas ela sabia que M. de Maurepas era o autor, e ele pretendia que eu tivesse tomado o manuscrito original dele para enviá-lo à altiva Sultana.

O exílio dele seguiu-se à publicação desses versos miseráveis, e desde então ele me incluiu em seus esquemas de vingança.

Ele nunca me perdoará. No entanto, Senhora Condessa, é isto que eu lhe proponho.

Fale de mim à Rainha, dos serviços que prestei ao governo nas missões que me foram confiadas nas diversas cortes da Europa.

Se Sua Majestade quiser me ouvir, eu lhe revelarei o que sei; então ela julgará se será bom para mim entrar na presença do Rei; sem a intervenção, contudo, de M. de Maurepas — essa é minha condição essencial.”

Ouvi atentamente M. de Saint-Germain e compreendi todos os perigos que recairiam novamente sobre minha cabeça se eu me intrometesse em tal assunto.

Por outro lado, eu sabia que o Conde era perfeitamente versado na política europeia e temia perder a oportunidade de servir ao Estado e ao Rei.

O Conde de Saint-Germain, adivinhando minha perplexidade, disse-me:

“Pense em minha proposta; estou em Paris incógnito; não fale de mim a ninguém; e se amanhã você vier me encontrar na igreja dos Jacobinos na Rua Saint-Honoré, aguardarei sua resposta lá às onze horas em ponto.”

“Prefiro vê-lo em minha própria casa.”

“De bom grado; amanhã, então, Senhora.”

Ele partiu.

Ponderei o dia todo sobre essa aparição, por assim dizer, e sobre as palavras ameaçadoras do Conde de Saint-Germain.

Como! estávamos na véspera da desorganização social; este reinado, que se iniciara sob tão felizes auspícios, preparava a tempestade! Após longa meditação sobre esse texto, decidi apresentar M. de Saint-Germain à Rainha, se ela consentisse. Ele foi pontual ao encontro e ficou encantado com a resolução que eu tomara.

Perguntei-lhe se ele iria se estabelecer em Paris; ele respondeu negativamente, pois seus planos não mais lhe permitiam viver na França.

“Um século se passará,” disse ele, “antes que eu reapareça lá.”

Eu caí na risada, e ele fez o mesmo.

Naquele mesmo dia fui a Versalhes; atravessei os pequenos aposentos e, encontrando ali a Senhora de Misery, roguei-lhe que fizesse saber à Rainha que eu desejava vê-la assim que ela pudesse me receber. A camareira-mor voltou com a ordem de me conduzir; entrei; a Rainha estava sentada diante de uma encantadora escrivaninha de porcelana, que o Rei lhe havia dado; ela escrevia e, voltando a cabeça, disse-me com um de seus sorrisos graciosos:

«O que quereis de mim?”

“Uma ninharia, Madame; aspiro apenas a salvar a monarquia.”

Sua Majestade olhou-me com espanto.

«Explicai-vos.” A essa ordem, mencionei o Conde de Saint-Germain; contei tudo o que sabia dele, de sua intimidade com o falecido Rei, com a Senhora de Pompadour, com o Duque de Choiseul; falei dos reais serviços que ele prestara ao Estado por sua habilidade diplomática; acrescentei que, desde a morte da Marquesa, ele desaparecera da Corte, e que ninguém sabia o lugar de seu retiro.

Quando eu havia aguçado suficientemente a curiosidade da Rainha, terminei repetindo-lhe o que o Conde me dissera no dia anterior e confirmara naquela manhã.

A Rainha pareceu refletir; então respondeu:

“É estranho; ontem recebi uma carta de meu misterioso correspondente; ele me advertiu de que uma comunicação importante me seria feita em breve, e que eu deveria tomá-la em séria consideração, sob pena dos maiores infortúnios. A coincidência dessas duas coisas é notável, a menos que, no entanto, elas venham da mesma fonte; que pensais disso?”

“Mal sei o que dizer. Eis que a Rainha vem recebendo essas misteriosas comunicações há vários anos, e o Conde de Saint-Germain reapareceu apenas ontem.”

“Talvez ele aja assim para melhor se ocultar.”

“É possível; no entanto, algo me diz que se deve dar crédito às suas palavras.”

“Afinal, não se lamenta vê-lo, ainda que seja de passagem. Autorizo-vos, então, a trazê-lo amanhã a Versalhes, disfarçado em vossa libré. Ele permanecerá em vossos aposentos, e assim que me for possível recebê-lo, mandarei chamar a ambos.”

Não o ouvirei senão em vossa presença; essa também é minha *sine qua non*.”

Inclinei-me profundamente, e a Rainha despediu-me com o sinal habitual.

Confesso, no entanto, que minha confiança no Conde de Saint-Germain diminuiu com a coincidência de sua chegada a Paris com o aviso recebido no dia anterior por Maria Antonieta.

Imaginei ver nisso um esquema regular de trapaça, e perguntei a mim mesmo se deveria falar-lhe sobre o assunto; mas, considerando tudo, resolvi permanecer em silêncio, certo de que ele estava preparado de antemão para responder a essa questão.


M. de Saint-Germain esperava-me do lado de fora.

Assim que o percebi, parei minha carruagem, ele entrou comigo, e voltamos juntos para minha casa.

Ele esteve presente em meu jantar, mas, segundo seu costume, não comeu; depois disso, propôs voltar a Versalhes.

Dormiria na estalagem, acrescentou, e reunir-se-ia a mim no dia seguinte.

Consenti nisso, ávido como estava em não negligenciar nada para o sucesso deste negócio.

“Estávamos, então, em minha morada, em aposentos que em Versalhes eram chamados de suíte de apartamentos, quando um dos pajens da Rainha veio pedir-me, em nome de Sua Majestade, o segundo volume do livro que ela me havia solicitado trazer de Paris.

Este era o sinal combinado.

Entreguei ao pajem um volume de algum romance novo, não sei qual, e assim que ele partiu, segui, acompanhado por meu lacaio.

Entramos pelos gabinetes; Madame de Misery conduziu-nos à sala privada onde a Rainha nos aguardava. Ela se levantou com afável dignidade.

“Monsieur le Comte,” disse-lhe ela, “Versalhes é um lugar que vos é familiar.”

O PERIGO QUE SE APROXIMA

“Madame, por quase vinte anos estive em relações íntimas com o falecido Rei; ele dignou-se a ouvir-me com bondade; fez uso de minhas pobres habilidades em várias ocasiões, e não creio que tenha se arrependido de ter-me concedido sua confiança.”

“Desejastes que Madame d’Adhémar vos trouxesse a mim; tenho grande afeição por ela e não duvido que o que tendes a me dizer mereça ser ouvido.”

“A Rainha,” respondeu o Conde em voz solene, “pesará com sua sabedoria o que estou prestes a confiar-lhe.

O partido enciclopedista deseja o poder; só o obterá pela queda absoluta do clero, e para assegurar esse resultado, eles derrubarão a monarquia.”

Este partido, que busca um chefe entre os membros da família real, voltou seus olhos para o Duque de Chartres; este príncipe se tornará o instrumento de homens que o sacrificarão quando ele deixar de lhes ser útil; a coroa da França lhe será oferecida, e ele encontrará o cadafalso em vez do trono.

Mas antes desse dia de retribuição, que crueldades! que crimes! As leis não serão mais a proteção dos bons e o terror dos maus.

Serão estes últimos que tomarão o poder com suas mãos manchadas de sangue; eles abolirão a religião católica, a nobreza, a magistratura.

”

2 O CONDE DE ST. GERMAIN

“De modo que nada além da realeza restará!” interrompeu a Rainha, impacientemente.

« Nem mesmo a realeza! ... mas uma república gananciosa, cujo cetro será o machado do carrasco.

A estas palavras não pude me conter, e tomando a liberdade de interromper o Conde na presença da Rainha:

“ Senhor!” exclamei, “o senhor pensa no que está dizendo, e diante de quem está falando?”

« Em verdade, » acrescentou Maria Antonieta, um pouco agitada, “estas são coisas que meus ouvidos não estão acostumados a ouvir.”

« E é na gravidade das circunstâncias que encontro esta ousadia, » respondeu friamente o Sr. de Saint-Germain.

“Não vim com a intenção de prestar à Rainha uma homenagem da qual ela deve estar cansada, mas sim de apontar-lhe os perigos que ameaçam sua coroa, se medidas prontas não forem tomadas para evitá-los.”

“O senhor é positivo, Senhor, disse Maria Antonieta, petulantemente.

“Estou profundamente pesaroso por desagradar Vossa Majestade, mas só posso falar a verdade.”

“Senhor, ” respondeu a Rainha, afetando um tom brincalhão, “as coisas prováveis podem às vezes não ser as prováveis.”

“Admito, Madame, que este é um caso em

O PERIGO QUE SE APROXIMA

questão; mas Vossa Majestade me permitirá, por minha vez, lembrar que Cassandra previu a ruína de Troia, e recusaram-se a acreditar nela. Eu sou Cassandra, a França é o reino de Príamo.

Alguns anos ainda se passarão numa calma enganosa; então, de todas as partes do reino surgirão homens ávidos por vingança, por poder e por dinheiro; eles derrubarão tudo em seu caminho.

A população sediciosa e alguns grandes membros do Estado lhes darão apoio; um espírito de delírio tomará posse dos cidadãos; a guerra civil irromperá com todos os seus horrores; ela trará em seu séquito assassinato, pilhagem, exílio.

Então será lamentado que não fui ouvido; talvez eu seja procurado novamente, mas o tempo terá passado... a tempestade terá varrido tudo diante de si."

"Confesso, Senhor, que este discurso me assombra cada vez mais, e não soubesse eu que o falecido Rei tinha afeição por vós, e que o servistes fielmente... Desejais falar com o Rei?"

"Sim, Senhora."

"Mas sem a concordância do Sr. de Maurepas?"

"Ele é meu inimigo; além disso, eu o classifico entre aqueles que contribuirão para a ruína do reino, não por malícia, mas por incapacidade."

"Vós sois um juiz severo de um homem que tem a aprovação da maioria." "Ele é mais que primeiro-ministro, Senhora, e por direito disso está certo de ter aduladores."


"Se o excluirdes de vossas relações com o Rei, temo que achareis difícil aproximar-vos de Sua Majestade, que não pode agir sem seu conselheiro-chefe."

"Estarei às ordens de Suas Majestades enquanto desejarem empregar-me; mas como não sou súdito deles, toda obediência de minha parte é um ato gratuito."

"Senhor," disse a Rainha, que nessa época não podia tratar de nenhum assunto seriamente por muito tempo, "onde nascestes?"

"Em Jerusalém, Senhora."

"E isso foi... quando?"

"A Rainha permitirá que eu tenha uma fraqueza comum a muitas pessoas. Nunca gosto de dizer minha idade; isso traz infortúnio."

"Quanto a mim, o Almanaque Real não permite nenhuma ilusão sobre a minha. Adeus, Senhor; o prazer do Rei vos será comunicado."

Isso foi uma despedida; retiramo-nos, e ao voltar para casa comigo, o Sr. de Saint-Germain disse-me:

"Eu também estou prestes a deixar-vos, Senhora, e por muito tempo, pois não pretendo permanecer mais de quatro dias na França."

"O que vos faz decidir partir tão rapidamente?"

O PERIGO QUE SE APROXIMA

"A Rainha repetirá ao Rei o que lhe disse, Luís XVI. o contará por sua vez ao Sr. de Maurepas, este Ministro redigirá um mandado (lettre de cachet) contra mim, e o chefe da polícia terá ordens de executá-lo. Sei como essas coisas são feitas, e não tenho desejo de ir para a Bastilha."

"O que isso vos importaria? Sairíeis pelo buraco da fechadura;"

"Prefiro não precisar recorrer a um milagre. Adeus, Senhora."

"Mas se o Rei vos convocar?"

"Voltarei."

“Como o senhor saberá disso?”

“Tenho os meios para tal: não se preocupe com isso.”

“Enquanto isso, serei comprometido.”

“De modo algum; adeus.”

Ele partiu, assim que tirou minha libré.

Fiquei extremamente perturbada.

Eu havia dito à Rainha que, para melhor poder cumprir seus desejos, não deixaria o castelo... Duas horas depois, Madame de Misery veio me procurar em nome de Sua Majestade. Não augurei nada de bom dessa pressa. Encontrei o Rei com Maria Antonieta. Ela me pareceu embaraçada; Luís XVI, ao contrário, aproximou-se de mim com franqueza e tomou minha mão, que beijou com infinita graça, pois tinha maneiras encantadoras quando queria.

“Madame d’Adhémar”, disse-me ele, “o que fez com seu feiticeiro?”

“O Conde de Saint-Germain, Sire? Ele partiu para Paris.”

“Ele alarmou seriamente a Rainha. Ele já havia falado anteriormente com a senhora da mesma maneira?”

“Não com tantos detalhes.”

“Não lhe guardo rancor por isso, nem a Rainha tampouco, pois suas intenções são boas; mas censuro o estrangeiro por ousar nos predizer reveses que os quatro cantos do globo não poderiam oferecer no curso de um século. Acima de tudo, ele erra ao se ocultar do Conde de Maurepas, que saberia deixar de lado suas inimizades pessoais se fosse necessário sacrificá-las aos interesses da monarquia. Falarei com ele sobre o assunto, e se ele me aconselhar a ver Saint-Germain, não recusarei fazê-lo. Atribui-se-lhe inteligência e habilidade; meu avô apreciava sua companhia; mas antes de conceder-lhe uma conferência, quis tranquilizá-la quanto às possíveis consequências do novo aparecimento desse misterioso personagem. Aconteça o que acontecer, a senhora estará isenta de culpa.”

Meus olhos se encheram de lágrimas diante dessa prova marcante da bondade de Suas Majestades, pois a Rainha falou comigo tão afetuosamente quanto o Rei.

Voltei mais calma, mas contrariada, no entanto, com o rumo que esse assunto tomara, e congratulei-me interiormente por M. de Saint-Germain ter previsto tudo.

Duas horas depois, eu ainda estava em meu quarto, absorta em meus próprios pensamentos, quando houve uma batida à porta de minha modesta morada. Ouvi uma comoção incomum e, quase imediatamente...

Imediatamente as duas portas de batente se abriram, e foi anunciado "Monsenhor o Conde de Maurepas".

Levantei-me para recebê-lo com mais vivacidade do que se fosse o Rei da França.

Ele avançou com um semblante sorridente.

"Perdoe-me, Madame", disse ele, "pela falta de cerimônia de minha visita; mas tenho algumas perguntas a fazer-lhe, e a polidez exigia que eu viesse procurá-la."

Os cortesãos dessa época demonstravam uma exquisi­ta polidez para com as mulheres, que não mais se encontrava em sua pureza após a tempestade que tudo derrubou.

Respondi, como era meu dever, a M. de Maurepas, e, terminados esses preâmbulos:

- Ora! continuou ele, nosso velho amigo o Conde de Saint-Germain voltou? ... Ele já está em suas velhas artimanhas e recomeçou suas prestidigitações.

Eu ia exclamar; mas, detendo-me com um gesto de súplica:

84. - O CONDE DE ST. GERMAIN

"Acredite-me", acrescentou ele, "conheço o velhaco melhor do que a senhora, Madame.

Uma única coisa me surpreende; os anos não me pouparam, e a Rainha declara que o Conde de Saint-Germain aparentava ser um homem de quarenta anos.

Seja como for, precisamos saber de onde ele obteve essas informações tão circunstanciadas, tão alarmantes... Ele não lhe deu seu endereço, aposto?"

"Não, Monsieur le Comte."

"Será descoberto; nossos cães de caça da polícia têm faro apurado... Além disso... o Rei agradece seu zelo.

Nada de grave acontecerá a Saint-Germain, exceto ser encerrado na Bastilha, onde será bem alimentado, bem aquecido, até que se digne a nos dizer onde conseguiu tantas coisas curiosas."

Nesse momento, nossa atenção foi desviada pelo ruído da porta do meu aposento se abrindo... Era o Conde de Saint-Germain que entrava! Um grito escapou-me, enquanto M. de Maurepas se levantava apressadamente, e devo dizer que seu semblante mudou um pouco.

O taumaturgo, aproximando-se dele, disse:

"M. le Comte de Maurepas, o Rei o convocou para dar-lhe bons conselhos, e vós só pensais em manter vossa própria autoridade. Ao vos opordes ao meu encontro com o monarca, estais perdendo a monarquia, pois tenho apenas um tempo limitado para dedicar à França, e, passado esse tempo, não serei visto aqui novamente até que três gerações consecutivas tenham descido ao túmulo."

Contei à Rainha tudo o que me foi permitido contar-lhe; minhas revelações ao Rei teriam sido mais completas; é lamentável que tenhas intervindo entre Sua Majestade e mim. Nada terei de que me reprovar quando a horrível anarquia devastar toda a França.

— Quanto a essas calamidades, não as verás, mas tê-las preparado será memória suficiente de ti... Não esperes homenagem da posteridade, Ministro frívolo e incapaz! Serás contado entre aqueles que causam a ruína dos impérios.

— M. de Saint-Germain, tendo assim falado sem tomar fôlego, voltou-se para a porta, fechou-a e desapareceu (1).

Todos os esforços para encontrar o Conde falharam!

CAPÍTULO V:

Profecias Trágicas

Os mais profundamente interessantes de todos os incidentes registrados neste diário de Madame d'Adhémar são aqueles que mostram como M. de St. Germain se esforçou para advertir a Família Real dos males que a ensombravam. Ele havia evidentemente velado pela infeliz jovem Rainha desde o momento de sua entrada na França.

Ele era o "conselheiro misterioso" de quem se faz menção frequente.

Foi ele quem se esforçou para fazer o Rei e a Rainha compreenderem que M. de Maurepas e seus outros conselheiros estavam arruinando seu reino. Amigo da Realeza, era contudo o mais acusado pelo Abade de ter conduzido a Revolução.

"O tempo prova tudo", e o tempo permitiu que o acusador afundasse em um bem merecido esquecimento, enquanto o acusado se destaca como verdadeiro amigo e verdadeiro profeta.

Que a voz da mulher morta dê seu próprio testemunho: "O futuro se escurecia; aproximávamo-nos da terrível catástrofe que estava prestes a nos atingir; contudo, desviando a cabeça, golpeados por uma fatal cegueira, corríamos de prazer em prazer.

Era como uma espécie de frenesi que nos empurrava alegremente para a nossa destruição.

Ai de mim! como se pode controlar uma tempestade quando não se a vê?

Enquanto isso, de tempos em tempos, algumas mentes perturbadas ou observadoras tentavam nos arrancar dessa fatal segurança.

Já disse que o Conde de Saint-Germain tentou abrir os olhos de Suas Majestades, fazendo-os perceber a aproximação do perigo; mas M. de Maurepas, não desejando que a salvação do país viesse de ninguém além de si mesmo, expulsou o taumaturgo, e ele não reapareceu mais (1).

A data em que esses eventos ocorriam era 1788; no entanto, o colapso final não culminou senão em 1793. Madame d'Adhémar está revisando os acontecimentos e nem sempre indica a data exata.

Os ataques contra o Rei e o Trono aumentavam em violência e

-(1) ADHEMAR, op. cit., IV, I.

para submergir a França.

O abismo estava a nossos

cegueira, corríamos de /ée a /éte, de —

de St. Germain tentara abrir os olhos — :

a

amargura ano após ano, devido à fatal cegueira já aludida por nossa escritora.

A frivolidade da Corte aumentava parz fassu com o ódio de seus inimigos.

A infeliz Rainha, de fato, fazia esforços para compreender o estado dos negócios, mas em vão.

Madame d'Adhémar

_ fornece alguns detalhes como se segue:

« Não posso deixar de copiar aqui, a fim de dar uma ideia desses tristes debates [na Assembleia Nacional], uma carta escrita por M. de Sallier, conselheiro parlamentar das Chambres de Requêtes, e dirigida a um de seus amigos, membro do parlamento de Toulouse. Esse relato foi divulgado e lido com avidez, muitas cópias circularam em Paris.

Antes que o original chegasse a Toulouse, já se falava dele no salão da Duquesa de Polignac.

"A Rainha, voltando-se para mim, perguntou-me se eu o havia lido e pediu-me que o obtivesse para ela.

Esse pedido causou-me verdadeiro embaraço;

por um lado, desejava obedecer a Sua Majestade e, ao mesmo tempo,

temia desagradar ao Ministro dominante; no entanto, minha afeição pela Rainha prevaleceu.

"Maria Antonieta leu o artigo em minha presença e, então, suspirando: 'Ah! Madame d'Adhémar', disse ela, 'como me são dolorosos todos esses ataques à autoridade do Rei! Caminhamos em terreno perigoso; começo

a crer que vosso Conde de St. Germain tinha razão.

Erramos em não o escutar, mas M. de Maurepas impôs-nos uma hábil e despótica ditadura. A que estamos chegando? (1).

«« . . . A Rainha mandou chamar-me, e apressei-me a atender à sua ordem sagrada.

Ela segurava uma carta em sua mão.

'Madame d'Adhémar', disse ela, 'eis aqui outra missiva de meu desconhecido.

Não ouvistes falar novamente do Conde de St. Germain?'

 «Não', respondi; 'não o vi, e nada me chegou dele.

'

« ¢ Desta vez', acrescentou a Rainha, 'o oráculo usou a linguagem que lhe convém; a epístola está em versos; pode ser má, mas não é muito animadora.'

Você o lerá em seus momentos de lazer, pois prometi uma audiência ao Abade de Balliviéres.

"Desejo que meus amigos possam viver em bons termos!"

««Especialmente», atrevi-me a acrescentar, «já que seus inimigos triunfam com suas desavenças.»

««O desconhecido diz o mesmo que você; mas quem está errado ou certo?»

««A Rainha pode satisfazer ambas as partes por meio dos dois primeiros Bispados vagos.»

(1) ApHEMAR, op. cit., iv, p. 63.


«— Você se engana; o Rei não dará a mitra episcopal nem ao Abade d'Erse nem ao Abade de Balliviéres. Os protetores desses senhores e nosso Abade acreditarão que a má vontade está do meu lado; você poderia, já que é comparado aos heróis de Ariosto (o discurso da Baronesa de Staël ocorrera à Rainha), desempenhar o papel de pacificador do bom Rei Sobrir; eis a Condessa Diana, fazei-a ouvir a razão.»

««Falarei com ela sobre a razão», disse eu, tentando rir para dissipar a melancolia da Rainha.»

««Diana é uma criança mimada», respondeu Sua Majestade, «no entanto, ela ama seus amigos.»

««Sim, Senhora, a ponto de se mostrar implacável com os inimigos deles! Obedecerei à Rainha.»

«Informaram Maria Antonieta de que o Abade de Balliviéres havia chegado conforme sua ordem. Passei para o pequeno gabinete, onde, tendo pedido a Madame Campan pena, tinta e papel, copiei a seguinte passagem, obscura então, mas que depois se tornou demasiado clara.

««Aproxima-se rapidamente o tempo em que a França imprudente,
Cercada de infortúnios que poderia ter poupado,
Recordará tal inferno como o que Dante pintou.

E. F. PY

««Este dia, ó Rainha! está próximo, não resta mais dúvida
Uma hidra vil e covarde, com seus enormes chifres —
Arrebatará o altar, o trono e a Têmis;
Em lugar do bom senso, loucura incrível
Reinará, e tudo será permitido aos perversos:
Sim! Cair veremos cetro, incensário, balanças,
Torres e brasões, até a bandeira branca:
Doravante tudo será fraude, assassinatos e violência,
Que encontraremos em vez do doce repouso.
Grandes rios de sangue correm em cada cidade;
Só ouço soluços, e vejo exilados!
Por todos os lados a discórdia civil ruge alto,
E soltando gritos por todos os lados a virtude foge,
Como da assembleia surgem votos de morte.
Grande Deus! quem pode responder aos juízes assassinos?
E sobre que frontes augustas vejo a espada descer!»

"monstros tratados como pares de heróis |”

Opressores, oprimidos, vencedores, vencidos...

A tempestade vos alcança a todos, por sua vez, neste naufrágio comum,

Que crimes, que males, que culpas apavorantes,

Ameaçam os súditos, como os potentados!

E mais de um usurpador triunfa no comando,

Mais de um coração desencaminhado é humilhado e se arrepende.

Por fim, fechando o abismo e nascido de um túmulo negro —

Ergue-se um jovem lírio, mais feliz e mais belo.

'

“Estes versos proféticos, escritos por uma pena que já conhecíamos, me surpreenderam. Esforcei-me para adivinhar seu significado; pois como poderia acreditar que era o seu sentido mais simples que eu deveria dar-lhes! Como imaginar, por exemplo, que era o Rei em Pequim que morreria de morte violenta, e como resultado de sentenças iníquas? Não podíamos, em 1788, ter tal clarividência; era uma impossibilidade.

« « Quando voltei à Rainha, e nenhuma pessoa indiscreta podia ouvir, ela disse:

« « O que você acha desses versos ameaçadores? ’

« « Eles são desanimadores! Mas não podem afetar Vossa Majestade. As pessoas dizem coisas incríveis, loucuras; se, no entanto, as palavras proféticas se revelarem verdadeiras, elas concernirão à nossa posteridade...”

« « Que o céu faça com que você fale a verdade, Madame d’Adhémar,’ respondeu a Rainha; ‘ no entanto, estas são experiências estranhas. Quem é essa personagem que se interessa por mim há tantos anos sem se dar a conhecer, sem buscar recompensa alguma, e que sempre me disse a verdade? Ele agora me avisa da derrubada de tudo o que existe, e se ele dá um lampejo de esperança, é tão distante que talvez eu não o alcance.’  “Esforcei-me para consolar a Rainha; acima de tudo, disse-lhe, ela deveria fazer com que seus amigos vivessem em bons termos uns com os outros, e não deixar que suas brigas particulares fossem conhecidas fora. Maria Antonieta respondeu-me com estas palavras memoráveis:

“ «Você imagina que eu possuo crédito ou poder em nosso Salão. Tive o infortúnio de ter amigos. A consequência é que todos tentam me governar, ou me usar para sua própria vantagem pessoal. Eu sou o centro de uma multidão de intrigas, que tenho dificuldade em evitar. Todos se queixam da minha ingratidão. Este não é o papel de uma Rainha da França. Há um verso muito belo que aplico a mim mesma, fazendo uma mudança na leitura: “Os reis são condenados à magnificência.” Eu diria com mais razão: “Os reis são condenados a se cansar em total solidão.”

«“Assim eu agiria se fosse recomeçar minha carreira” — (1).

Madame d’Adhémar não fornece datas muito precisas em seu diário, e é principalmente pelos episódios históricos, que conduziram ao colapso final, que podemos marcar a passagem do tempo.

Deixando de lado os eventos gerais, profundamente interessantes em si mesmos, mas que não dizem respeito ao Conde de St. Germain, chegamos à proscrição que foi decretada contra os monarquistas em 1789, e mais uma vez a infeliz Rainha recebeu um aviso de seu conselheiro desconhecido, cujo conselho, ai! caiu em ouvidos fracos demais para compreender.

(1) ADHEMAR, op. cit., iv, pp. 74—97. A data aqui mencionada é 1788.

Ao saber das medidas contra os Polignacs, Maria Antonieta enviou um aviso à Duquesa sobre sua queda iminente.

Madame d’Adhémar narra graficamente o ocorrido da seguinte forma: «Levantei-me e, demonstrando a dor que essa missão me causava, fui até Madame de Polignac.

Eu gostaria de tê-la encontrado a sós.

Encontrei lá o Duque, seu marido, sua cunhada, o Conde de Vaudreuil e o Sr. Abade de Balliviéres.

Ao ver meu olhar solene quando entrei, meus olhos inchados ainda úmidos das lágrimas que se haviam misturado com as da Rainha, eles sentiram que eu viera por um motivo triste; a Duquesa estendeu-me a mão.

«“O que tens a me dizer?” disse ela; “estou preparada para toda desgraça.”

“Não,” disse eu, “para aquilo que está prestes a desabar sobre ti. Ai! minha doce amiga, suporta-o com resignação e coragem”...

“Essas palavras morreram em meus lábios, e a Condessa, retomando a palavra, disse:

“Estás causando à minha irmã mil sofrimentos com tua reticência. Então, Madame, o que há?”

“A Rainha,” eu disse, “para evitar a proscrição que vos ameaça — a vós e aos vossos — deseja que vós vades por alguns meses a Viena.”

PROFECIAS TRÁGICAS

“A Rainha me expulsa, e vós vindes me dizer!” exclamou a Duquesa, levantando-se.

“Amiga injusta!” respondi, “deixai-me contar tudo o que resta a dizer.”

Então continuei e repeti palavra por palavra o que Maria Antonieta me encarregara de lhe dizer.

Houve mais gritos, mais lágrimas, mais desesperos; eu não sabia a quem ouvir; o Sr. de Vaudreuil não mostrou mais firmeza que os Polignacs.

«Ai de mim!» disse a Duquesa, «é meu dever obedecer; partirei certamente, já que a Rainha assim o quer; mas não me permitirá ela repetir verbalmente minha gratidão por suas inúmeras bondades?»

«Nunca», disse eu, «pensou ela em sua partida antes de tê-la consolado; vá então ao seu aposento, sua recepção lhe compensará deste aparente desfavor.»

A Duquesa suplicou-me que a acompanhasse, e consenti.

Meu coração estava partido com a triste entrevista entre essas amigas que se amavam tão ardentemente.

Foi uma torrente de queixas, lágrimas, suspiros; abraçaram-se tão estreitamente que não podiam se separar; era verdadeiramente lastimável de ver.

«Nesse momento, uma carta foi trazida à Rainha, selada curiosamente; ela a olhou de relance, estremeceu ao olhar para mim, e disse: ‘É do nosso desconhecido.’»

«Em verdade», disse eu, «pareceu-me estranho que ele tivesse permanecido quieto em tais circunstâncias; além disso, ele apenas me antecipou.»

Madame de Polignac, por sua expressão, parecia ansiosa por saber o que me era tão familiar.

Um sinal que fiz deu a entender isso à Rainha. Sua Majestade então prosseguiu dizendo:

«Desde o momento de minha chegada à França, e em cada acontecimento importante em que meus interesses estiveram envolvidos, um protetor misterioso revelou o que eu tinha a temer; contei-lhe algo disso, e hoje não duvido que ele esteja me aconselhando sobre o que fazer.»

«Aqui, Madame d'Adhémar», disse ela a mim, «leia esta carta; seus olhos estão menos cansados que os de Madame de Polignac e os meus.»

«Ai de mim! a Rainha referia-se às lágrimas que não cessava de derramar.

Peguei o papel e, tendo aberto o envelope, li o que se segue:

«Madame — Tenho sido uma Cassandra; minhas palavras caíram em seus ouvidos em vão, e você alcançou o período do qual a informei.

Não se trata mais de manobrar, mas

PROFECIAS TRÁGICAS

de enfrentar a tempestade com energia trovejante; para isso e para aumentar suas forças, você deve separar-se das pessoas que mais ama, a fim de remover todo pretexto dos rebeldes.

Além disso, essas pessoas correm risco de vida; todos os Polignac e seus amigos estão condenados à morte e são apontados aos assassinos que acabaram de matar os oficiais da Bastilha e o preboste dos mercadores.»

O Conde d’Artois perecerá; eles _ sede de seu sangue; que ele se acautele. Apresso-me a vos dizer isto, mais tarde comunicar-vos-ei mais a respeito.’

_ “ Ficamos no estupor que tal ameaça _ inevitavelmente causa, quando o Conde d’Artois foi _ anunciado.

Todos nos sobressaltamos, e ele próprio ficou _ estupefato.

Foi interrogado e, não podendo _ calar-se, contou-nos que o Duque de Liancourt acabava de lhe dizer, bem como ao Rei, _ que os homens da Revolução, a fim de _ consolidá-la, haviam decidido tirar-lhe a vida (a do Conde d’Artois), e _ a da Duquesa de Polignac, e a do Duque, e também as vidas dos Senhores de Vaudreuil, de Vermont, de Guiche, dos Duques de Broglie, de la Vauguyon, de Castries, do Barão de Breteuil, dos Senhores de Villedeuil, d’Ame-

OAKLEY - O Conde de St.- Germain.

-  Caius  sai vi specie wees

ym) court, dos Polastrons — em uma palavra, uma verdadeira proscrição... (1):


“ Ao voltar para casa, foi-me entregue uma nota, assim redigida:

“ Tudo está perdido, Condessa! Este sol é o último que se porá sobre a monarquia; amanhã ela não mais existirá, o caos prevalecerá, uma anarquia sem igual.

Vós sabeis tudo o que tentei fazer _ para dar aos acontecimentos um rumo diferente; fui desdenhado; agora é tarde demais.

“ ... Permanecei em retiro, eu _ velarei por vós; sede prudente, e sobrevivereis à tempestade que terá derrubado tudo.

Resisto ao desejo que tenho de vos ver; o que diríamos um ao outro? Vós me pediríeis o impossível; nada posso fazer pelo Rei, nada pela Rainha, nada pela Família Real, nada mesmo pelo Duque d’Orléans, que estará triunfante amanhã e que, a seu tempo, cruzará o Capitólio para ser lançado do alto da rocha Tarpeia.

Contudo, se muito desejardes encontrar um velho amigo, ide à missa das oito horas nos Récollets e entrai na segunda capela à direita.

«««Tenho a honra de ser... » » » CONDE DE ST. GERMAIN.’

(1) ADHEMAR, op. cit., IV, 189-193.

Ay Wace eg  

PROFECIAS TRÁGICAS _

“A esse nome, já adivinhado, um grito de surpresa escapou-me; ele ainda vivo, ele que se dizia ter morrido em 1784, e de quem não ouvia falar havia longos anos — ele havia subitamente reaparecido, e em que momento, que época! Por que viera à França? —

Então ele nunca terminaria com a vida? Pois eu conhecia algumas pessoas idosas que o tinham visto com a aparência de quarenta ou cinquenta anos de idade, e isso no início do século XVIII!

“Era uma hora da manhã quando li sua carta; a hora do encontro era cedo, então fui para a cama; dormi pouco, sonhos medonhos me atormentaram, e em sua grotesca monstruosidade, eu vislumbrava o futuro, sem, no entanto, compreendê-lo. Ao amanhecer, levantei-me exausto.

Eu havia ordenado a meu mordomo que me trouxesse um café bem forte, e tomei duas xícaras, o que me reanimou. Às sete e meia, chamei uma cadeirinha e, seguido por meu velho criado de confiança, dirigi-me aos Récollets.

“A igreja estava vazia; postei meu Laroche como sentinela e entrei na capela indicada; pouco depois, e quase antes de eu ter recolhido meus pensamentos na presença de Deus, eis que um homem se aproxima.

... Era ele em pessoa.

... Sim! com o mesmo semblante de

IOO O CONDE DE ST. GERMAIN

1760, enquanto o meu estava coberto de rugas e marcas de decrepitude.

... Fiquei impressionado com isso; ele sorriu para mim, avançou, tomou minha mão, beijou-a galantemente.

Eu estava tão perturbado que o deixei fazê-lo, apesar da santidade do lugar.

««Aí está você!’ eu disse.

‘De onde você veio?’

«“¢Venho da China e do Japão... .

“¢QOu melhor, do outro mundo!’

«“ Sim, de fato, quase isso! Ah! Senhora, lá embaixo (sublinho a expressão) nada é tão estranho quanto o que acontece aqui.

Como está disposta a monarquia de Luís XIV? Você, que não a viu, não pode fazer a comparação, mas

«««Peguei você, homem de ontem!’

«“«Quem não conhece a história desse grande reinado? E o Cardeal Richelieu, se renascesse, enlouqueceria.

O quê! não governar! — O que eu lhe disse, e à Rainha também? que o Sr. de Maurepas deixaria tudo se perder, porque comprometia tudo.

Eu era Cassandra, ou um profeta do mal, e agora como vocês estão?’

«“¢ Ah! Conde, sua sabedoria será inútil.’

«“ Senhora, quem semeia ventos colhe tempestades.

Jesus o disse no Evangelho, talvez não antes de mim, mas de qualquer forma suas palavras permanecem

>

PROFECIAS TRÁGICAS — IOI

escritas, e as pessoas só poderiam ter se beneficiado das minhas.

’

““«Novamente!’ eu disse, tentando sorrir, mas ele, sem responder à minha exclamação, disse:

«Eu o escrevi para você, não posso fazer nada, minhas mãos estão atadas por alguém mais forte do que eu.

Há períodos de tempo em que recuar é impossível, outros em que Ele pronunciou e o decreto será executado.

É para isso que estamos entrando’ (1).

“« Verá a Rainha?’

“«¢ Não, ela está condenada.’

«Condenada! A quê?’

“«À morte!’

Oh, desta vez não pude conter um grito, ergui-me do assento, minhas mãos repeliram o Conde, e com voz trêmula disse:

« «E você também! você! o quê, você também!’

“wt Sim } ——— Eu, como Cazotte.:’

REY Ot KNOW « o9 tons

«<« O que você nem sequer suspeita.

Volte ao Palácio, vá dizer à Rainha que se acautele, que este dia será fatal para ela; há uma conspiração, o assassinato é premeditado.’

«“¢Você me enche de horror, mas o Conde d’Estaing prometeu.’

(1) Os itálicos estão no original.

eat) canes

102 O CONDE DE ST. GERMAIN

« «Ele se assustará e se esconderá.’  «+ Mas o Sr. de Lafayette... .’

«Um balão inflado de vento! Mesmo agora estão decidindo o que fazer com ele, se será instrumento ou vítima; ao meio-dia tudo estará decidido.’

««« Senhor,’ eu disse, ‘ você poderia prestar grandes serviços aos nossos Soberanos se quisesse.’

ee E se: eu não puder-

Como? ’

“<« Sim; se eu não puder? Pensei que não seria ouvido. A hora do repouso passou, e os decretos da Providência devem ser cumpridos.

’

“¢Em palavras claras, o que eles querem?’

«“«A ruína completa dos Bourbons; eles os expulsarão de todos os tronos que ocupam, e em menos de um século eles retornarão à posição de simples particulares em seus diferentes ramos.

’

E a França 2?

« “Reino, República, Império, Governos mistos, atormentada, agitada, dilacerada; de tiranos astutos ela passará a outros que são ambiciosos sem mérito.

Ela será dividida, retalhada, recortada; e estes não são pleonasmos que eu uso, os tempos vindouros trarão a queda do Império; o orgulho dominará ou abolirá as distinções, não por virtude, mas por vaidade,

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_ PROFECIAS TRÁGICAS 103

e é por vaidade que voltarão a elas.

Os franceses, como crianças brincando com algemas e fundas, brincarão com títulos, honras, fitas; tudo será um brinquedo para eles, até mesmo o cinturão de ombro da Guarda Nacional; os gananciosos devorarão as finanças.

Uns cinquenta milhões formam agora um déficit, em nome do qual a Revolução é feita.’

Bem! Sob a ditadura dos filantropos, dos retóricos, dos belos faladores, a dívida do Estado excederá vários milhares de milhões!”

“«Você é um terrível profeta! Quando o verei novamente?’

“«Cinco vezes, mais; não deseje a sexta.’

“«Confesso que uma conversa tão solene, tão lúgubre, tão aterradora, inspirou-me pouco desejo de continuá-la. O Sr. de St. Germain oprimia meu coração como um pesadelo; é estranho como mudamos com a idade, como olhamos com indiferença, até mesmo com desgosto, para aqueles cuja presença outrora nos encantava. Encontrei-me nessa condição sob as circunstâncias presentes; além disso, o perigo imediato da Rainha me preocupava. Não insisti suficientemente com o Conde; talvez se eu o tivesse implorado, ele teria ido até ela; houve uma pausa, e então, retomando a conversa:

“«Não o deixe eu deter por mais tempo,’ disse ele; ‘já há agitação na cidade. Sou como Atália, quis ver e vi. Agora retomarei meu papel e o deixarei. Tenho uma viagem a fazer à Suécia; um grande crime está sendo tramado lá, vou tentar preveni-lo. Sua Majestade Gustavo III me interessa, ele vale mais do que sua fama.’

“«E ele está ameaçado?’

“«Sim; não mais se dirá “feliz como um rei”, e menos ainda como uma rainha.’

“«Adeus, então, Senhor; em verdade, desejo não o ter ouvido.’

“«Assim é sempre conosco, os verazes; os enganadores são bem-vindos, mas maldito seja quem diz o que há de acontecer! Adeus, Senhora: até logo!’

“Ele partiu; fiquei absorta em profunda meditação, sem saber se deveria informar a Rainha dessa visita ou não; decidi esperar até o fim da semana e guardar silêncio se ela estivesse repleta de infortúnios.

Levantei-me por fim e, quando encontrei Laroche novamente, perguntei-lhe se ele tinha visto o Conde de St. Germain ao sair.

“«O Ministro, Senhora?’

“«Não, ele está morto há muito tempo; o outro.’

“«Ah! o hábil prestidigitador?”

PROFECIAS TRÁGICAS

“«Não, Senhora; a Senhora Condessa o encontrou?’

“«Ele saiu agora mesmo, passou perto de você.’

“«Devo ter estado distraído, pois não o notei.’

“«É impossível, Laroche, você está brincando.’

“«Quanto piores são os tempos, mais respeitoso sou com a Senhora.’

“«Quê! Por esta porta—perto de você—ele passou?’

“«Não pretendo negar, mas ele não me chamou a atenção.’

«Então ele se tornara invisível! Estou perdido em assombro”’” (1).

Estas são as últimas palavras que a Condessa d’Adhémar escreve em relação ao Conde de St. Germain, ou àquele amigo que tão inutilmente tentara salvá-los da tempestade que então assolava todos os lados.

Uma nota importante, que já foi observada, pode, no entanto, ser aqui novamente citada apropriadamente.

É evidentemente da pena do biógrafo que obtemos este importante pequeno memorando, que é o seguinte:

“Nota escrita pela mão da Condessa,

(1) ADHÉMAR, op. cit., IV, 254-261.

“O CONDE DE ST. GERMAIN

fixada com um alfinete ao manuscrito original e datada de 12 de maio de 1821. Ela faleceu em 1822. ‘Vi M. de St. Germain novamente, e sempre para meu inexprimível espanto; no assassinato da Rainha, na chegada do 18 de Brumário, no dia seguinte à morte do Duque d’Enghien, no mês de janeiro de 1813, e na véspera do assassinato do Duque de Berri.

Aguardo a sexta visita quando Deus quiser.’ ”

_ Assim, uma voz vinda dos mortos contradiz as maliciosas diatribes feitas contra este mestre, e também refuta as infundadas afirmações sobre sua morte em 1784, feitas pelo Dr. Biester de Berlim, que já foram plenamente registradas.

Talvez as passagens mais interessantes

sejam aquelas que trazem as declarações do Conde de St. Germain a respeito do futuro da França.

Já se passaram cento e trinta anos desde que essas palavras foram proferidas, e podemos ver que elas foram precisamente corretas em cada detalhe.

Os Bourbons agora são apenas uma família privada.

A honra da França foi arruinada por aqueles que arrogaram a si posições de honra e confiança, nas quais seus caracteres morais não foram capazes de suportar a tensão: casos podem ser citados como exemplos que ilustram, com demasiada clareza, a verdade da triste previsão feita pelo Mensageiro Místico do século passado.

Ele poderia

CAPÍTULO V

Trabalho Político

A mais antiga indicação definitiva de qualquer trabalho político por parte do Conde de St. Germain vem da pena de Madame d’Adhémar (1).

Ao esboçar os retratos daqueles que eram recebidos na intimidade por Luís XV em Versalhes, ela diz: “‘O Rei também era muito apegado à Duquesa de Choiseul, nascida Crozat; sua simplicidade, sua franqueza, mais virtudes do que as necessárias para obter sucesso em Versalhes, haviam triunfado sobre o inconveniente de seu nascimento, e ela frequentemente estava presente nos jantares dos aposentos menores.

Um homem também havia gozado por muito tempo desse favor, o célebre e misterioso Conde de St. Germain, meu amigo que não foi devidamente conhecido, e a quem

(1) Souvenirs sur Marie Antoinette, i, p. 8.

OBRA POLÍTICA 109

dedicarei algumas páginas quando tiver de falar de Cagliostro.

A partir de 1749, o Rei o empregou em missões diplomáticas, e ele se desincumbiu delas com honra.

”

Essa passagem permaneceria incompreensível, a menos que lancemos um breve olhar sobre a história do período.

Sombria e tempestuosa é a cena em que entramos; difícil, de fato, é desembaraçar a teia intricada da política europeia que enredava as diversas nações.

A Áustria e a França haviam assinado em 1756 uma aliança ofensiva e defensiva, dirigida especialmente contra a Inglaterra e a Prússia; a Rússia estava com elas; durante a Guerra dos Sete Anos, o trono da Prússia vacilou mais de uma vez, até que os austríacos foram derrotados em Torgau em 1760. A Polônia, essa “Niobe das Nações”, observava as nuvens se acumularem lentamente em seu horizonte; dilacerada internamente por conflitos instigados pela Rússia, ela lutava em vão contra as Potências mais fortes; seu dia chegava lentamente ao fim.

A Inglaterra, em guerra na América e com a França, esforçando-se também para conquistar a Índia, era igualmente um centro de discórdia.

Toda a Europa estava em dissensão.

Nessa arena de combate, o Conde de St. Germain foi convidado a entrar pelo Rei da França, a fim de fazer aquela paz que seus Ministros — envolvidos em seus próprios planos — não podiam, ou não queriam, fazer.

Luís XV foi praticamente o originador de

110 O CONDE DE ST. GERMAIN

todo o sistema de diplomacia secreta, que no século XVIII parece destacar-se como uma nova partida no mundo diplomático-político.

O nó górdio que não podia ser desatado, Luís XV tentou cortar; por isso encontramos o Rei da França empregando agentes secretos, homens que podiam ser confiados com missões delicadas, homens predestinados a arcar com a culpa do fracasso, fadados a nunca serem coroados com a palma do sucesso.

Fora dos diversos Ministérios das Relações Exteriores, ou além do âmbito de seus arquivos secretos, é muito pouco sabido que o Conde de St. Germain teve qualquer missão diplomática.

Em muitas histórias e memórias não há menção a essa fase de sua vida.

Portanto, é necessário citar tais escritores quanto estiverem disponíveis para prestar seu testemunho sobre esse ponto.

Não menos importante entre estes está Voltaire, o cético, que em sua volumosa correspondência com Frederico da Prússia diz, em 15 de abril de 1758: «Vossos ministros têm, sem dúvida, melhor perspectiva em Bréda do que eu; M. le Duc de Choiseul, M. de Kaunitz e M. Pitt não me contam seu segredo.

Diz-se que ele é conhecido apenas por um M. de St. Germain, que.

ceou outrora em Trento com os Padres do Concílio, e que provavelmente terá a honra de ver Vossa Majestade no decorrer de cinquenta anos.

Ele é um

TRABALHO POLÍTICO

homem que nunca morre e que sabe tudo” (1).

A alusão “ceou em Trento” é uma referência à fofoca que se originou da personificação e deturpação de M. de St. Germain por Lord Gower, da qual já se fez menção.

O ponto importante nesta carta é que Voltaire se refere a uma conexão política de M. de St. Germain com os Primeiros-Ministros da Inglaterra, França e Áustria, como se ele estivesse no conselho íntimo desses líderes.

O Barão de Gleichen dá alguns detalhes em suas memórias, e como mais tarde se interessou profundamente pela obra mística do Conde de St. Germain, sua versão é de grande valor, pois oferece uma visão de algumas das complicações na França.

Ele escreve: “O Marechal (de Belle-Isle) estava incessantemente intrigando para obter um tratado de paz especial com a Prússia e para romper a aliança entre a França e a Áustria, sobre a qual repousava o crédito do Duque de Choiseul.

Luís XV e Madame de Pompadour desejavam esse tratado de paz especial.

. . . O Marechal redigiu as instruções; o Rei

(1) Voltaire, Oeuvres.

Lettre cxviii, ed. Beuchot, lviii, pp. 360.


as entregou ele mesmo, com uma cifra, a M. de St. Germain” (1).

Assim, pois, a missão é devidamente assinada e selada pelo próprio Rei, mas, como veremos, até a proteção real não pôde afastar a suspeita e a desconfiança que uma posição tão desagradável naturalmente acarretava, e quando M. de St. Germain chegou a Haia, entrou em conflito com M. d’Affry (2), o Embaixador credenciado da França.

Antes de entrar nos despachos diplomáticos, há algumas palavras do Sr. Barthold a serem notadas, dando um relato interessante desta missão diplomática; ele — após criticar um tanto severamente, e com boa razão, as declarações não confiáveis sobre nosso filósofo feitas pela Marquesa de Créqui e pela Marquesa de Anspach — prossegue: “Mas desta misteriosa missão do Adepto, como financista da coroa e Agente diplomático, à qual foi iniciado, não na mesa ministerial, mas no laboratório de Chambord, ela não faz menção.

Nem este ponto — tão essencial para a compreensão da maneira como os negócios eram conduzidos na França, tanto no Gabinete quanto no Estado, neste período — foi jamais muito comentado. Por essa época, encontramos St. Germain em Haia, evidentemente em uma missão privada, onde o Conde d’Affry era Embaixador francês, mas os dois não tinham relações entre si.

Voltaire, que geralmente é um bom repórter, atribui a aparição do Conde ao Tratado Secreto de Paz” (1). A data mencionada por este autor não é totalmente precisa, como veremos.

Que o Duque de Choiseul ficou profundamente irritado quando esta informação lhe chegou, é de se entender; seus esquemas favoritos estavam em perigo, suas intrigas contra a Inglaterra estavam prestes a fracassar; parece que M. d’Affry ‘reprovou amargamente M. de Choiseul por ter sacrificado um velho amigo de seu pai, e a dignidade de um Embaixador, à ambição de fazer um Tratado de Paz sob seus próprios olhos sem informá-lo disso, através de um obscuro estrangeiro.

M. de Choiseul imediatamente enviou de volta o correio, ordenando a M. d’Affry que fizesse uma exigência peremptória aos Estados-Gerais para entregar M. de St. Germain, e, feito isso, enviá-lo amarrado de pés e mãos à Bastilha.

No dia seguinte, M. de Choiseul apresentou no Conselho o despacho de M. d’Affry; em seguida, leu sua própria resposta; então, lançando os olhos com altivez sobre seus colegas, e fixando-os alternadamente no Rei e em M. de Belle-Isle, acrescentou: ‘Se não me dei tempo para receber as ordens do Rei, é porque estou convencido de que ninguém aqui seria ousado o suficiente para desejar negociar um Tratado de Paz sem o conhecimento do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Vossa Majestade!’ Ele sabia que este Príncipe havia estabelecido, e sempre mantido, o princípio de que o Ministro de um departamento não deveria se intrometer nos assuntos de outro.

Aconteceu como ele havia previsto. O Rei baixou os olhos como um culpado, o Marechal não ousou dizer uma palavra, e a ação de M. de Choiseul foi aprovada; mas M. de St. Germain escapou dele.

Suas Altezas, tendo dado seu consentimento, despacharam um grande corpo de guardas para prender M. de St. Germain, que, tendo sido avisado em particular, fugiu para a Inglaterra. Tenho algumas razões para acreditar que ele logo partiu novamente para ir a São Petersburgo” (1).

(1) GuErcHEeN (C. H. Baron de) Mémoires, xi, pp. 131, 132.

OBRAS POLÍTICAS ETS

Nenhum relato melhor poderia ser dado do que este, por alguém presente no Conselho de Gabinete francês, sobre a maneira como Luís XV, fraco e irresoluto, permitiu que seus arranjos fossem cancelados sem uma palavra.

Passando, no entanto, rapidamente para acompanhar os eventos em Haia, temos em seguida alguns despachos interessantes de M. de Kauderbach, Ministro da Corte Saxônica em Haia, nos quais ele relata muito do que já foi dado nestas páginas em louvor do Conde de St. Germain, de seus poderes e conhecimento, e então continua a dizer: “Tive uma longa conversa com ele sobre as causas dos problemas da França e sobre as mudanças na escolha de Ministro neste reino.

Isto, Monseigneur, é o que ele me disse sobre o assunto: ‘O mal radical é a falta de firmeza do monarca. Aqueles que o cercam, conhecendo sua extrema bondade, abusam dela, e ele está cercado apenas por criaturas colocadas pelos Irmãos Paris, (1) que sozinhos causam todos os problemas da França. São eles que corrompem tudo e frustraram os planos do melhor cidadão da França, o Marechal de Belle-Isle. Daí a desunião e o ciúme entre os Ministros, que parecem todos servir a um mon-

(1) Os Irmãos Paris-Duvernoy eram os grandes financistas, os monarcas bancários, no tempo de Luís XV.


arquivo.

Tudo está corrompido pelos Irmãos Paris; que pereça a França, contanto que eles atinjam seu objetivo de ganhar oitocentos milhões! Infelizmente, o Rei não tem tanta sagacidade quanto bondade; ele não percebe, portanto, a malícia das pessoas ao seu redor que, conhecendo sua falta de firmeza, ocupam-se unicamente em lisonjear sua fraqueza, e por meio dela são sempre preferencialmente ouvidas. O mesmo defeito quanto à firmeza encontra-se na amante.

Ela conhece o mal e não tem coragem de remediá-lo. É ele então, M. de St. Germain, quem se encarregará de curá-lo radicalmente; ele toma sobre si, por sua influência e operações na Holanda, derrubar os dois nomes tão prejudiciais ao Estado, que até agora foram considerados indispensavelmente necessários.

Ouvindo-o falar com tanta liberdade, deve-se considerá-lo ou como um homem seguro de seu terreno, ou então como o maior tolo do mundo.

Eu poderia entreter Vossa Excelência por muito mais tempo com este homem singular e com seu conhecimento de física, não fosse o temor de cansá-lo com relatos que devem parecer antes romanescos do que reais” (1).

O diplomata saxão, de cujos despachos estes extratos são colhidos, muito rapidamente mudou

(1) TAILLANDIER SAINT RENE, Un Prince Allemand du XVIIIe Siècle.

Revue des deux Mondes, ‘xi, pp. 896, 897.

OBRA POLÍTICA I

seu tom amigável, ao descobrir que o Duque de Choiseul não favorecia os planos de Luís XV; o diplomata respeitoso começou então a depreciar o homem a quem tão recentemente havia louvado como um prodígio; daí o próximo despacho ser divertidamente diferente em tom, e assim se segue:

“24 de abril de 1760. Acabo de ouvir que o correio que o Conde d'Affry recebeu na segunda-feira passada lhe trouxe uma ordem para exigir do Estado a prisão e extradição do famoso St. Germain como um personagem perigoso, e um com quem Sua Majestade Cristianíssima tem razão de estar descontente.

M. d'Affry, tendo comunicado esta ordem ao Pensionário, este Ministro de Estado a reportou ao Conselho de Comissários Adjuntos da província da Holanda, uma assembleia da qual o Conde de Bentinck é Presidente.

Este último avisou o homem, e o fez partir para a Inglaterra.

No dia anterior à sua partida, St. Germain esteve quatro horas com o Ministro Inglês.

Ele se gabava de estar autorizado a fazer a paz.”

Mais tarde, em outro despacho, este diplomata cauteloso retorna mais uma vez ao ataque.

“O aventureiro assumiu aqui os ares de um negociador secreto, escolhido pelo Marechal de Belle-Isle, de quem mostrava cartas nas quais havia, de fato, alguns traços de confiança.

Ele queria dar a entender que os princípios do Marechal, diferindo dos de M. de Choiseul, e mais em conformidade com a inclinação de Mme.

de Pompadour, eram calorosamente favoráveis à paz; ele escureceu o quadro, pintando com as cores mais fortes as cabalas, as dificuldades e a dissensão que declarava reinarem na França, e por essas lisonjas pensava conquistar a confiança do partido inglês.

Por outro lado, ele havia escrito ao Marechal de Belle-Isle que M. d’Affry não sabia apreciar ou executar os planos do Comte de Bentinck-Rhoon, que era um homem das melhores intenções do mundo, e desejava apenas tornar-se útil à França a fim de promover o sucesso de suas negociações com a Inglaterra.

Essas cartas foram devolvidas a M. d’Affry, com a ordem de proibir St. Germain de se intrometer em quaisquer transações, sob pena de expiar sua temeridade pelo resto de seus dias em um calabouço ao retornar à França” (1).  Verdadeiramente ridícula é a diferença no tom desses documentos; M. de St. Germain estava se esforçando para realizar os desejos do Rei, e tentando ajudar um país exausto; esses esforços pela paz foram frustrados por de Choiseul, que tinha seus próprios esquemas para promover

(1) TAILLANDIER, op. cit., p. 897.

TRABALHO POLÍTICO III

- com a Áustria.

Nada mais natural poderia ter ocorrido do que o novo auxiliar ser atacado pelo partido oposto.

É evidente, a partir do documento citado, que M.

— de St. Germain estava na confiança do Marechal de Belle-Isle — que também queria a paz — pois o Embaixador Saxão usa a frase “alguns traços de confiança”, ao falar da correspondência que vira e da evidência de confiança que fora forçado a admitir.

Desta distância de tempo, podemos ver que o quadro da França esboçado por M. de St. Germain não era de modo algum sombrio demais; França empobrecida, precipitando-se descontroladamente para uma ruína maior, cujo fim seria uma cena de sangue e carnificina.

Aquele que tinha o poder de ver os dias malignos que se aproximavam tão constantemente, poderia ele pintar esse quadro demasiado sombrio, ao esforçar-se para deter a ruína da bela França?

Mas precisamos retomar outros fios deste novelo emaranhado.

O Rei da Prússia estava, nesse período, em Freyberg, e seu próprio agente, o Sr. d’Edelsheim, acabara de chegar a Londres para conferenciar com os Ministros ingleses; o seguinte relato é dado mais tarde por Frederico II sobre a condição dos assuntos: “Ao chegar àquela cidade (Londres), outro fenômeno político ali apareceu, um homem que ninguém foi capaz de compreender.

Ele era conhecido pelo nome de

”

- o Conde de St. Germain.


Ele havia sido em-

pregado pela França, e estava tão alto no

favor de Luís XV, que este Príncipe havia © pensado em dar-lhe o Palácio de Chambord” (Do inverno de 1759 a 1760) (1).

A missão do Sr. d’Edelshéim não é claramente declarada, mas descobrimos que não apenas o Sr. de St. Germain teve de deixar Londres, fracassando em promover a paz tão ardentemente desejada, mas que o agente prussiano saiu-se ainda pior; os detalhes são dados pelo Sr. Barthold (2): “O negociador prussiano.... retornando de Londres via Holanda para buscar sua bagagem em Paris, foi induzido a permanecer alguns dias com o Bailly de Frouloy, e então, recebendo uma Lettre de Cachet, foi posto na Bastilha.

Choiseul assegurou ao prisioneiro que era somente por esses meios que ele poderia silenciar as suspeitas do Ministro Imperial, Stahremberg, mas essa ‘scène indécente’ era simplesmente uma armadilha para apoderar-se dos papéis do Barão.

Choiseul, no entanto, nada encontrou e disse-lhe para partir, aconselhando-o, ao deixar Turim, a não reentrar no reino.

Frederico cuida de não censurar seu agente, que

(1) Frederico II, Rei da Prússia, Obras Póstumas.

Berlim. 1788; ii, p. 73.  
(2) BARTHOLD, op. cit., pp. 93, 94.

“AX STMO'T JO UOTSSIUIIG AQ BGLT Ul PgAl] MILUMIE) FS YP PPHIYUY) AUF IAIYM  ‘proquivyD JO a]}seD [eAOY ay} JO apis uJ IYyNOS oY L

- TRABALHO POLÍTICO

por excesso de zelo havia atraído descrédito sobre si —

em Paris; por outro lado, pode-se concluir _

que foi ele quem, através de um artigo no ~  ~ London Chronicle, conseguiu frustrar o projeto de St. Germain.”

Neste extraordinário labirinto de negociações secretas é difícil encontrar a verdade, pois na obra citada ouvimos que St. Germain foi visto no Bois de Boulogne em maio de 1761. Quando a Marquesa d’Urfé informou o Duque de Choiseul de sua presença em Paris, o Primeiro-Ministro respondeu: “Je n’en suis pas surpris, puisqu’il a passé la nuit dans mon cabinet” (1). Este informante prossegue: “Casanova está, portanto, convencido de que de Choiseul apenas fingira estar aborrecido com o Sr. de St. Germain, a fim de facilitar seu envio a Londres como agente; Lord Halifax, no entanto, percebeu o plano.”

Este seria, de fato, um método para desatar o emaranhado político da França! — uma intriga de caráter pronunciado, arranjada pelo Rei, aparentemente sem o conhecimento de seu principal Ministro, para se chegar a uma paz pela qual todo o país ansiava.

Nesta difícil situação, o Marechal de Belle-Isle selecionou o Conde de St. Germain como mensageiro da paz.

(1) BARTHOLD, Op. cit., p. 94.

122 O CONDE DE ST. GERMAIN

Infelizmente! missões de paz raramente resultam em algo além de desconforto e calúnia para o portador da mensagem, e a história do mundo registrou mais um fracasso, um fracasso causado pelas ambições dos líderes políticos.

Deixando agora a situação dos assuntos na França e passando para a Inglaterra, encontramos uma correspondência muito interessante entre o General Yorke, o representante inglês em Haia, e Lord Holdernesse, em Londres.

Com permissão especial do Foreign Office, fomos gentilmente autorizados a fazer uso destes extratos.

A correspondência completa é longa demais para ser impressa no espaço limitado permitido nestas páginas.

O primeiro despacho é do General Yorke ao Conde de Holdernesse: datado de 12 de março de 1760, e dá o relato completo de uma longa entrevista entre o Conde de St. Germain e ele próprio.

O primeiro afirma, diz ele, ter sido enviado pela França para negociar acerca da Paz, mas diz que Mons. d’Affry não está a par do segredo.

A resposta a este documento vem de “Whitehall, 21 de março de 1760”, e é de Lord Holdernesse ao General Yorke; nela, ele instrui este último “a dizer a M. de St. Germain que, por ordens do Rei, ele não pode discutir o assunto com ele, a menos que produza alguma prova autêntica de que está empregado com a

TRABALHO POLÍTICO

consentimento e conhecimento do Rei da França.” No próximo despacho, datado de Whitehall, 28 de março de 1760, “o Rei determina que a mesma resposta seja dada ao Sr. d’Affry como já foi dada ao Sr. de St. Germain. O Rei considera provável que o Sr. de St. Germain tenha sido autorizado a falar com o General Yorke da maneira como o fez, e que sua comissão é desconhecida do Duque de Choiseul.”’

A perspicácia de George III neste caso é notável, a menos que em sua correspondência privada com Luís XV alguma dica sobre a real condição das coisas possa ter sido dada por um rei ao outro.

Em qualquer caso, o fato permanece: devido ao Sr. de Choiseul, o Tratado de Paz não foi arranjado; e, como vimos, o Sr. de St. Germain passou da Inglaterra para a Rússia.

Voltando agora a algumas outras testemunhas, encontramos o Sr. Thiébault em suas memórias dizendo: “Enquanto este homem singular estava em Berlim, ousei um dia falar dele ao enviado francês, o Marquês de Pons Saint-Maurice; expressei-lhe em particular minha grande surpresa de que este homem tivesse mantido relações privadas e íntimas com pessoas de alta posição, como o Cardeal de Bernis, de quem ele possuía, dizia-se, cartas confidenciais, escritas na época em que o Cardeal ocupava a pasta de Negócios Estrangeiros, etc.; sobre este último ponto, o enviado

F224 O CONDE DE ST. GERMAIN

não me respondeu” (1). Esta passagem implica outras missões diplomáticas, das quais não se encontram detalhes.

Outro escritor, que também foi citado, faz uma declaração importante no sentido de que, quando o Sr. de St. Germain estava em Leipzig, o Conde Marcolini ofereceu-lhe uma alta posição pública em Dresden.

Nosso filósofo estava em Leipzig em 1776, sob o nome de Cavaleiro Weldon, e não ocultava de forma alguma o fato de ser um Príncipe Ragotzy.

Este informante diz: “O Lorde Camareiro-Mor, Conde Marcolini, veio de Dresden a Leipzig e fez ao Conde — em nome da Corte — certas promessas; o Sr. de St. Germain recusou-as, mas ele veio em 1777 a Dresden, onde teve muito contato com o Embaixador Prussiano, von Alvensleben” (2). Esta declaração pode ser corroborada pelo escritor da vida do Conde Marcolini, que foi cuidadosamente compilada a partir dos arquivos secretos da Corte Saxônica (com permissão especial) pelo Barão O’Byrn.

O Conde Marcolini era um homem renomado por sua integridade e caráter reto; seu biógrafo

(1) THIMBAULT D., op. cit., iv, p. 84; 3ª ed. (2) HEZECHIEL G., Abenteuerliche Gesellen, i, p. 46, Berlim, 1862.

ioe ee = aa. 4 TRABALHO POLÍTICO

_ pher diz: “Considerando a forte oposição demonstrada pelo Conde Marcolini à trapaça no caso Schrépfer, a simpatia que ele estendeu ao Conde de St. Germain por ocasião de sua chegada à Saxônia é ainda mais notável... O Conde Marcolini dirigiu-se a Leipzig com a intenção de entrevistar St. Germain ao saber de sua chegada sob o nome de Welldoun, outubro de 1776... o encontro resultou na oferta, por parte do Conde, de um importante posto em Dresden a St. Germain, caso ele prestasse um grande serviço ao Estado; o ‘Homem Maravilhoso’, no entanto, recusou essas ofertas” (1).

Em nenhum lugar se encontram os detalhes de qualquer uma dessas missões diplomáticas; só podemos reunir os fragmentos e, juntando-os, o fato fica claramente comprovado: de corte em corte, entre reis, príncipes e embaixadores, o Conde de St. Germain era recebido e conhecido, era confiado como amigo e por ninguém temido como inimigo.

(x1) O’Byrn F. A., Camillo, Graf Marcolini, Eine Biographische Skizze. Dresden, 1877.

CAPÍTULO V

Nos “Mitchell Papers”

A correspondência diplomática que constitui quase todo este documento é praticamente um apêndice ao capítulo anterior.

Os detalhes fornecidos são elos interessantes e importantes nessa cadeia de eventos que trouxe M. de St. Germain à Inglaterra.

O acaso, a boa fortuna ou algum poder benéfico deram a pista para esses registros ocultos.

Os “Mitchell Papers”, nos quais essas cartas interessantes estiveram por tanto tempo ocultas, nunca foram inteiramente publicados.

Parece que George III solicitou que esses documentos não fossem tornados públicos durante sua vida, e eles foram, portanto, confiados aos cuidados pessoais do Sr. Planta, Guardião do Museu Britânico.

Essa correspondência foi comprada pelos Curadores do Museu de Sir William Forbes, herdeiro de Sir Andrew Mitchell, que havia sido Enviado em Berlim durante o tempo em que todos esses eventos ocorreram.

Uma certa porção do registro de sua carreira diplomática foi publicada pelo Sr. Bisset em 1850; no entanto, nenhuma menção foi feita a M. de St. Germain, e as cartas que tratavam dele passaram despercebidas.

Parece, curiosamente, ter havido uma "conspiração do silêncio" entre os diplomatas e escritores desse período e posteriores, pois é uma experiência recorrente encontrar toda referência ao nosso filósofo cuidadosamente excluída, mesmo nos casos em que as fontes originais contêm muitas informações sobre ele.

Um exemplo notável dessa omissão é encontrado ao se pesquisar as diferentes edições de obras em que M. de St. Germain é mencionado; as edições posteriores geralmente excluem as informações fornecidas nas anteriores.

Notavelmente, isso pode ser visto em uma obra (1) já referida, do Dr. Karl von Weber, Guardião dos Arquivos Saxões em Dresden.

Na primeira edição desta obra há um longo artigo sobre M. de St. Germain, que não se encontra nas edições posteriores desses

(1) Weber (Dr. Karl von), *Aus vier Jahrhunderten: Mittheilungen aus dem Haupt Staats Archive zu Dresden*, Leipzig, 1857.


volumes.

Exemplos dessa omissão constante poderiam ser facilmente multiplicados sempre que possível.

Agora, os registros do Ministério das Relações Exteriores contêm uma volumosa correspondência, que, com permissão, está sendo gradualmente reunida; esta inclui as cartas do Príncipe Galitzin, que era, na época, Ministro Russo na Inglaterra.

Toda a correspondência é marcada como "secreta" e só pode ser vista quando autorizada.

Os registros do Museu Britânico não têm tais restrições; portanto, os documentos que compõem este artigo foram copiados sem demora.

A primeira carta parece mostrar que Lord Holdernesse já conhecia M. de St. Germain, mas nenhum fato foi até agora encontrado sobre esse ponto.

A linguagem é peculiar e o estilo um tanto pesado, mas o conteúdo apresenta uma página da história que bem merece nosso estudo.

Deve-se lembrar que a missão empreendida pelo Conde de St. Germain era secreta, e que ele teve de disfarçar até que ponto estava na confiança de Luís XV; com esse ponto em mente, será mais fácil compreender as dificuldades em que se envolveu.

Voltando agora aos documentos, descobrimos que a primeira carta é do General Yorke.

NOS "PAPÉIS MITCHELL"

PAPÉIS MITCHELL, VOL.

XV. CORRESPONDÊNCIA DE LORD HOLDERNESSE, ETC.

1760; 6818, FOL.

P. ..,) Ccxvit._ 12: (2).

Cópia da carta do General Yorke ao Conde de Holdernesse; Haia, 14 de março de 1760. Na correspondência de Lord Holdernesse de 21 de [março], 1760. Secreta.

"Haia, 14 de março de 1760.

Meu Senhor,

“Minha situação atual é tão delicada que percebo que preciso da máxima indulgência, a qual espero continuar a encontrar na bondade ilimitada de Sua Majestade, e que Vossa Senhoria esteja convencido de que tudo o que eu digo ou faço não tem outro motivo senão a vantagem do serviço do Rei.

Como aprouve a Sua Majestade transmitir à França Seus sentimentos em geral sobre a situação dos assuntos na Europa, e expressar por meu intermédio Seus desejos de restaurar a tranquilidade pública, suponho que a Corte de Versalhes imagine que o mesmo canal possa ser o adequado para se dirigir à da Inglaterra.

Esta é, pelo menos, a maneira mais natural de explicar o empenho da França em empregar alguém para falar comigo.

“Vossa Senhoria conhece a história daquele homem extraordinário, conhecido pelo nome de Conde de St. Germain, que residiu algum tempo na Inglaterra

OAKLEY — O Conde de St. Germain onde nada fez; e dentro destes dois ou três anos residiu na França, onde esteve na mais íntima familiaridade com o Rei francês, Madame Pompadour, M. de Belleisle, etc.; o que lhe proporcionou a concessão do Castelo Real de Chambord, (1) e lhe permitiu fazer certa figura naquele país.


“Ele apareceu, por alguns dias, em Amsterdã, onde foi muito acariciado e comentado, e por ocasião do casamento da Princesa Carolina chegou a Haia.

A mesma curiosidade criou a mesma atenção para com ele aqui.

Sua volubilidade de língua lhe forneceu ouvintes; sua liberdade sobre todos os assuntos, todo tipo de suposições — entre as quais a de ter sido enviado para tratar da Paz — não sendo a última.

“M. d’Affry o trata com respeito e atenção, mas é muito ciumento dele e nem sequer renovou meu conhecimento com ele.

Ele, no entanto, chamou à minha porta.

Retribuí sua visita; e ontem ele desejou falar comigo à tarde, mas não veio como havia marcado, e portanto renovou sua solicitação esta manhã e foi admitido.

Começou imediatamente a discorrer sobre o mau estado da França — sua necessidade de Paz — seu desejo de

(1) Um Apartamento no Castelo: ver Apêndice I.

NOS “MITCHELL PAPERS” 13t

fazê-la, e sua própria ambição particular de contribuir para um evento tão desejável para a humanidade em geral; discorreu sobre sua predileção pela Inglaterra e pela Prússia, que ele pretendia que, no presente, o tornava um bom amigo da França.

«— Como eu conhecia muito daquele homem e não escolhia entrar em conversa sem estar melhor informado, afetei a princípio ser muito grave e seco — disse-lhe que aqueles assuntos eram delicados demais para serem tratados entre pessoas que não tinham vocação e, portanto, desejava saber o que ele queria.

Suponho que esse estilo lhe foi desagradável, pois imediatamente depois ele me apresentou, a título de credenciais, duas cartas do Marechal Belleisle, uma datada de 4 e a outra de 26 de fevereiro.

Na primeira, ele lhe envia o passaporte do Rei da França em branco para que ele o preencha; na segunda, expressa grande impaciência em receber notícias dele, e em ambas exalta seu zelo, sua habilidade e as esperanças que se fundam naquilo que ele foi empreender.

Não tenho dúvida da autenticidade dessas cartas.

« Após lê-las, e após alguns cumprimentos banais, pedi-lhe que se explicasse, o que ele fez da seguinte maneira: — o Rei, o Delfim, Madame Pompadour e toda a Corte e a Nação, exceto o Duque Choiseul e o Sr. Ber-xier, desejam paz com a Inglaterra.

Eles não podem fazer de outro modo, pois seu interior o exige. Eles querem saber os verdadeiros sentimentos da Inglaterra, desejam resolver as questões com alguma honra.


M. d’Affry não está no segredo, e o Duque Choiseul é tão austríaco que não conta tudo o que recebe; mas isso não importa, pois ele será demitido.

Madame Pompadour não é austríaca, mas não é firme, porque não sabe em que confiar; se ela tiver certeza da Paz, tornar-se-á. São ela e o Marechal Belleisle, com o conhecimento do Rei da França, que enviam St. Germain como batedor.

Não se conta com a Espanha; isso é uma manobra dada pelo Duque Choiseul, e não se pretende esperar muito bem desse lado.

Isso, e muito mais, foi avançado por esse Aventureiro político.

Senti-me em grande dúvida se deveria entrar em conversa; mas como estou convencido de que ele é realmente enviado, como

diz, pensei que não seria desaprovado se

eu falasse em termos gerais.

Disse-lhe, portanto, que o desejo do Rei pela Paz era sincero, e não poderia haver dúvida disso, pois havíamos feito a proposta no meio do nosso sucesso, que desde então aumentara muito; que com nossos Aliados o assunto era fácil, sem eles impossível; e que a França conhecia nossa situação bem demais para precisar de tais informações de mim;

que, quanto aos detalhes, devemos estar convencidos de

NOS “PAPÉIS DE MITCHELL”

seu desejo, antes que pudessem ser tocados, e que, além disso, eu não estava informado; falei da dependência da França em relação às duas Imperatrizes, e da perspectiva desagradável diante delas, mesmo que o Rei da Prússia fosse infeliz, mas recusei ir além da mais geral, embora mais positiva, garantia de um desejo de Paz por parte de Sua Majestade.

“À medida que a conversa se tornava mais animada, perguntei-lhe o que a França mais sentira em suas perdas, se era o Canadá? Não, disse ele, pois sentiam que lhes custara trinta e seis milhões, e não lhes trouxera retorno.

Guadalupe? Eles nunca parariam a Paz por causa disso, pois teriam açúcar suficiente sem ela. As Índias Orientais? Ele disse que era o mesmo lugar, pois estava ligado a todos os seus negócios de dinheiro.

Perguntei-lhe o que diziam sobre Dunquerque? Ele não fez dificuldade em demolí-la, e que eu poderia contar com isso. Então ele me perguntou o que pensávamos sobre Minorca? Respondi que a tínhamos esquecido, pelo menos, ninguém nunca a mencionava; isso, disse ele, eu lhes disse repetidas vezes, e eles estão embaraçados com a despesa.

“Esta é a parte material do que se passou no curso de três horas de conversa que prometi relatar; ele implorou que o segredo pudesse

“O CONDE DE ST. GERMAIN

ser guardado, e que ele iria a Amsterdã, e a Roterdã, até saber se eu tinha alguma resposta; o que eu nem encorajei, nem desencorajei que ele esperasse.

“Humildemente espero que Sua Majestade não desaprove o que fiz; não é fácil conduzir-se sob tais circunstâncias, embora eu possa tão facilmente romper todo o intercâmbio quanto o iniciei.

“O Rei parecia desejoso de abrir a porta para a Paz, e a França parece estar em grande necessidade dela; a oportunidade parece favorável, e aguardarei ordens antes de dar mais um passo.

Um Congresso Geral não parece ser do seu gosto, e parecem dispostos a ir mais longe do que se importam em dizer, mas ficariam contentes com alguma oferta; e S. M. C. M., e a Senhora, são um pouco indolentes em tomar uma resolução.

“Tenho, etc.

DE ORKEE A

É claro que o Enviado Inglês se viu em uma posição difícil; as credenciais do Conde de St. Germain eram suficientemente boas para garantir uma audiência, mas ele não era um Ministro acreditado.

George II parece ter compreendido a complicação até certo ponto, como se depreende da resposta enviada por ordem sua, por Lord Holdernesse, que diz o seguinte:

Cópia da carta do Conde de Holdernesse ao Major-General Yorke.

Secreta.

"Whitehall, 21 de março de 1760.

"Tenho o prazer de informar-vos que Sua Majestade aprova inteiramente vossa conduta na conversa que tivestes com o Conde de St. Germain, da qual dais conta em vossa carta secreta do dia 14.

"O Rei aplaude particularmente vossa cautela em não entrar em conversação com ele, até que ele apresentasse duas cartas do Marechal Belleisle, que observastes com razão serem uma espécie de credencial; como lhe falastes apenas em termos gerais, e de maneira conforme às vossas instruções anteriores, nenhum prejuízo poderia advir ao serviço de Sua Majestade se tudo o que dissestes fosse publicamente conhecido.

"Sua Majestade não considera improvável que o Conde de St. Germain possa realmente ter sido autorizado (talvez até com o conhecimento de Sua Majestade Cristianíssima) por algumas pessoas de peso nos Conselhos da França a falar como o fez, e não importa qual seja o canal, se

136 | O CONDE DE ST. GERMAIN

um fim desejável puder ser obtido por ele. Mas não há como arriscar novas conversas entre um dos Ministros credenciados do Rei e uma pessoa como este St. Germain é, segundo sua atual aparência.

O que disserdes será autêntico; enquanto St. Germain será desautorizado com muito pouca cerimônia sempre que a Corte da França achar conveniente.

E, segundo seu próprio relato, sua comissão não é conhecida apenas pelo Embaixador francês em Haia, mas até pelo Ministro das Relações Exteriores em Versalhes, que, embora ameaçado com o mesmo destino que coube ao Cardeal Bernis, ainda é o Ministro aparente.

"É, portanto, desejo de Sua Majestade que informeis ao Conde de St. Germain que, em resposta às cartas que me escrevestes em consequência de vossa conversa com ele, sois instruído a dizer que não podeis falar com ele sobre assuntos tão interessantes, a menos que ele apresente alguma prova autêntica de que está realmente empregado com o conhecimento e consentimento de Sua Majestade Cristianíssima.

Mas, ao mesmo tempo, podeis acrescentar que o Rei, sempre pronto a provar a sinceridade e pureza de suas intenções para evitar o maior derramamento de sangue cristão, estará disposto a abrir-se sobre as condições de uma Paz, se a Corte da França empregar

uma pessoa devidamente autorizada a negociar sobre esse assunto; contanto que seja previamente explicado e entendido que, caso as duas Coroas cheguem a um acordo sobre os termos de sua Paz, a Corte da França deverá expressa e confidencialmente concordar que os Aliados de Sua Majestade, e particularmente o Rei da Prússia, sejam incluídos no ajuste e satisfação.

“É desnecessário acrescentar que a Inglaterra jamais sequer ouvirá quaisquer propostas de uma Paz que não inclua Sua Majestade como Eleitor.

— HOLIDERNESSE.

”’

Em uma passagem citada das Memórias do Barão de Gleichen, (THEOSOPHICAL REVIEW, xxii, 45), vimos com quão pouca cerimônia M. de St. Germain foi descartado no Conselho do Rei, e Lorde Holdernesse falou verdadeiramente ao escrever: “O que dizeis será autêntico; ao passo que St. Germain será desautorizado com muito pouca cerimônia sempre que a Corte da França achar conveniente.”

A próxima carta do General Yorke mostra que o Duque de Choiseul estava trabalhando contra essa paz tão desejada.

: O CONDE DE ST. GERMAIN

Cópia da carta do Major-General Yorke ao Conde de Holdernesse.

Secreta.

“ Haia, 4 de abril de 1760.
“ Meu Senhor,

“O crédito do meu Aventureiro político, M. de St. Germain, não parece ter ganhado terreno desde a minha última; e o Duque de Choiseul parece tão empenhado em desacreditá-lo que se dá ao trabalho de impedi-lo de se intrometer em quaisquer assuntos.

Não o vi desde nossa segunda entrevista, e achei mais prudente deixá-lo em paz até que ele produza algo mais autêntico, conforme o teor das ordens que recebi; ele, no entanto, ainda está aqui.

“O Duque de Choiseul, contudo, informou M. d’Affry que deveria novamente renovar-lhe peremptoriamente que não se intrometesse em nada relacionado aos assuntos políticos da França, e acompanhou essa ordem com uma ameaça das consequências caso o fizesse.

Madame de Pompadour também não está satisfeita com ele por insinuar coisas contra M. d’Affry, das quais, seja por inclinação ou apreensão, ela informou o Duque de Choiseul.

De modo que ele adquiriu um inimigo a mais do que tinha.

O Marechal Belleisle, também, havia-lhe escrito sob o envelope de M. d'Affry, mas em termos corteses, agradecendo-lhe pelo seu zelo e atividade,

NOS 'PAPÉIS MITCHELL' 139°:

mas dizendo-lhe, ao mesmo tempo, que, como o Rei da França tinha um Embaixador em Haia em quem depositava a sua confiança, ele poderia comunicar-lhe com segurança o que pensasse ser do serviço da França; o tom das cartas do Marechal Belleisle mostra que ele estivera mais ligado a St. Germain do que o Duque de Choiseul, que está furioso contra ele e parece ter a vantagem.

"Em toda esta correspondência, contudo, nada apareceu ainda sobre St. Germain e eu. O todo se refere aos assuntos da Holanda, às insinuações que St. Germain fizera sobre as medidas erradas que aqui se tomavam, e às más mãos em que estavam; dou por certo, no entanto, que, como o Duque de Choiseul o venceu num caso, será capaz de o fazer em todos os outros, especialmente porque, na carta daquele Ministro a M. d'Affry, ele deseja

que ele previna todos os Ministros Estrangeiros de o ouvirem, pois a Corte poderia perder todo o crédito e confiança, quer sobre Paz quer sobre Guerra, se um tal homem ganhasse algum crédito.

"Uma pessoa de consequência, a quem M. d'Affry mostrou todas as cartas, deu-me este relato, à qual acrescentou: Quem sabe o que ele pode ter dito ao Sr. Yorke, pois sei que ele foi

esperá-lo.

M. d'Affry disse igualmente a esta pessoa que estava plenamente autorizado a receber

"140 — O CONDE DE ST. GERMAIN

quaisquer propostas da Inglaterra, e que, tendo a França o pior da disputa, não poderia fazer as primeiras propostas; que ele se abrira comigo, tanto quanto se podia esperar a princípio, mas que, como eu não lhe dera atenção desde então, imaginavam que a Inglaterra recuava.

"Não pretendo tirar outra conclusão de tudo isto, exceto que parecem ainda tolhidos pela não natural conexão com Viena, que o Duque de Choiseul ainda tem crédito suficiente para sustentar e, consequentemente, enquanto isso prevalecer, não podemos esperar nada além de chicanas e

atrasos nas negociações; foi-lhes repetidamente dito que Sua Majestade não pode nem quer tratar senão em conjunto com seu Aliado; o Rei da Prússia deve ser excluído, de onde é razoável concluir que tentarão a sorte na guerra mais uma vez, embora aqueles que governam pareçam inclinados a manter a porta aberta para voltar, se necessário.

“Tenho a honra de ser, etc.,

“ JOSEPH YORKE.

”’

Em parte desta correspondência há longas passagens em cifra (numéricos), para as quais não há chave para o público.

É impossível, portanto, saber se as palavras escritas contêm o significado exato ou não.

O espaço não permitirá que toda a correspondência apareça, então devemos

IN THE “‘MITCHELL PAPERS”’ I4r

passar a uma carta de Lord Holdernesse ao Sr. Mitchell, o Enviado Inglês na Prússia.

O Conde de Holdernesse.

R. 17 de maio em Metssen (por um Mensageiro Prussiano). (1).

“ Whitehall, 6 de maio de 1760.

“Senhor,  “Vós tereis aprendido por várias de minhas últimas cartas tudo o que se passou entre o General Yorke e o Conde de St. Germain em Haia, e estou persuadido de que o General Yorke não terá deixado de informar-vos tanto do formal desmentido que recebeu de M. de Choiseul quanto de sua resolução de vir à Inglaterra a fim de evitar o ressentimento adicional do Ministro francês,

“ Assim, ele chegou aqui há alguns dias.

Mas como era evidente que ele não estava autorizado,

(1) Esta carta de Lord Holdernesse é dirigida a M. Mitchell, que era o Representante Inglês na Corte Prussiana.

Disto parece que M. de St. Germain foi detido ao chegar à Inglaterra; e Lord Holdernesse envia palavra a este efeito ao Rei Prussiano.

Este Barão Knyphausen já foi mencionado como amigo de M. de St. Germain por Mons.

Dieudonné Thiébault (Mes Souvenirs de vingt ans de séjour a Berlin, vol.

IV, p. 83 3ª ed., Paris, 1813) que dá um relato de seu encontro em Berlim em uma data muito posterior.


mesmo por aquela parte do Ministério francês em cujo nome ele pretendia falar, como sua estada aqui não poderia ser de utilidade, e poderia ser acompanhada de consequências desagradáveis, julgou-se apropriado detê-lo à sua chegada aqui.

Seu interrogatório não produziu nada muito material.

Sua conduta e linguagem são artificiosas, com uma mistura estranha que é difícil de definir.

No conjunto, julgou-se mais aconselhável não permitir que ele permanecesse na Inglaterra, e ele partiu, portanto, no sábado de manhã passado, com a intenção de buscar refúgio em alguma parte dos domínios de Sua Majestade Prussiana, duvidando se estaria seguro na Holanda.

A seu pedido veemente e repetido, ele viu o Barão Knyphausen durante seu confinamento, mas nenhum dos servos do Rei o viu.

"O Rei achou certo que Vós fôsseis informado desta transação; é da vontade do Rei que comuniqueis o conteúdo desta carta a Sua Majestade Prussiana.

"Sou, com grande verdade e consideração, Senhor,

"Vosso mais obediente e humilde Servo,

"HOLDERNESSE.

"Sr. MITCHELL."

Há um mistério acerca desta visita de M. de St. Germain à Inglaterra que não é resolvido pela carta de Lord Holdernesse.

Mesmo que ele tenha

NOS "PAPÉIS MITCHELL" 1

partido imediatamente, seu retorno deve ter sido quase imediato, uma vez que os jornais e revistas da época comentam sua chegada em maio e junho de 1760.

No London Chronicle, 3 de junho de 1760, há um longo relato de sua chegada à Inglaterra, falando dele em termos favoráveis.

Há indícios a serem encontrados em vários lugares de que ele não partiu realmente; mas até agora os fatos reais do que ocorreu não estão totalmente claros.

Há ainda muito a ser aprendido neste curioso desvio da política europeia.

A paz parece mais difícil de arranjar do que a guerra, e os desejos pessoais dos Ministros franceses bloquearam o caminho desta missão.

Difícil, de fato, deve ter sido o empreendimento para o Conde de St. Germain, inglória a tarefa; a cada passo ele encontrava oposição e não podia contar com apoio.

Tudo isso forma um estudo profundamente interessante, mas devemos agora passar ao lado místico e filosófico desta vida pouco compreendida.

CAPÍTULO VII

Tradição Maçônica.

SONETO FILOSÓFICO ATRIBUÍDO AO FAMOSO St. GERMAIN

Curioso escrutador da natureza inteira,
Conheci do grande todo o princípio e o fim.
Vi o ouro em potência no fundo de sua mina,
Apanhei sua matéria e surpreendi seu fermento.
Expliquei por que arte a Alma nos flancos de uma mãe,
Faz sua casa, a carrega, e como uma semente
Posta contra um grão de trigo, sob a úmida poeira;
Um planta e outro cepa, são o pão e o vinho (1).

Nada existia, Deus quis, nada se tornou algo, ~ Eu duvidava, procurei sobre o que o universo se apoia, Nada mantinha o equilíbrio e servia de sustento.

_Enfim, com o peso do elogio e da culpa, - Pesei o Eterno, ele chamou minha alma, _. Morri, adorei, já não sabia mais nada (2).

(1) Referindo-se à embriologia oculta, _ ae (2) Poemas Filosóficos sobre o Homem. Chez Mercier; — be se: -Patis, 795.

TRADIÇÃO MAÇÔNICA

Apenas um místico poderia escrever, e somente místicos podem avaliar, palavras tão potentes em seu significado, tratando como fazem daqueles grandes mistérios que são desdobrados, em sua totalidade, apenas aos Iniciados. O “Véu de Ísis” sempre esconde o estudante sério da Grande Ciência dos curiosos vulgares; portanto, ao abordar o lado filosófico e místico desta vida misteriosa, as dificuldades de pesquisa tornam-se ainda mais complicadas devido a esse véu que esconde este Iniciado do mundo exterior. Vislumbres de conhecimento raros entre os homens; indicações de forças desconhecidas para o “público em geral”; alguns estudantes sérios, seus discípulos, esforçando-se ao máximo para permear o mundo material com seu conhecimento da vida espiritual invisível; tais são os sinais que cercam o Conde de St. Germain, as evidências de sua conexão com aquele grande Centro do qual ele veio. Nenhum movimento público surpreendente surge, nada em que ele busque a atenção pública como líder, embora em muitas sociedades sua mão guia possa ser encontrada. Na literatura maçônica moderna, faz-se um esforço para eliminar seu nome, e até, em alguns casos, para afirmar que ele não teve parte real no movimento maçônico do século passado, e era considerado apenas um charlatão pelos principais maçons. Pesquisa cuidadosa, no entanto, nos arquivos maçônicos prova que isso não é verdade; de fato, OAKLEY — O Conde de St. Germain. O CONDE DE ST. GERMAIN o exato contrário pode ser mostrado, pois M. de St. Germain foi um dos representantes selecionados dos maçons franceses em sua grande convenção em Paris em 1785: Como um relato diz: “Os alemães que se distinguiram nesta ocasião foram Bade, von Dalberg, Forster, Duque Ferdinand de Brunswick, Barão de Gleichen, Russworm, von Wollner, Lavater, Ludwig Príncipe de Hesse, Ross-Kampf, Stork, Thaden von Wachter..... Os franceses foram honrosamente representados por St. Germain, St. Martin, Touzet-Duchanteau, Etteila, Mesmer, Dutrousset, d’Hérecourt, e Cagliostro” (rt).

A mesma categoria de nomes, porém com mais detalhes, é fornecida por N. Deschamps (2). Encontramos Deschamps referindo-se a M. de St. Germain como um dos Templários.

Também é dado um relato da iniciação de Cagliostro pelo Conde de St. Germain, e o ritual usado nessa ocasião teria sido o dos Cavaleiros Templários.

Foi também neste ano que um grupo de jesuítas trouxe as mais selvagens e vergonhosas acusações contra M. de St. Germain, M. de St.

(1) Magazin der Beweisfiihrer fiir Verurtheilung des Freimaurer-Ordens, i. 137; von Dr. E. E. Eckert, Leipzig, 1857.

(2) Les Sociétés Secrétes et la Société, ou Philosophie de l’Histoire Contemporaine, ii, 121 (Paris, 1881).

TRADIÇÃO MAÇÔNICA

Martin e muitos outros, acusações de imoralidade, infidelidade, anarquia, etc. As acusações foram dirigidas aos Filaleteus, ou "Rite des Philalétes ou Chercheurs de la Vérité", fundado na Loja Maçônica de "Les Amis-Réunis". O Príncipe Karl de Hesse, Savalette de Lange (o Tesoureiro Real), o Visconde de Tavanne, Court de Gebelin, e todos os estudantes verdadeiramente místicos da época estavam nessa Ordem.

O Abade Barruel (1) acusou todo o corpo, individual e coletivamente, em termos tão violentos e com acusações tão infundadas que até mesmo não-maçons e anti-místicos protestaram.

Ele acusou M. de St. Germain e seus seguidores de serem jacobinos, de fomentar e incitar a Revolução, de ateísmo e imoralidade.

Essas acusações foram cuidadosamente investigadas e rejeitadas como infundadas por J. J. Mounier, um escritor que não era nem místico nem maçom, mas apenas um amante da honestidade.

Mounier diz: "Há acusações tão atrozes que, antes de adotá-las, um homem justo deve buscar o testemunho mais autêntico; aquele que não teme publicá-las, sem estar em posição de fornecer provas decisivas, deveria ser severamente punido pela lei, e

(1) Mémoires sur l’Histoire du Jacobinisme, ii, 554 (Paris, 1797).


onde a lei falha, por todas as pessoas de bom senso.

Tal é o procedimento adotado por M. Barruel contra uma Sociedade que costumava se reunir em Ermenonville após a morte de Jean Jacques Rousseau, sob a direção do charlatão St. Germain" (1).

Essa visão parece ser bem corroborada e é sustentada por vários escritores; de fato, a prova é conclusiva de que M. de St. Germain não tinha nada a ver com o partido jacobino, como o Abade Barruel e o Abade Migne tentaram insistir.

Outro escritor diz: “Nessa época, Lojas Católicas foram formadas em Paris; seus protetores eram os Marqueses de Girardin e de Bouillée.

Várias Lojas foram realizadas em Ermenonville, propriedade do primeiro.

Seu objetivo principal era ‘d’établir une communication entre Dieu et l’homme par le moyen des êtres intermédiaires’” (2).

Ora, tanto o Marquês de Girardin quanto o Marquês de Bouillé eram monarquistas e católicos ferrenhos; foi este último, além disso, quem auxiliou o infeliz Luís XVI e sua família em sua tentativa de fuga.

Novamente, ambos esses nobres católicos

(1) De l’influence attribuée aux Philosophes, aux Francs-maçons et aux Illuminés, sur la Révolution de France, p. 154 (Tubingen, 1801).

(2) Der Signaistern, V, art.

(Berlim, 1809).

TRADIÇÃO MAÇÔNICA:

nobres eram amigos pessoais de M. de St. Germain; portanto, dificilmente parece possível que as afirmações dos Abades Barruel e Migne tivessem qualquer fundamento veraz, uma vez que o estabelecimento de “Lojas Católicas” certamente não parece ter tendência ateísta, nem a estreita amizade de verdadeiros monarquistas pareceria alarmantemente revolucionária.

Segundo o conhecido escritor Eliphas Lévi (1), M. de St. Germain era católico na observância religiosa externa.

Embora fosse o fundador da Ordem de St. Joachim na Boêmia, ele

separou-se dessa sociedade assim que teorias revolucionárias começaram a se espalhar entre seus membros.

Algumas das assembleias nas quais o Conde de St. Germain ensinava sua filosofia foram realizadas na Rue Platrière; outras reuniões dos “Filaletes” foram realizadas na Loja “des Amis-Réunis” na Rue de la Sourdière.

Segundo alguns escritores, havia um forte fundamento Rosacruz — da verdadeira tradição Rosacruz — nessa Loja.

Parece que os membros estavam estudando as condições de vida em planos superiores, assim como os Teosofistas de hoje fazem.

O ocultismo prático e o misticismo espiritual eram o fim e o objetivo dos

(1) Histoire de la Haute Magie, pp. 419, 420 (Paris, 1860).


Filaletas; mas, infelizmente, o carma da França os subjugou, e cenas de sangue e violência os varreram, juntamente com seus estudos pacíficos.

Um fato que perturbava os inimigos do Conde de St. Germain era a devoção pessoal de seus amigos, e que esses amigos prezavam seu retrato.

Na coleção d’Urfeé, em 1783, havia uma imagem do místico gravada em cobre, com a inscrição:

“O Conde de St. Germain, célebre alquimista,” seguida das palavras:

“Assim como Prometeu, ele roubou o fogo, Pelo qual o mundo existe e pelo qual tudo respira; A natureza obedece à sua voz e morre. Se ele não é Deus ele mesmo, um Deus poderoso o inspira.”

Esta gravura em cobre foi dedicada ao Conde de Milly, amigo íntimo de M. de St. Germain, um homem bem conhecido da época, e Cavaleiro da Ordem Real e Militar de St. Louis, e da Águia Vermelha de Braunschweig.

Este retrato infeliz, no entanto, produziu um ataque furioso do Dr. Biester, editor do Berlinische Monatschrift, em junho de 1785. Entre alguns diatribes divertidos, o seguinte é digno de nota, se apenas para mostrar como um editor irritado pode ser impreciso. Como já vimos, M. de St. Germain foi no ano de 1785 escolhido representante na Conferência Maçônica em Paris.

No entanto, o Sr. Dr. Biester, no mesmo ano, abre suas observações com a declaração surpreendente: “Este aventureiro, que morreu há dois anos na Holsátia dinamarquesa”!

Nosso editor então prossegue para concluir o argumento da seguinte forma: “Eu até sei que, embora ele esteja morto, muitos agora acreditam que ele ainda está vivo e logo surgirá vivo! Ao passo que ele está morto como um prego, provavelmente apodrecendo e se decompondo como qualquer homem comum que não pode fazer milagres e a quem nenhum Príncipe jamais saudou.”

Somente a ignorância deve desculpar nosso editor da acusação de ser um Ananias literário; mas, de fato, em nossos próprios dias, os críticos de assuntos ocultos são tão ignorantes e igualmente positivos quanto eram há um século, não importa o seu conhecimento em outros aspectos.

E, de fato, havia alguma justificativa para as declarações do Sr. Dr. Biester, pois um escritor mais recente diz:

« O registro da igreja de Eckernfoérde mostra que St. Germain morreu em 27 de fevereiro de 1784 nesta cidade, em cuja igreja ele foi sepultado de forma bastante privada em 2 de março. No registro da igreja lemos o seguinte: ‘“ Falecido em 27 de fevereiro, sepultado em 2 de março de 1784, o chamado Conde de St. Germain e Weldon — mais informações não [ilegível]

conhecido — depositado em particular nesta igreja.” No registro da igreja, diz-se: “Em 1º de março, para o aqui falecido Conde de St. Germain, um túmulo na Igreja de Nicolau aqui no cemitério sob o N. 1, 30 anos de tempo de decomposição, 10 Rthlr.

e pela abertura do mesmo 2 Rthlr., no total 12 Rthlr.”

A tradição conta que o landgrave depois

mandou enterrar St. Germain em Slesvig, no cemitério de Friederiksberg, para consultar seu fantasma nas horas tardias da noite.

Em 3 de abril, o prefeito e o conselho de

Eckernförde deram aviso legal sobre sua

herança.

Nisso se diz: “Como o Conde de St. Germain, conhecido no exterior, como também aqui, sob

o nome de Conde de St. Germain e Weldon,

que durante os últimos quatro anos viveu neste país, faleceu recentemente aqui em Eckernförde, seus efeitos foram legalmente lacrados, e considerou-se necessário tanto para seus eventuais herdeiros intestados, como até agora nada foi apurado sobre um testamento deixado... etc.... Portanto, todos os credores são convocados a apresentar suas reivindicações em 14 de outubro” (1).

Esta passagem mostra definitivamente que M. de St. Germain era bem conhecido sob o nome de

(1) Bos (Louis), Johan Caspar Lavater’s Rejse til Danmark i Sommeren 1793, VIII, p. 156 (Copenhagen 1898).

TRADIÇÃO MAÇÔNICA 153.

Welldown (está escrito de muitas maneiras diferentes).

Mas — quanto à morte — temos muitas evidências de que ele não morreu: Madame d’Adhémar diz, falando de M. de St. Germain:

“Acredita-se que ele tenha falecido em 1784, em Schleswig, quando estava com o Eleitor de Hesse-Cassel; o Conde de Chalons, no entanto, ao retornar de sua embaixada veneziana em 1788, contou-me de ter falado com o Conde de Saint-Germain na Praça São Marcos no dia anterior à sua partida de Veneza para uma embaixada em Portugal.

Eu o vi novamente em outra ocasião” (1).

E novamente de uma fonte maçônica obtemos a seguinte declaração:

“Entre os maçons convidados para a grande conferência em Wilhelmsbad, 15 de fevereiro,

encontramos St. Germain incluído com St. Martin e muitos outros” (2).

E novamente de uma fonte totalmente católica: o falecido bibliotecário da Grande Biblioteca Ambrosiana de Milão diz:

“E quando, para promover uma conciliação entre as várias seitas dos Rosi-

(1) ADHÉMAR, op. cit., p. 229.

(2) Freimaurer Brüderschaft in Frankreich, Latomia, vol. II, p.

Grande Conoress em Wilhelmsbad, cee in. ie xa OEE: dos «Amici riuniti» também estava Germain ale).

Há evidências de ambos os lados, e os «registros de Charen» nem sempre são infalíveis; quantos casos célebres surgiram de uma morte fictícia.

Se o Conde de St. Germain desejasse desaparecer da vida pública, esta era a melhor maneira de o conseguir.

Pe Sas.

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(x) Canré Cesare, Gli relict d'Italia.

Turim 1867, — vol. III, Disc. LII, p. x, 402. ; x

CAPÍTULO VIII

Trabalho Maçônico e Tradições Austríacas.

Passando agora da França para a Áustria, vejamos o que Graffer diz em seus esboços interessantes, embora curiosamente escritos.

Para dar, então, alguns extratos de muitos:

ST. GERMAIN E MESMER.

«Um homem desconhecido viera fazer uma breve visita a Viena.

«Mas sua estada ali se prolongou.

«Seus assuntos diziam respeito a um tempo distante, a saber, o século XX.

«Ele realmente viera a Viena para ver uma única pessoa.

«Essa pessoa era Mesmer, ainda um homem muito jovem.

«Mesmer ficou impressionado com a aparência do estranho.

«Você deve ser o homem», disse ele,

6) O CONDE DE ST. GERMAIN

«cuja carta anônima recebi ontem de Haia?»

cy cham pes:

«Você deseja falar comigo hoje, a esta hora, sobre minhas ideias concernentes ao magnetismo?»

««Sim, desejo.»

««Foi o homem que acabou de me deixar, que de maneira paternal guiou minhas ideias neste canal.

Ele é o célebre astrônomo Hell (1).

«¢7T sei disso.»

«©« Minhas ideias fundamentais, no entanto, ainda são caóticas; quem pode me dar luz?»

«JY posso fazê-lo.»

«“«Você me faria feliz, senhor.»

«TF tenho de fazê-lo.»

«O estranho fez sinal a Mesmer para trancar a porta.

«Eles se sentaram.

«O cerne de sua conversa centrou-se na teoria de obter os elementos do elixir da vida pelo emprego do magnetismo em uma série de permutações.

(1) Maximilian Hell (Astrônomo da Corte Imperial). A este acadêmico altamente respeitado são devidos agradecimentos por ter dado o impulso para assumir o magnetismo de forma científica e prática.

Ver Oesterr.

National Encyclopédie, art. «Mesmer».

TRABALHO MAÇÔNICO E TRADIÇÕES AUSTRÍACAS E

«A conferência durou três horas, .... a

«Eles combinaram um novo encontro em Paris.

Então se separaram» (1).

Que St. Germain e Mesmer estiveram ligados no trabalho místico do século passado, sabemos por outras fontes (2), e que eles novamente se encontraram e trabalharam juntos em Paris, é verificado por pesquisas entre os registros das reuniões da Loja já mencionadas.

Este encontro em Viena deve ter ocorrido antes de Mesmer iniciar seus trabalhos em Paris, a julgar pelo contexto.

Viena era o grande centro dos Rosacruzes e de outras Sociedades aliadas, como os "Asiatische Brüder", os "Ritter des Lichts", etc.

Os primeiros eram o maior corpo que realmente se ocupava profundamente com pesquisas alquímicas e tinha seu laboratório na Landstrasse, atrás do Hospital.

Entre eles encontramos um grupo de seguidores de St. Germain.

Para citar novamente Franz Graffer:

"Um dia espalhou-se a notícia de que o Comte de St. Germain, o mais enigmático de todos os incompreensíveis, estava em Viena.

Um choque elétrico percorreu todos os que conheciam seu nome.

Nosso círculo de Adeptos ficou profundamente emocionado.

St. Germain estava em Viena!....

(1) Kleine Wiener Memoiren, i, 81 (Wien, 1846). (2) H. P. Blavatsky, Theos. Gloss., p. 214 (London, 1892).


"Mal Graffer [seu irmão Rudolph] se recuperara da surpreendente notícia, eis que voa para Hiniberg, sua residência de campo, onde guarda seus papéis.

Entre estes encontra-se uma carta de recomendação de Casanova, o genial aventureiro que conhecera em Amsterdã, endereçada a St. Germain.

"Ele volta apressadamente para sua casa de negócios; lá é informado pelo funcionário: 'Há uma hora esteve aqui um cavalheiro cuja aparência surpreendera a todos.

Este cavalheiro não era alto nem baixo, sua compleição era notavelmente proporcionada, tudo nele tinha o [trecho ilegível] Ele disse em francês, como que para si mesmo, sem se importar com a presença de alguém, as palavras: 'Moro no Fedalhofe, no quarto em que Leibnitz se hospedou em 1713.' Íamos falar, quando ele já havia partido.

Nesta última hora estivemos, como vedes, Senhor, petrificados.

[trecho ilegível]

'Em cinco minutos chega-se ao Fedalhofe.

O quarto de Leibnitz está vazio.

Ninguém sabe quando 'o cavalheiro americano' voltará para casa.

Quanto à bagagem, nada se vê além de um pequeno baú de ferro.

É quase hora do jantar.

Mas quem pensaria em jantar! Graffer é mecanicamente impelido —

Ir encontrar o Barão Linden; encontra-o no 'Ente'. Seguem para a Landstrasse, para onde um certo algo, um obscuro pressentimento, os impele a dirigir a toda pressa.

O laboratório está destrancado; um grito simultâneo de espanto escapa a ambos; a uma mesa está sentado St. Germain, lendo calmamente um fólio, que é uma obra de Paracelso.

Eles ficam mudos no limiar; o misterioso intruso fecha lentamente o livro e se levanta lentamente.

Bem sabem os dois homens perplexos que aquela aparição não pode ser outra no mundo senão o homem das maravilhas.

A descrição do escrivão era como uma sombra diante da realidade.

Era como se um esplendor brilhante envolvesse toda a sua forma.

Dignidade e soberania se declaravam.

Os homens estavam sem fala.

O Conde dá um passo à frente para encontrá-los; eles entram.

Em tons medidos, sem formalidade, mas num tenor incrivelmente vibrante, encantando a alma mais íntima, ele diz em francês a Graffer: 'O senhor tem uma carta de apresentação do Sr. von Seingalt; mas ela não é necessária.

Este cavalheiro é o Barão Linden.

Eu sabia que ambos estariam aqui neste momento.

O senhor tem outra carta para mim de Brühl.

Mas o pintor não pode ser salvo; seu pulmão está comprometido, ele morrerá em 8 de julho de 1805. Um homem que ainda é uma criança, chamado Buonaparte, será indiretamente o culpado.

E agora, senhores, sei de vossos feitos; posso ser de alguma serventia para vós? Falai.' Mas a fala não era possível.


"Linden colocou uma pequena mesa, pegou confeitos de um armário na parede, colocou-os diante de si e foi ao porão.

"O Conde faz sinal a Graffer para se sentar; senta-se e diz: 'Eu sabia que vosso amigo Linden se retiraria, ele foi compelido.

Servirei apenas a vós.

Conheço-vos através de Angelo Soliman, a quem pude prestar serviço na África.

Se Linden voltar, eu o enviarei embora novamente.' Graffer recobrou-se; estava, no entanto, demasiado sobrepujado para responder mais do que com as palavras: 'Eu vos compreendo: tenho um pressentimento.'

" Enquanto isso, Linden retorna e coloca duas garrafas sobre a mesa.

St. Germain sorri diante disso com uma dignidade indescritível.

Linden oferece-lhe refresco.

O sorriso do Conde aumenta para uma risada.

'Pergunto-vos,' disse ele, 'há alguma alma nesta terra que já me viu comer ou beber?' Ele aponta para as garrafas e observa: 'Este Tokay não vem diretamente da Hungria.

Vem de minha amiga Catarina da Rússia.'

Ela ficou tão satisfeita com as pinturas do doente sobre _o combate em Médling, que enviou um barril do mesmo.' Graffer e Linden ficaram estupefatos; o vinho havia sido comprado de Casanova.

"O Conde pediu material de escrita; Linden o trouxe.

O 'Wundermann' corta de uma folha de papel dois quartos da folha, coloca-os bem próximos um do outro, e pega uma caneta com cada mão simultaneamente.

Ele escreve com ambas, meia página, assinaturas idênticas, e diz: 'O senhor coleciona autógrafos, cavalheiro; escolha uma destas folhas, é indiferente qual; o conteúdo é o mesmo.' 'Não, é magia,' exclamam ambos os amigos, 'traço por traço, ambas as caligrafias concordam, nenhum traço de diferença, inédito!'

"O escritor sorri; coloca ambas as folhas uma sobre a outra; segura-as contra o vidro da janela; parece como se houvesse apenas uma escrita a ser vista, tão exatamente uma é o fac-símile da outra; parecem como se fossem impressões da mesma placa de cobre.

As testemunhas ficaram mudas.

"O Conde então disse: 'Uma destas folhas desejo que seja entregue a Angelo o mais rápido possível. Em um quarto de hora ele sairá com o Príncipe Lichtenstein; o portador receberá uma caixa de rapé.'

"St. Germain então gradualmente passou a um estado solene.

Por alguns segundos ele ficou rígido como uma estátua, seus olhos, que eram sempre expressivos além das palavras, tornaram-se opacos e incolores.

Presentemente, contudo, todo o seu ser foi reanimado.

Ele fez um movimento com a mão como se em sinal de sua partida, então disse: 'Estou partindo (ich scheide); não me visiteis. Mais uma vez me vereis. Amanhã à noite estou

OAKLEY - O Conde de St. Germain II partindo; sou muito necessário em Constantinopla; depois na Inglaterra, para preparar duas invenções que tereis no próximo século—trens e barcos a vapor.


Estas serão necessárias na Alemanha.

As estações mudarão gradualmente—primeiro a primavera, depois o verão.

É a cessação gradual do próprio tempo, como o anúncio do fim do ciclo.

Eu vejo tudo; astrólogos e meteorologistas não sabem nada, acreditai-me; é preciso ter estudado nas Pirâmides como eu estudei.

Para o fim deste século desaparecerei da Europa, e me dirigirei para a região do Himalaia.

Descansarei; preciso descansar.'

Exatamente em oitenta e cinco anos, as pessoas voltarão a pôr os olhos em mim. Adeus, eu vos amo.’ Após essas palavras solenemente proferidas, o Conde repetiu o sinal com a mão.

Os dois adeptos, dominados pela força de impressões tão sem precedentes, deixaram a sala em um estado de completa estupefação.

No mesmo instante, caiu uma forte chuva repentina, acompanhada por um trovão.

Instintivamente, eles retornam ao laboratório para se abrigar.

Eles abrem a porta.

St. Germain não estava mais lá... .

“Aqui,” continua Graffer, “minha história termina.

É de memória do início ao fim.

Um sentimento peculiar e irresistível compeliu-me a pôr estas transações por escrito mais uma vez, após tão longo tempo, justamente hoje, 15 de junho de 1843.

TRABALHO MAÇÔNICO E TRADIÇÕES AUSTRIACAS

“Além disso, faço esta observação, de que estes eventos não foram até agora relatados.

Portanto, com isto, despeço-me” (1).

O caráter curioso dos esboços de Franz Graffer é impressionante.

De outras fontes, pode-se saber que ambos os Graffers eram amigos pessoais de St. Germain, e ambos eram também Rosacruzes.

E embora nenhuma data seja dada da entrevista aqui registrada, podemos deduzi-la aproximadamente de outro artigo no mesmo volume, onde se diz: “St. Germain estava no ano de ’88, ou ’89, ou ’90, em Viena, onde tivemos a honra inesquecível de encontrá-lo” (2).

Que o Conde de St. Germain também era Rosacruz, não há dúvida.

Constantemente, na literatura maçônica e mística do século passado, encontram-se as evidências de sua intimidade com os proeminentes Rosacruzes na Hungria e na Áustria.

(1) Op. cit., ii. 136-162. É de se lamentar que o relato floreado de Graffer abra a porta a uma ligeira suspeita de charlatanismo na mente do estudante moderno de ocultismo.

É provavelmente, no entanto, a sua maneira de ver a questão que está em falta.

Um estudante mais experiente provavelmente teria descrito a entrevista de forma muito diferente, embora pudesse ter testemunhado tão fortemente — exatamente os mesmos fatos.

(2) Op. cit., iii, 89.

| O CONDE DE ST. GERMAIN

seu corpo místico originou-se originalmente nos Estados da Europa Central; tem, em vários momentos e através de diferentes organizações, espalhado a Ciência Sagrada e o Conhecimento com os quais algumas de suas Cabeças foram confiadas — a mesma mensagem da única Grande Loja que guia a evolução espiritual da raça humana.

Traços deste ensinamento, conforme dado por nosso místico, são claramente encontrados, e são citados por Madame Blavatsky, que menciona um "Manuscrito Rosacruz em Cifra" (1) como estando em sua posse.

Ela enfatiza também o tom inteiramente oriental das opiniões sustentadas por M. de St. Germain.

O fato de M. de St. Germain possuir esta rara obra mostra a posição por ele ocupada.

Voltando novamente à Doutrina Secreta, (2) encontramos seu ensinamento sobre "Números" e seus valores, e esta importante passagem o liga novamente à Escola Pitagórica, cujos princípios eram puramente orientais.

Tais passagens são de profundo interesse para o estudante, pois provam a unidade que subjaz a toda a diversidade externa das muitas sociedades que trabalham sob diferentes nomes, e ainda assim com tanto em comum.

Na superfície, pareceria que melhores resultados poderiam ter sido

(1) A Doutrina Secreta, ii, 212, 3ª ed.

(2) A Doutrina Secreta, ii, 212, 3ª ed.

alcançados se todos esses pequenos corpos tivessem sido fundidos em uma grande Sociedade.

Mas ao estudar a história do século XVIII, a razão é evidente.

Na Áustria, Itália e França, os Jesuítas eram todo-poderosos e esmagavam qualquer corpo de pessoas que mostrasse sinais de conhecimento oculto.

A Alemanha estava em guerra, a Inglaterra também em guerra; quaisquer grandes massas de estudantes certamente teriam sido suspeitas de desígnios políticos.

As várias pequenas organizações eram mais seguras, e é evidente que M. de St. Germain passava de uma sociedade a outra, guiando e ensinando; de sua constante conexão com os círculos maçônicos temos outras provas; M. Björnstahl escreve em seu livro de viagens:

"Éramos hóspedes na corte do Príncipe Hereditário Wilhelm von Hessen-Cassel (irmão de Karl von Hessen) em Hanau, perto de Frankfurt.

"Ao retornarmos em 21 de maio de 1774 ao Castelo de Hanau, encontramos lá Lord Cavendish e o Comte de St. Germain; eles haviam vindo de Lausanne e viajavam para Cassel e Berlim.

"Tínhamos feito a conheciment

Um amigo maçom (1) envia-me as seguintes informações e extratos de cartas, extraídos de fontes maçônicas na Biblioteca Real de Wolfenbüttel.

Ele diz:

«« Com este correio envio-lhe uma foto da carta do Conde de Welldone ao Duque Friedrich August de Braunschweig, sobrinho de Ferdinand de Braunschweig, e também de Frederico II da Prússia, seu tio.

“O Dr. K. Weber, em ‘De Quatro Séculos’, escreve, vol. I, pág. 317.

««Em outubro de 1776, ele veio a Leipzig como v. Welldone, onde ofereceu muitos segredos para uso do Conselho Municipal, que havia reunido durante suas viagens pelo Egito e pela Ásia.

’

“A carta de Welldone está na Biblioteca de Wolfenbüttel (não nos Arquivos). Lá encontrei várias outras cartas notáveis.

Todas são – de e para maçons.

Entre outras, uma de Dubosc, Camareiro em Leipzig, que em 15 de março de 1777 escreveu a Fr. August de Braunschweig:

«Após uma longa estadia, o atual St. Germain, conhecido na época sob o nome de Comte Wethlone (Welldone), que se esforçou muito para nos dar a entender que escondia sob este nome sua verdadeira qualidade de Príncipe Rakoczy, tomou a fantasia de se associar comigo.’

‘‘ Do ministro v. Wurmb (Dresden), em 19 de maio de 1777, de Dresden:

««Empreguei a quinzena que passei em Leipzig para sentir o pulso do famoso St. Germain, que atualmente tomou o nome de Comte de Woeldone e, além disso, a meu pedido, ele veio aqui para ficar algum tempo.

Encontrei-o entre 60 e 70 anos de idade.’ ”

A carta original de M. de St. Germain foi fotografada e a tradução é a seguinte, escrita de Leipzig: já foi demonstrado que, pelos Registros da Igreja, ele tinha direito a esse nome e era conhecido e reconhecido como Comte de Welldone.

“ Monseigneur,

“Vossa Alteza permitirá gentilmente que eu abra meu coração a Vós; estou magoado que o Conselheiro, Sr. du Bosc, tenha usado meios que não poderiam ser agradáveis para mim, para me dar a conhecer as Ordens que Vós lhe confiastes, segundo o que ele diz em sua carta, e que certamente não poderiam de modo algum me concernir; o Barão de Wurmb, bem como o Barão de Bishopswerder, serão sempre testemunhas honrosas da pureza e retidão do passo

‘o respeito e o zeloso e fiel apego que dediquei a vós durante toda a minha vida, Monseigneur; a delicadeza me impôs inicialmente silêncio sobre meu motivo.

_ “ Apressar-me-ei o quanto possível a realizar os assuntos tanto importantes quanto indispensáveis para a localidade em que me encontro, a fim de que possa imediatamente depois ter a inexprimível alegria de prestar-vos minha homenagem, vós, o melhor dos Príncipes; quando tiver a honra de ser bem conhecido por vós, Monseigneur, espero com plena certeza de vosso fino discernimento toda a justiça que me é devida e que será extremamente apreciada por mim, vinda de vossa parte.

- Estou, por dever, Vosso respeitoso, fiel e humilde servo

LE C. pE WELLDONE.

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8 de maio de 1777.”

Mais evidências dessa visita encontram-se em uma carta do Ministro Saxão von Wurmb, que era ele próprio um maçom fervoroso e um Rosacruz.

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ie -« Gimmern, 9 de junho de 1777.

eg «O ‘a Cygne tr’ (Gugomos) muito certamente não foi para Chipre, mas para a Inglaterra.

.  M. de St. Germain principalmente por minha causa veio a Dresden.

Se ele não se disfarçar de maneira extraordinária, então ele não nos servirá, embora seja um homem muito sábio' (1). Evidentemente, esperava-se uma visita que precisava ser disfarçada; isso dá uma pista da razão pela qual M. de St. Germain viajava em Leipzig — e Dresden sob o nome de Comte Weldon.

— Segundo Cadet de Gassicourt, ele era membro viajante dos "Templários", indo de Loja em Loja para estabelecer comunicação entre elas.

Diz-se que M. de St. Germain (2) realizou esse trabalho para o Capítulo de Paris dos "Cavaleiros Templários".

A investigação prova que ele esteve conectado com os "Asiatische Brüder", ou "os Cavaleiros de São João Evangelista do Oriente na Europa", também com os "Ritter des Lichts", ou "Cavaleiros da Luz", e com vários outros corpos rosacruzes na Áustria e Hungria; e também com os "Martinistas" em Paris.

Ele fundou, segundo Eliphas Lévi, a Ordem de São Joaquim, mas essa afirmação não é apoiada por nenhuma evidência histórica atualmente disponível, embora muitos de seus estudantes e amigos fossem membros desse corpo.

Em toda parte, em toda Ordem onde se encontra verdadeiro ensinamento místico, podemos rastrear a influência desse misterioso mestre.

Uma carta sua ao Graf Goertz em Weimar é citada, dizendo que ele havia "prometido uma visita a Hanau para encontrar o Landgraf Karl na casa de seu irmão, a fim de elaborar com ele o sistema da 'Estrita Observância' — a regeneração da Ordem dos Maçons na mente aristocrática — pela qual você também se interessa tão seriamente."

Um relato resumido do "Gartenlaube" (1) encaixa-se aqui; as cartas são ditas autênticas; e pela evidência interna há pouca dúvida sobre isso; pois a informação tem a ver com o trabalho maçônico no qual o Comte de St. Germain estava engajado:

(1) Brause Jahre em Gartenlaube 1884, n. 38, 39.

TRABALHO MAÇÔNICO E TRADIÇÕES AUSTRÍACAS I

Karl-August foi ao Landgrave Adolf von Hessen-Philippsthal-Barchfeld. St. Germain estava lá e foi devidamente apresentado ao Duque, foi encantador na conversa e este último perguntou, após a ceia, ao seu anfitrião sobre o conde.

— Quantos anos ele tem?

— Não sabemos nada de certo sobre isso. É fato que o conde conhece detalhes que apenas contemporâneos poderiam contar da mesma maneira.

Está na moda agora em Cassel ouvir respeitosamente suas histórias e maravilhar-se com coisa de dez anos.

O conde não se elogia, nem é um contador de histórias importuno; é um homem de boa sociedade, que todos têm prazer em receber.

Ele não é muito apreciado pelo chefe de nossa casa, o Landgrave Frederico II, que o chama de moralista enfadonho.

Mas ele está em contato com muitos homens notáveis e tem uma influência extraordinária sobre outros. Meu primo, o Landgrave Carlos de Hesse, é muito apegado a ele; trabalham juntos na Maçonaria e em outras ciências ocultas.

Lavater lhe envia homens escolhidos.

Ele pode falar com vozes diferentes e de distâncias diferentes, pode copiar perfeitamente qualquer letra que veja uma única vez — diz-se que está em conexão com espíritos que lhe obedecem; é médico e geognosta, e consta que possui meios de prolongar a vida.

O duque foi até Gortz, a quem conhecia bem como inimigo e oponente de Goethe.

Portanto, naquele momento de excitação, tomou o partido do marechal.

— Gortz recebeu a rara visita de modo submisso; quando, por leves indícios, pôde notar que o duque não desejava falar sobre Goethe, seu semblante tornou-se ainda mais radiante.

— No início de maio, caro marechal, fiz um conhecimento altamente interessante na casa do Landgrave em Barchfeld — disse finalmente o duque, não sem embaraço. — Um conhecimento que desejo manter. Era um certo Conde Saint Germain, que está hospedado em Cassel; por favor, escreva a este cavalheiro e convide-o cortesmente a vir até aqui.

— Gortz prometeu atender a esse pedido no mais curto espaço de tempo e com o melhor de sua capacidade.

— Quando o duque se retirou, ele se sentou à sua escrivaninha e escreveu o seguinte:

Carta do Conde Gortz:

— Triunfo, caro conde.

Seu conhecimento dos homens, suas palavras conquistam. Vós previstes bem: um gracioso senhor está encantado convosco e vos pede, por meio de mim, em devida forma, que venhais à sua corte.

— Vós sois realmente um fazedor de maravilhas, pois seu detestado favorito plebeu agora vacila... uma pequena ajuda, um golpe de vosso gênio, e o advogado de Frankfurt, que se intromete entre nós, recebe xeque-mate.

Você vai lutar contra ele abertamente agora, ou prefere primeiro fazer um levantamento pessoal incógnito do território? Colocar uma ou duas minas para ele e só se mostrar quando ele estiver totalmente derrotado no campo? E então tomar o seu lugar com muito mais direito e poder?

«Deixo tudo isso à sua sagacidade. Conte comigo como antes, inteiramente, e com uma pequena elite de aristocratas fiéis, um ou dois dos quais você pode querer ligar mais a você se achar bom.

«Sempre seu, de verdade,

«Conde Gortz, marechal da corte.»

«Resposta de St. Germain:

«Caro Conde!

«Estou bastante pronto a associar-me ainda mais com você e seus companheiros de opinião, muito grato pelo amável convite. Seguirei isso mais tarde.

«No momento presente, prometi visitar Hanau, para encontrar o Landgrave Karl na casa de seu irmão e elaborar com ele o sistema da “Estrita Observância” — a regeneração da ordem dos maçons em um sentido aristocrático — que também lhe interessa muito.

TRABALHO MAÇÔNICO E TRADIÇÕES AUSTRIACAS «O Landgrave é para mim um protetor querido e simpático, e se não é um príncipe reinante, sua posição em Schleswig, ligada ao serviço dinamarquês, é muito principesca.


«Eu, de qualquer forma, antes de decidir inteiramente pelo Landgrave, virei a Weimar, libertá-lo do odiado intruso e reconhecerei o campo lá. Talvez eu prefira fazer isso incógnito no início.

«Recomende-me fielmente ao seu mestre e prometa minha visita para algum tempo futuro.

«Em nome da prudência, do silêncio e da sabedoria, saúdo-o.

Sempre seu,

St. Germain.

Pelas evidências internas, esta é uma carta autêntica, pois o Conde de St. Germain certamente estaria ajudando neste corpo, baseado como era na antiga “Ordem do Templo”, que será tratada em detalhe mais adiante. Foi, além disso, para se salvarem da perseguição que esses membros se autodenominavam “Maçons Livres e Adotados” e adotaram os sinais e palavras da Maçonaria. Sem dúvida, a “Estrita Observância” surgiu da mais secreta “Ordem do Templo”, uma organização verdadeiramente oculta nos tempos antigos. Por sugestão do Conde de St. Martin e do Sr. Willermoz, o nome foi mudado para...

causa das suspeitas da polícia; a nova escolhida foi “Os Benfeitores Cavaleiros da Cidade Santa”. O Barão von Hund foi o primeiro Grande-Mestre; com sua morte, a liderança geral foi investida no Grão-Duque de Brunswick, amigo íntimo de M. de St. Germain.

Todas essas várias organizações serão tratadas em ordem; no presente, são apenas mencionadas para mostrar o elo de ligação formado por M. de St. Germain entre os corpos separados, com os quais M. de St. Germain tinha trabalho a fazer; um escritor austríaco, em um artigo recente, diz:

“Na literatura maçônica e rosacruz, encontra-se frequentemente alusões às relações de St. Germain com as sociedades secretas da Áustria. Um dos adeptos de St. Germain em Viena era o Conde J. F. von Kufstein, em cuja Loja (na casa do Príncipe Auersperg) eram realizadas reuniões mágicas que geralmente duravam das 23h às 6h. St. Germain esteve presente em uma dessas reuniões e expressou sua satisfação com os trabalhos.

Além disso, St. Germain colecionava quadros antigos e retratos; era afeito à alquimia, acreditava na medicina universal e fazia estudos sobre o magnetismo animal. Ele impressionava as pessoas, especialmente as classes mais altas, por seus modos franceses, seu vasto conhecimento e sua loquacidade.

Esse “boêmio” tão atacado pelos historiadores desempenhou o papel de agente político durante as negociações de paz entre a França e a Áustria. Novamente, diz-se que se distinguiu no ano de 1792 na revolução.

Ele era o “Obermour” de muitas irmandades místicas, onde era adorado como um ser superior e onde todos acreditavam em suas aparições “repentinas” e igualmente “repentinos” desaparecimentos. Ele pertence ao quadro da “Velha Viena” com seu mistério social; onde fervilhava de Rosacruzes, Asiáticos, Iluminados, Alquimistas, Magnetopatas, Taumaturgos, Templários, que todos tinham muitos e dispostos adeptos.

“O Dr. Mesmer, que conhecia bem o Conde St. Germain de sua estada em Paris, solicitou-lhe que viesse a Viena para que pudesse prosseguir com ele seu estudo do magnetismo animal. St. Germain permaneceu secretamente aqui e era então conhecido como o “Americano do Felderhof”, que mais tarde se tornou a “Casa Laszia” no Lugeck N. 3. O Dr. Mesmer foi muito ajudado pelo Conde, e aqui em Viena foi escrito o seu (de Mesmer) ensinamento.”

Logo Mesmer ganhou seguidores, mas foi obrigado a deixar a cidade.

Foi para Paris, onde sua « Sociedade Harmoniosa » — uma sociedade secreta de —

TRABALHO MAÇÔNICO E TRADIÇÕES AUSTRIACAS

sábios — continuou a existir.

Em Viena, St. Germain entrou em contato com muitos mistagogos.

— Visitou o famoso laboratório dos Rosacruzes na Landstrasse, atrás do hospital, onde instruiu por algum tempo seus irmãos nas ciências de Salomão.

A Landstrasse, situada nos arredores de Viena, foi por muitos séculos uma região de assombrações.

“Lá embaixo, no Erdberg, estavam os Templários e as propriedades de sua ordem, e fora da cidade, no Simmering, havia nos tempos de Rodolfo II a cozinha de ouro, onde a fraternidade excêntrica se esforçava para fazer ouro.

É certo que o Conde de St. Germain esteve em Viena no ano de 1735, e também mais tarde.

A chegada do Conde (que gozava naquela época de grande prestígio) causou certa vez grande sensação nos círculos iniciáticos” (1).

Segue-se uma lista de algumas das sociedades, mais ou menos ligadas à Maçonaria, que tinham “Cabeças Desconhecidas”. Traduzidas, são as seguintes:

Os Cônegos do Santo Sepulcro.

Os Cônegos do Santo Templo de Jerusalém.

Os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa.

(1) Mattty A. de - Der Zirkel, 1º de março de 1908.

OAKLEY —- O Conde de St. Germain.


- O Clero de Nicósia, na Ilha de Chipre (1).

O Clero de Auvérnia.

Os Cavaleiros da Providência.

Os Irmãos Asiáticos; Cavaleiros de São João Evangelista.

Os Cavaleiros da Luz.

Os Irmãos Africanos.

Há também grupos de vários corpos rosacruzes amplamente difundidos na Hungria e na Boêmia.

Em todos esses corpos enumerados, pode-se traçar claramente a mão guia daquele “mensageiro” do século XVIII, ou de alguns de seus amigos e seguidores imediatos.

Novamente, em todos esses grupos podem ser encontrados, mais ou menos claramente, aqueles princípios fundamentais que todos os verdadeiros mensageiros da Grande Loja são obrigados a ensinar: tais como, por exemplo, a evolução da natureza espiritual do homem; a reencarnação; os poderes ocultos da natureza; a pureza de vida; a nobreza de ideal; o Poder Divino que está por trás de tudo e guia tudo.

Estas são as pistas que mostram, sem possibilidade de dúvida, àqueles que buscam a verdade, aquela Loja de onde veio o Conde de St. Germain, o mensageiro cuja vida aqui é apenas esboçada.

(1) Esta é a Sociedade mencionada pelo Ministro Wurmb na carta citada.

E pensem no mesmo Ideal que “agora, no final do século XIX, novamente se apresenta claramente diante dos olhos de alguns teosofistas.

De sua mensagem muitos se afastaram, e dos líderes atuais os últimos também se afastarão hoje com desdém.

Mas, como os poucos cujos olhos se abrem para a alegre luz de um novo dia, olham para trás para ele.

APÊNDICE I.

Oferecido ao Conde de Saint Germain por Luís XV (1758)

ARQUIVO NACIONAL.

Caixa — Antigo Regime — Blois e Chambord (Obras) 1747–1760, O. — 1326.

Carta do Sr. Collet, Administrador dos Castelos de Chambord e de Blois, ao Marquês de Marigny, Diretor Geral das Construções.

“Chambord, 10 de maio de 1758.

Fui solicitado pelo Conde de St. Germain a acompanhá-lo a Paris para fazer alguns arranjos a seu respeito, bem como para tratar de alguns negócios que devem ser concluídos até o final da próxima semana. Espero que durante esses poucos dias o senhor me permita visitá-lo....” Sr. de Marigny ao Sr. Collet.


“Marigny, 19 de maio de 1758.

Senhor, concedo-lhe de bom grado permissão para aproveitar a oportunidade que tem de acompanhar o Conde de St. Germain a Paris e ficar aqui.”

Sr. Collet ao Marquês de Marigny.

“Chambord, 4 de dezembro de 1758.

Senhor, ... o Conde de St. Germain chegou a Chambord no sábado passado com dois cavalheiros. Ele ficará por cinco ou seis dias e depois vai para Paris, tendo a gentileza de me levar com ele. Espero, assim que chegar, ter a honra, Senhor....”

Sr. Collet ao Marquês de Marigny.

“Chambord, 8 de maio de 1758.

Senhor, ... o Conde de St. Germain chegou aqui no sábado passado, sendo esta a sua segunda visita a Chambord: mandei preparar dois quartos para algumas de suas pessoas, bem como mais três com cozinhas e dependências no térreo para sua acomodação. Não fiz alterações nesta parte do Castelo, apenas reparos urgentes.”

APÊNDICE I.

O Abade de la Pagerie ao Sr. de Marigny.

“Blois, 12 de agosto de 1758.

Senhor, Não tendo a sorte de viver suficientemente perto do senhor para apresentar meus respeitos, compenso isso escrevendo para que possa me lembrar de mim. Sou muito grato pelas cortesias com que me honrou, que permanecerão sempre queridas em minha memória.”

Aprecio-os plenamente e ninguém pode ser mais dedicado a vós do que eu.

Vejo frequentemente M. Begon, que tem a honra de ser conhecido por vós; ele está totalmente absorto em suas obras de construção, que são muito belas.

M. de St. Germain, que desperta a curiosidade de todo o país, é constantemente esperado: encontrei-o duas vezes em jantares.

Ele parece ser um homem de grande conhecimento e guiado por princípios... Pobre M. de Saumeri, o Governador de Chambord, não pode durar muito mais; sua perna está em um estado terrível....”

Resposta de M. de Marigny ao Abade de la Pagerie.

“Versalhes, 2 de setembro de 1758.

“Recebi, Senhor, a carta do dia 12 do corrente mês, que me fizestes a honra de escrever. É fato que o Rei concedeu a M. de St. Germain alojamentos no Castelo de Chambord, e tendes razão em dizer que ele é um homem de mérito. Tive a oportunidade de me convencer disso em várias entrevistas que tive com ele, e benefícios reais podem ser obtidos de seu conhecimento superior.

...”

A seguinte correspondência ocorreu a respeito de algumas habitações ao redor do Castelo de Chambord.

MM. de Saumery, Governador do Castelo, ao Marquês de Marigny.

“Paris, 15 de abril de 1759.

“... Considero que essas dependências servirão como alojamentos para uso dos trabalhadores que o Comte de St. Germain trará para cá para o estabelecimento de sua Manufatura.”

(Em 5 de abril de 1759, foi dada uma ordem para que as referidas dependências fossem alugadas em benefício do Rei; portanto, não parece que M. de St. Germain tenha feito uso delas.)

O Marquês de Marigny ao Comte de St. Florentin.

“Versalhes, 8 de setembro de 1760.

“Senhor,

“Tenho a honra de informar-vos de um incidente que ocorreu no pátio do Castelo de Chambord às dez e meia da noite do dia 26 do mês passado, sendo o principal ator o Sieur Barberet (ou Barberes), que ali está alojado a serviço de M. de St. Germain. Este último passou o ano na Holanda e de lá foi para... (foi uma tentativa deste homem de esfaquear M. Collet com sua espada.)

Conde de St. Florentin ao Marquês de Marigny.

“Versalhes, 15 de setembro de 1760.

“... Estou escrevendo a M. de Saumery, Governador de Chambord, para saber por que o Sieur Barberes, que está a serviço de M. de St. Germain, permanece no Castelo?”

(O Sieur Barberes parece ter tentado reservar para si...)

_ seu próprio uso dois jardins aos quais não tinha título.

M. de Sau-_

--_ mery parece ter sido apoiado por ele em oposição a M. eee) :

M. Collet ao Marquês de Marigny.

- (enviado com relação ao caso Barberes).

=

seguidores para espalhar um boato de que M. de St. Germain está em Paris e pode estar aqui dentro de quinze dias, e que _ o que foi dito sobre ele não será esquecido e

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ag es a Gazette disse propositalmente o que disse... Bee:

APÊNDICE II

Correspondência entre o Duque de Choiseul e o Conde d'Affry a respeito do Conde de St. Germain, dos Arquivos de Paris.

ARQUIVO DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES (PARIS). HOLANDA:

No 557. Fólio 153. Haia, 22 de fevereiro de 1760.

(Recebido em 26 de fevereiro, respondido em 10 de março.)

"Vossa Graça

"M. d'Astier escreve para dizer que há em Amsterdã um certo Conde St. Germain que creio ter passado um longo tempo na Inglaterra e que afeta muitas peculiaridades.

"Ele fala de maneira extraordinária sobre nossas finanças e sobre nosso Ministério, e afeta estar incumbido de uma importante Missão com respeito à posição financeira do País ...." D'AFFRY.

APÊNDICE II.

  zz 

D'Affry ao Duque de Choiseul.

— Em cifra.

No 562. Fólio 200.

ARQUIVO DO ESTADO, HAIA.

7 de março de 1760. a

 Pessoas que vieram aqui de Amsterdã para as festividades (o casamento da Princesa Carolina com o Príncipe de Nassau-Dillenburg), bem como uma carta do Sr. D'Astier que recebi hoje, servem para provar que M. de St. Germain continua a fazer as mais extraordinárias afirmações naquela cidade.

"

a

No 563. Fólio 212-214. Haia, 10 de março de 1760.

"<M. o Duque.

" M. o Conde de S. Germain veio aqui para me ver anteontem; ele me falou em grande parte a mesma linguagem que me disseram que ele usara em Amsterdã.

Ele acabou de sair de minha casa e sua conversa foi sobre o mesmo assunto: ele me disse em primeiro lugar que não poderia me dar um quadro suficientemente triste do estado de nossas finanças: que ele nutria um certo esquema (o casamento da Princesa Clementina Carolina) para recrutá-las e, em uma palavra, que ele salvaria o reino.

Deixei-o falar o quanto quisesse, e ~ quando ele parou de falar, perguntei-lhe se o Controlador-Geral sabia desse esquema? Ele disse "não" e aproveitou a oportunidade para me contar muito mal do predecessor do Sr. Bertion.


Ele me pareceu ser especialmente inimigo dos Srs.

Paris de Montmartel e Du Verney.

Ele me disse que estava intimamente ligado ao Sr. Marechal de Belleisle e me mostrou duas cartas dele que recebera desde que viera para a Holanda, nas quais o Sr. de Belleisle lhe fala graciosamente do ardor de seu zelo, mas elas continham meras generalidades e nenhum detalhe específico.

"Confessei ao Sr. de St. Germain que não compreendia inteiramente seu esquema, e ele admitiu por sua vez que o explicava mal e disse que me traria o plano dele amanhã.

Perguntei-lhe o que sua viagem à Holanda tinha a ver com esse esquema; ele não me respondeu muito claramente ao ponto, mas disse-me que seu objetivo em geral era assegurar para nós o crédito dos principais banqueiros de lá.

"Terei a honra de vos reportar na próxima sexta-feira, Sr. Duque, o que o Sr. de St. Germain possa ter dito e comunicado durante o dia de amanhã.

Não sei se tudo o que ele divulga se fundamenta na mais exata verdade, mas ele certamente sustenta noções muito extraordinárias."

11 de março.

"O Sr. de St. Germain me comunicou seu esquema, que é conhecido e até recomendado pelo Sr. Bertin.

Enviar-vos-ei um relatório na próxima sexta-feira de nossa conversa sobre este assunto..." D'AFFRY.

Fólio 217.

- Haia, (Recebida em 18 de março. Respondida no dia 20.)

14 de março de 1760.

Ao Sr. Duque,

"Vi o esquema de que o Sr. de St. Germain me havia informado. Devolvi-lho, e aproveitarei a primeira oportunidade para lhe dizer que assuntos dessa natureza nada têm a ver com o Ministério com o qual tenho a honra de estar vinculado.

Não poderia me intrometer neles a menos que assim me fosse ordenado, e que se desejasse que eu me empenhasse em encontrar crédito para os fundos de Sua Majestade em Amsterdã ou em outras cidades da Holanda.

Creio ter descoberto a causa da antipatia do Sr. de St. Germain para com os Srs. Paris de Monmartel e Duverney, no artigo 11 ou 12 do projeto de Edito, que declara que haverá uma "conta de caixa". Como este artigo me chamou a atenção à primeira leitura, comentei com o Sr. de St. Germain que essa "caixa" poderia se revelar um tesouro imenso para aqueles que a administrassem. Ele respondeu vivamente que se os Srs.

Paris | 3 foram autorizados a se tornar mestres dela, logo se tornariam também de todas as finanças do reino, e que — ele havia vindo à Holanda unicamente para completar a formação de uma Companhia adequada à responsabilidade deste Fundo; 'caso em que penso que ele ficaria aborrecido ao vê-la "passar para outras mãos que não as de seus associados, se este

e SN

"esquema fosse adotado.

""M. de St. Germain me disse que M. 'Bentinck de Rhoone havia se queixado a ele da minha reserva para com ele, e_

'192 O CONDE DE ST. GERMAIN

que eu nunca falava com ele sobre assuntos de negócios.

Ele acrescentou que M. Bentinck lhe assegurara que ninguém era menos inglês do que ele, que era um verdadeiro Patriota e mais francês do que eu acreditava.

Respondi a M. de St. Germain com lugares-comuns gerais, de modo a fazê-lo perceber, no entanto, que achava estranho que M. de Bentinck lhe tivesse dado essa incumbência, e mais estranho ainda que ele a tivesse aceitado. Considerei meu dever relatar-lhe tudo o que se passou entre este homem e eu."' D'AFFRY.

Fólio 239.

Versalhes, 19 de março de 1760. Sits =

""Envio-lhe uma carta de M. de St. Germain à Marquesa de Pompadour que, por si só, bastará para expor a absurdidade do personagem; ele é um aventureiro de primeira ordem, que é, além disso, até onde tenho visto, excessivamente tolo.

Rogo-lhe que, imediatamente ao receber minha carta, convoque-o à sua casa, e lhe diga de minha parte que não sei como o Ministro do Rei encarregado do Departamento de Finanças

verá sua conduta com relação a este objeto, mas que — quanto a mim — você está ordenado a adverti-lo de que, se eu souber que, perto ou longe, em muito ou em pouco, ele escolhe se intrometer em Política, asseguro-lhe que obterei uma ordem do Rei para que, ao retornar à França, seja colocado pelo resto de seus dias em um calabouço subterrâneo!

APÊNDICE II.

"Você acrescentará que ele pode estar bem certo de que essas minhas intenções a seu respeito são tão sinceras quanto certamente serão executadas, se ele me der a oportunidade

de cumprir minha palavra.

" Após esta declaração, você lhe pedirá que nunca mais ponha os pés em sua casa, e será bom que você torne público e conhecido de todos os Ministros estrangeiros, bem como dos Banqueiros de Amsterdã, o cumprimento que lhe foi ordenado fazer a este insuportável aventureiro.

"

Fólio 215.

— Carta do Conde de St. Germain à Marquesa de Pompadour.

11 de março de 1760. “Senhora,

‘“ Minha pura e sincera afeição pelo bem-estar de vossa estimada Nação e por vós mesma não apenas permanece inalterada em qualquer parte da Europa em que eu esteja, mas não deixarei de manifestá-la a vós em toda a sua pureza, sinceridade e força.

Encontro-me agora em Haia, hospedado com o Sr. Conde de Bentinck, Senhor de Rhoone, com quem estou intimamente ligado.

Tenho sido tão bem-sucedido que não creio que a França possua amigo mais judicioso, sincero e firme.

Ficai certa disso, Senhora, o que quer que ouçais em contrário.

OAKLEY — O Conde de St. Germain.


“Este cavalheiro é todo-poderoso aqui, bem como na Inglaterra, um grande Estadista e um homem perfeitamente honesto.

— Ele é absolutamente franco comigo. Falei-lhe da encantadora Marquesa de Pompadour com a plenitude de um coração cujos sentimentos para convosco, Senhora, há muito vos são conhecidos e são certamente dignos da bondade de coração e da beleza de alma que os originaram.

Ele ficou tão encantado com eles que está inteiramente arrebatado: em uma palavra, podeis confiar nele como em mim mesmo.

“Penso, com boa razão, que o Rei pode esperar grandes serviços dele, considerando seu poder, sua retidão e sinceridade.

Se o Rei julgar que minhas relações com ele podem ser de alguma ajuda, não pouparei meu zelo de nenhuma forma para o seu serviço, e meu voluntário e desinteressado apego à sua sagrada pessoa deve ser-lhe conhecido.

Vós conheceis a lealdade que vos jurei, Senhora: ordenai, e sereis obedecida.

Podeis dar Paz à Europa sem a morosidade e as dificuldades de um Congresso; vossas ordens chegarão a mim em perfeita segurança se as dirigirdes aos cuidados do Sr. Conde de Rhoone, em Haia, ou, se preferirdes, aos cuidados dos Srs.

Thomas e Adrian Hope, com quem resido em Amsterdã.

O que tenho a honra de vos escrever parece-me tão interessante que muito me repreenderia se guardasse silêncio sobre isso para convosco, Senhora, de quem nunca ocultei e jamais ocultarei nada.

Se não tiverdes tempo de me responder pessoalmente, suplico-vos que o façais por meio de alguma pessoa segura e digna de confiança; mas não perca um momento, imploro-vos, por toda a afeição, todo o amor que tendes ao melhor e mais digno dos Reis.

— APÊNDICE II.

P.S. Suplico-lhe, Madame, que tenha a bondade de interessar-se pelo julgamento sobre a captura do «Ackermann», o mais injusto e escandaloso que já ocorreu no mar: tenho um interesse nisso que chega a

- Dunquerque estão incumbidos de exigir a restituição do navio.

Peço-lhe mais uma vez que se faça justiça

- você prometeu no verão passado não permitir que nos fosse feita injustiça.

Nº 567. Fólio 245- Haia, 21 de março de 1760. (Respondido em 31 pelo Sr. d'Affry).

“Senhor Duque,

“O Comte Rhoone de Bentinck não apenas me informou por meio do Sr. de St. Germain, mas também fez com que me dissessem por outras pessoas o quanto ele desejava associar-se a mim, e da maneira mais urgente; respondi que, não tendo tido até agora nenhuma ligação com ele, parecia-me inútil começá-la, que eu estaria, no entanto, sempre pronto a formar uma com pessoas que, como bons patriotas holandeses, considerassem bom para seu país cultivar a amizade e a boa vontade de Sua Majestade; que eu sabia que ele (Sr. de Bentinck) sempre havia descartado esses princípios, tão desejáveis para seu país e para si mesmo, e que sua conversão a esse respeito exigiria provas que durassem mais do que ele gostaria de tentar; ele foi informado de minha resposta e não ficou desencorajado com ela.


“Senti-me obrigado a informar o Pensionário, Sr. de Selingulande (?) e o Conde de Hompesch. Eles me disseram que o Sr. de Bentinck apenas desejava aproximar-se de nós para renovar seu crédito aqui e na Inglaterra, onde está sempre em queda, e que ele provavelmente desejava ser nomeado um dos plenipotenciários no futuro Congresso da República.”

Fólio 285. Versalhes, 31 de março de 1760. “Sr. Conde d'Affry,

“Com base no relatório, Senhor, que fiz ao Rei sobre os passos indiretos que o Sr. Conde de Bentinck tomou para induzi-lo a entrar em algumas negociações especiais com ele, Sua Majestade me ordena informá-lo de que seu desejo é que você se limite, como tem feito até agora, com respeito ao Sr. de Bentinck, dentro dos limites da cortesia adequada...”

Nº 573. Fólio 294- Haia, 3 de abril de 1760. “Ao Sr. Duque:

... Tenho razões para crer que M. de Bentinck, não vendo mais M. de St. Germain vir à minha casa, e sabendo que o desacreditei abertamente, está pronto a desautorizá-lo e a dizer que só continua a ver esse aventureiro porque é uma espécie de tolo que o diverte, mas os Chefes Republicanos conhecem M. de Rhoone demasiado bem para não perceberem que ele teria aproveitado, e com avidez, as propostas que o tal sujeito se incumbiu de lhe fazer, se tivessem sido aceitas.

D'Affry.

No. 576. Fólio 304.

Haia, 5 de abril de 1760. (Respondida com o No. 207).

"M. o Duque,

"Respondo hoje à carta que tivestes a honra de me escrever no dia 19 do mês passado a respeito de M. o Conde de St. Germain. Não pude fazê-lo antes, porque a conduta indiscreta (para não dizer mais) deste aventureiro pareceu-me exigir uma investigação minuciosa antes de a relatar a vós, mas esta conduta é tal que considero meu dever levá-la ao conhecimento de Sua Majestade.

"No dia seguinte ao recebimento de vossa carta, M. de St. Germain, que chegara de Amsterdã, veio ver-me. Veio com o Cavaleiro de Bruhl e M. de Kauderbach, e disse-me que esses senhores o levariam para ver o Conde de Golofkin em Riswick, onde eu também deveria ir. Disse a M. de St. Germain que desejava falar-lhe antes de ele partir, e comuniquei-lhe imediatamente o essencial do que me havíeis escrito sobre seu esquema. Ele ficou consternado com isso, e terminei minha conversa com ele pedindo-lhe que viesse à minha casa às 10 horas da manhã seguinte. No momento seguinte, comuniquei a M. de Kauderbach o conteúdo de vossa carta, o que o determinou de imediato a não levar M. de St. Germain a Riswick.

"M. de St. Germain não veio à minha casa, e como acreditei que o que eu lhe explicara muito claramente seria suficiente para torná-lo prudente, e até mesmo para decidí-lo a deixar o país, não considerei que devesse instá-lo a voltar à minha casa, e que bastava ter comunicado aqui o que me havíeis escrito aos principais Ministros da República e a alguns Ministros estrangeiros, e ter escrito a M. d'Astier em Amsterdã para advertir os principais Banqueiros a se precaverem contra as propostas que M. de St. Germain pudesse lhes fazer.

"M. d'Astier informou-me que os Senhores

Thomas. e Adrian Hope, entre outros, ficaram muito aborrecidos e envergonhados por tê-lo hospedado, e que aproveitariam a primeira oportunidade para se livrarem dele, mas os dois pacotes que você teve a bondade de me encaminhar do Sr. Marechal de Belleisle pareceram-me mostrar que este homem não estava seguindo as instruções que lhe dei, e que ele poderia nos envolver em novas dificuldades.

Recebi essas cartas na terça-feira. Mandei chamar o Sr. de St. Germain para vir à minha casa na quarta-feira de manhã; ele não veio, e anteontem, quinta-feira, o Sr. de Brunswick, na presença dos Srs. Goloffkin e de Reischach, e depois de lhe ter comunicado as nossas contra-declarações, disse-me que soubera que Sua Majestade teve a bondade de ordenar que me fossem enviadas as cartas que o Sr. de S. Germain havia escrito para Versalhes, e que eu provavelmente receberia outras em breve, pois sabia que o Sr. de St. Germain havia escrito algumas – muito longas – desde que eu lhe proibira minha casa, mas que ele se recusara terminantemente a vê-lo; que ele – no entanto – soubera que ele havia visto outros além dele, e que o sujeito ainda estava tramando intrigas aqui! Que – se não era acusado de nada, ainda assim era um personagem muito perigoso em nossos tempos e lugar, e que um homem de tamanha desfaçatez poderia embaraçar e atrasar uma negociação em um único passo.

Então pensei que devia falar, e disse ao Príncipe Luís que estava plenamente autorizado a declarar a ele e aos Srs. de Goloffkin e de Reischach que o Sr. de St. Germain era um homem absolutamente desautorizado por nós, e que nenhuma confiança ou crédito deveria ser dado a qualquer coisa que ele pudesse dizer sobre nossos assuntos ou nosso Governo.

Disse ainda ao Sr. de Brunswick que, quando tivesse oportunidade, talvez naquele mesmo dia, de ver o Sr. Yorke, pedia-lhe encarecidamente que fizesse a mesma declaração a ele por mim. Também a fiz ontem de manhã ao Pensionário e ao Registrador.

Ao voltar de Riswick, na noite de anteontem, mandei pedir ao Sr. de St. Germain que me fizesse uma visita. Não o encontraram em casa: enviei-lhe um cartão de convite para vir até mim aqui ontem de manhã às oito horas. Fui obrigado a mandar procurá-lo novamente, e ele veio por fim.

Não achei que devesse transmitir-lhe as cartas de M. Belleisle, por medo do mau uso que pudesse fazer delas, mas disse-lhe que M. o Marechal me havia dito, por ordem expressa do rei, que eu deveria ouvir tudo o que ele tivesse a me dizer. Perguntei-lhe se havia propostas relativas às nossas tropas, e ele respondeu "não".

Perguntei-lhe se concerniam à nossa Marinha ou às nossas finanças?


E novamente ele disse "não", ao que respondi que só poderiam ser políticas, e então li para ele tudo o que me escrevestes sobre o destino que o aguarda se retornar à França.

A princípio, ele afetou grande indiferença; depois expressou espanto diante do tratamento com que um homem como ele era ameaçado, mas pareceu-me, por fim, perturbado com isso. Como, no entanto, não me pareceu resolvido a abandonar os esquemas que sua inquietação sugeria, adverti-o novamente, com muita seriedade, ao nos despedirmos, de que, se escolhesse intrometer-se de qualquer maneira nos assuntos e interesses de Sua Majestade, eu o reportaria a vós, e diria publicamente aqui que tudo o que ele havia apresentado era absolutamente repudiado por Sua Majestade e por Seu Ministério.

Fui imediatamente cumprir meu compromisso com o Sr. Yorke, após ter resolvido o assunto que vos reportei em meu despacho sob o nº 575. Perguntei ao Sr. Yorke se M. de St. Germain estivera em sua casa. Ele me disse que lá estivera duas vezes; que na primeira visita lhe falara da Paz, e que ele respondera apenas com generalidades sobre o sincero desejo da Inglaterra de ver o fim da Guerra; disse que na segunda visita, ele, Sr. Yorke, tornara-se mais reservado, pois então sabia que minha casa fora proibida a M. de St. Germain.

Acrescentou que o Duque de Newcastle lhe escrevera com referência ao relato que ele dera da primeira visita desse homem, dizendo que ele poderia informá-lo em resposta que propostas de paz por parte da França seriam sempre bem-vindas em Londres, por qualquer canal que viessem, mas não sei se o Sr. Yorke comunicou essa resposta a ele.

- APÊNDICE II.

"Rogo-vos, M. o Duque, que comuniqueis este despacho a M. o Marechal de Belleisle, e estou muito certo de que ele cessará toda correspondência com um homem cuja conduta é tal como vos descrevi.

Acrescento aqui um pacote para M. de Belleisle por expresso particular, no qual lhe devolvo, com minha carta, as duas cartas.

que ele me enviara para M. de St. Germain.

—

“TIT deve informar-lhe ainda que M. de St. Germain tem a audácia de afirmar em toda parte, e até mesmo de me dizer que Sua Majestade teve a bondade de lhe conceder Chambord, nos mesmos termos concedidos ao falecido M. le Maréchal de Saxe, exceto as rendas... as quais, disse ele, não teria desejado possuir.”’ D’AFFRY.

  

No 578. Fólio 312. Haia, 8 de abril de 1760. (Recebida

12. Respondida

24. N.° 209).

‘<M. le-Due,

“Fui informado ontem de que, embora M. de St. Germain continuasse a ver M. de Bentinck de Rhoone, eu poderia estar certo de que M. de St. Germain dissera que eu não poderia deixar de cumprir os vossos desejos; que ele sabia que vós não gostáveis dele, mas que, se vós tínheis um lugar no Conselho de Sua Majestade, ele também tinha o mesmo!

Respondi que afirmações tão absurdas não poderiam enganar ninguém,

e que consideraria indigno do meu Ministério contradizê-las.

Esta informação foi-me dada por um dos Chefes Republicanos que, na verdade, é inimigo de M. de Bentinck, mas a quem sempre conheci como

um homem honrado.

ity Por dan

O CONDE DE ST. GERMAIN ©

“M. de St. Germain está absolutamente desacreditado, e ele não encontrará crédito aqui junto a nenhum Ministro Estrangeiro ou Ministro da República; mas considerei meu dever informar-vos de tudo isto, porque este homem pode causar falsas impressões, e tais que seriam desvantajosas para nós, quanto a uma pretensa divisão em nosso Ministério, que não existe...” D’AFFRY.

  

No 206. Versalhes, 11 de abril de 1760.

“Ao M. le Comte d’Affry.

“Responderei primeiro, Senhor, às cartas que tivestes a honra de me escrever no dia 3 do corrente, quanto aos diferentes objetos dos Despachos que formaram a correspondência que vos foi enviada pelos meus últimos correios...

“Vós vistes, Senhor, pela carta especial que tive a honra de vos escrever acerca de M. de St. Germain, a opinião que sustentava sobre esse insuportável aventureiro; asseguro-vos que todos os Ministros de Sua Majestade partilham da mesma opinião que eu, e o Rei me ordenou que vos dissesse expressamente não apenas para desacreditardes, da maneira mais humilhante e enfática, por vossas palavras e por vossas ações, esse suposto Conde de St. Germain, entre todos aqueles que possais suspeitar de conhecer esse patife em todo o Domínio das Províncias Unidas, mas Sua Majestade deseja ainda que, pela amizade dos Estados Gerais para convosco, providencieis que esse sujeito seja preso, de modo que possa ser transportado para a França e punido conforme a gravidade de sua ofensa.

É do interesse de todos os Soberanos e da Fé Pública que essa espécie de insolência seja reprimida, que, sem autoridade alguma, escolhe intrometer-se nos assuntos de um Poder como a França.

Penso que o caso em questão deve ser considerado como pelo menos tão “privilegiado” quanto aqueles que normalmente exigem a reclamação e a extradição de um malfeitor.

Assim, o Rei tem razão de esperar que, por vossa declaração, esse M. de St. Germain seja preso e conduzido sob escolta segura a Lille.

Confesso que vos considerei muito indulgente para com ele, e que talvez eu não tivesse sido prudente o bastante para deixar de lhe ordenar uma boa sova após a última conversa que tivestes com ele.

O que ele vos disse sobre Chambord é uma impostura do mais alto grau.

Em suma, Senhor, o Rei quer absolutamente que esse aventureiro seja desacreditado e difamado nas Províncias Unidas, e que, se possível, seja punido como sua tentativa merece.

Sua Majestade me encarregou estritamente de vos solicitar, por sua autoridade, que deis a este assunto vossa melhor atenção.

P.S. — Não seria possível, além do pedido aos Estados Gerais para a prisão desse St. Germain, inserir um artigo na Gazeta Holandesa que marcasse esse patife de uma vez por todas? E que servisse de exemplo a todos os impostores que desejem imitá-lo? O Rei, ademais, aprovou essa medida, e vós a executareis plenamente, se a considerardes possível.

204 O CONDE DE ST. GERMAIN

Nº 581. Fólio 357. Haia, 17 de abril de 1760. (Respondido em 24. Nº 2091 — M. le Comte d'Affry). “M. Je Duc,

““Considerei meu dever adiar até hoje a devolução do expresso que me enviastes, para que pudesse relatar-vos mais plenamente a maneira pela qual tentei cumprir as ordens de Sua Majestade a respeito do assim chamado Conde de St. Germain.

Ontem, visitei o Pensionário, a quem li tudo o que me fizestes a honra de escrever-me acerca deste aventureiro imprudente, e exigi dele a prisão e a extradição em nome de Sua Majestade.

“Ele pareceu embaraçado com isso, mas, não obstante, prometeu-me fazer tudo o que dependesse dele no assunto.

“O Duque de Brunswick disse-me que não podia intervir no caso, mas que nos apoiaria em tudo o que pudesse facilitá-lo, e que eu bem sabia o quanto ele próprio desejava que tal indivíduo fosse desmascarado.

“O Registrador disse-me que não duvidava de que este homem nos seria entregue, mas que, como M. de Bentinck é o Chefe do Comitê de Rade (?) e este assunto deveria ser considerado ali, durante a ausência dos Estados da Holanda, temi imediatamente que a fuga de M. de St. Germain fosse facilitada, e o que temi aconteceu.

““Esperava notícias deste assunto ontem de manhã, quando M. de Kauderbach veio me visitar. Perguntou-me se eu

APÊNDICE II. 205.

sabia da partida de M. de St. Germain? Disse-lhe que não; informou-me que, na noite anterior, entre 7 e 8 horas, M. de Bentinck estivera na casa deste aventureiro, que dela saíra novamente antes das 9 horas, que então M. Pieck de Zoelen ali chegara, que não permanecera muito tempo, que depois M. de Bentinck voltara entre 9 e 10, e que ali permanecera até depois da meia-noite; que M. de St. Germain se deitara, e que às 5 horas da manhã tomara seu chá, e que um lacaio de M. de Bentinck aparecera à porta com uma carruagem alugada de quatro cavalos, na qual este patife subiu, mas o estalajadeiro não pôde

dizer que caminho tomara, nem pôde afirmar se o lacaio de M. de Bentinck fora com ele.

““Esta partida foi tão apressada que ele deixou na casa do estalajadeiro sua espada e seu cinto.

e um pacote de “coepeaux” (?) seja de prata ou de estanho, e algumas garrafas de uma licor desconhecido.

Contive-me o suficiente para ocultar de M. de Kauderbach a indignação.

que senti pela conduta de M. de Bentinck.

Não lhe disse nada sobre minhas ordens a respeito da reivindicação e da extradição.

Simplesmente perguntei se ele estava certo de todos os pormenores que acabara de me dar. Ele me disse que os obtivera do próprio senhorio de M. de St. Germain, que era um saxão.

Ele sugeriu enviá-lo a mim. Mandamos buscá-lo; ele veio e confirmou tudo o que M. de Kauderbach me contara.

“Quando M. de Kauderbach saiu de minha casa, enviei um pedido ao Pensionário para que me permitisse vê-lo; ele só havia voltado para casa de um grande jantar ao qual estivera presente às 7 horas, e adiou minha visita até esta

a manhã às 9 horas. Fui até ele e perguntei-lhe o que


havia acerca do caso de M. de St. Germain. Ele respondeu que sozinho não podia assumir a responsabilidade, que era absolutamente necessário que eu apresentasse uma memória “a M. de Bentinck, Presidente do Comitê de Rade; que ele pensava que este Tribunal decidiria sobre a

prisão de M. de St. Germain, mas não sobre sua extradição —

antes de ser autorizado a fazê-lo pelos Estados da Holanda ‘em sua próxima Convocaçao.

Respondi que certamente não apresentaria uma memória a M. de Bentinck, e que lhe diria o porquê.

Então contei-lhe os pormenores da partida de M. de St. Germain e do que a precedeu, exceto as circunstâncias que poderiam comprometer

_ o Anfitrião, e contei-lhe esses detalhes de uma maneira a fazê-

lo acreditar que eu havia descoberto as idas e vindas -de M. de Bentinck na casa, e a aparição de seus lacaios contratados com: a carruagem, apenas através da vigilância cuidadosa de meus espiões.

Ele me pareceu estar honestamente indignado com tudo o que ouvia.

Disse que, já que a fuga do aventureiro fora favorecida por Haia, ele talvez tivesse buscado refúgio em Amsterdã, e que eu iria escrever ao nosso Comissário da Marinha, M. d’Astier, para solicitar que esse canalha fosse preso em nome

de Sua Majestade, e detido sob guarda segura até que eu recebesse ordens finais.

De fato, escrevi-lhe a carta da qual agora anexo uma cópia.

Disse então ao Pensionário que, como o aventureiro poderia refugiar-se em alguma outra Província dos Estados Gerais, eu deveria imediatamente solicitar a permissão de Sua Majestade para apresentar uma Petição pública a Suas Altas Potências, e que se a Província da Holanda em particular, ou qualquer outra, recusasse esse ato de justiça ou

APÊNDICE II.

=

—e em qualquer outro lugar, ele nos seria entregue diretamente. A paz foi declarada.

Este último ponto pareceu-me embaraçar o Pensionário consideravelmente, e não me surpreenderia se ele fosse preso em Amsterdã mediante nossa requisição, mas estou convencido de que ele não estará lá, e que já terá alcançado a fronteira da República.

A Memória que peço permissão para apresentar aos Estados Gerais, e da qual anexo o rascunho, poderá, se Sua Majestade a aprovar, aparecer em todas as Gazetas, e lançará sobre este aventureiro uma mancha da qual ele jamais se recuperará. É uma espécie de condenação extrajudicial que o marcará por toda a Europa.

“Creio que o patife esteja muito apertado por dinheiro. Ele tomou emprestado do judeu ‘Boas’ dois mil florins, pelos quais depositou com o judeu três opalas, verdadeiras ou falsas, em um papel selado. Os dois mil florins deveriam ser pagos no dia 25 do corrente, e Boas disse ontem ao Sr. de Kauderbach que, se a letra de câmbio pelo dinheiro não chegasse no dia 25, ele colocaria essas opalas em leilão público.

Agirei com relação ao Sr. de Bentinck conforme desejaste em tua última carta, a menos que Sua Majestade me dê novas ordens a esse respeito, e se eu o encontrar um dia destes, falarei com ele sobre o Sr. de St. Germain e sua partida, sem me comprometer, mas de modo a forçá-lo a desavowar inteiramente sua conduta e sua ligação com este aventureiro.” D’AFFRY.


Fólio 384.

Carta do Sr. Conde d’Affry, de 17 de abril de 1760, ao Sr. ad Astier em Amsterdã.

“O suposto Conde de St. Germain, Senhor, a quem vistes em Amsterdã e que de lá foi enviado para cá, é um aventureiro e impostor.

“Ele teve a impudência, sem qualquer autoridade ou comissão de Sua Majestade ou de Seu Ministério, de ocupar-se em trabalhar e negociar sobre os mais importantes interesses de Sua Majestade e do Reino.

Após meu relatório disso ao Rei, e após as cartas que ele próprio escreveu a Versalhes, Sua Majestade expediu ordens a mim para a reclamação deste impudente impostor e para que eu exigisse sua extradição, para ser enviado a nós.”

“Como ele partiu subitamente de Haia ontem de manhã, e pode estar talvez em Amsterdã, autorizo-vos, neste caso, e ordeno-vos em nome de Sua Majestade, que imediatamente exijais da Magistratura de Amsterdã a prisão desse impostor e sua detenção em custódia segura e firme até que tenhamos acordado sobre o método de transportá-lo para os Países Baixos Austríacos, para ser dali levado à primeira de nossas fortificações.

“Anexo uma carta para os Srs.

Horneca (?) e Cia., na qual lhes peço que sejam fiadores para vós nas despesas que esta comissão possa exigir, pelas quais respondereis em meu nome e sob a garantia desses senhores.

”

APÊNDICE I.

% Rascunho aproximado de memorial a ser apresentado aos Estados Gerais para a exposição do suposto Conde de St. Germain e para exigir sua prisão e extradição.

“Altos e Poderosos Senhores,

“Uma pessoa desconhecida que se intitula o Conde de St. Germain e a quem o Rei, meu senhor, graciosamente concedeu asilo em seu reino, abusou dele.

“Ele veio há algum tempo à Holanda, e recentemente a Haia, onde, sem autorização de Sua Majestade ou de Seu Ministério, e sem qualquer comissão, este indivíduo indiscreto escolheu anunciar que estava autorizado a discutir os assuntos de Sua Majestade.

O Rei, meu senhor, dá-me ordens expressas para tornar isso conhecido de vossas Altas Potências, e publicamente, para que ninguém em vossos domínios seja enganado por tal impostor.

Sua Majestade autoriza-me ainda a proclamar este aventureiro como um homem sem autorização, que se aproveitou do asilo concedido pelo Primeiro Ministro para se intrometer no governo do País, com tanta impropriedade quanto ignorância, e declarando falsa e audaciosamente que estava autorizado a tratar dos interesses mais essenciais do Rei, meu senhor.

“Sua Majestade não duvida que vossas Altas Potências lhe farão a justiça que ele tem o direito de esperar de vossa amizade e equidade, e que dareis ordens para que o suposto ‘Conde de St. Germain’ seja preso e levado sob escolta segura a Antuérpia, para ser dali enviado à França.

OAKLEY = O Conde de St. Germain.


“Espero que vossas Altas Potências me concedam este pedido sem demora.

”

Nº 209. Fólio 377.

Versalhes, 24 de abril de 1760. Ao Sr. d’Affry

“Recebi, Senhor, todas as cartas que vós

fizeram-me a honra de escrever-me, e das quais a última,

N.° 582 (5812), é do dia 18 do corrente.

“O Rei aprova, Sr., que apresenteis aos Estados Gerais o Memorial de que me enviastes o rascunho, concernente ao assim chamado Conde de St. Germain...”

No 584. Receb.

29 (Respondido em 1º de Maio.)

Haia, 25 de Abril de 1760. SOM es ite:

“Acredita-se que o assim chamado Conde de St. Germain tenha ido para a Inglaterra; sou até informado de que o medo de ser preso o perturbou tanto que ele não ousou permanecer na cidade de Helvoetsluys (?) e se refugiou imediatamente a bordo de um paquete, no qual permaneceu até o momento de sua partida, sem

querer pôr os pés em terra.

Outros acreditam que ele seguiu para Utrecht, de onde deve ter alcançado a Alemanha.

“A linha de conduta que M. Bentinck de Rhoone tem mantido com este aventureiro é agora notória, e ainda mais diminui seu crédito em todas as classes do Estado.

_> .APÊNDICE II. -

Um dos principais republicanos me deu a tradução_

que aqui anexo de uma passagem do segundo volume

da história do País, que acaba de aparecer.

Vereis por ela, Sr., que se tenta

desmascarar M. de Bentinck, não apenas diante daqueles que compõem o Governo, mas também na classe burguesa

e entre o povo, por meio de um livro holandês que

é geralmente lido nas Sete Províncias.

A indecência

com que ele se esforçou para se tornar agradável ao

povo na época da Revolução é uma coisa que nós

jamais poderemos esquecer.” D’AFFRY.

  % 

No 585. Fólio 388. Haia, 27 de Abril de 1760. (Respondido

em 10 de Maio, M. d’Affry).

““Sr. Duque,

“ Um Professor de matemática na Universidade de Leyden, chamado Alaman, e que é o homem mais intimamente ligado neste país a M. Bentinck de Rhoone, veio me ver ontem sob o pretexto de repetir o convite que uma vez me fez para ir jantar com ele e ver as coleções de máquinas e de História Natural das quais ele tem cuidado, mas ele realmente só me visitou para falar sobre M. de Bentinck.

Ele começou por me perguntar se eu conhecia um homem chamado Ligniéres que se dizia um cavalheiro de Franche Comté, e que viera aqui acompanhado por um suíço, chamado Vivet, para introduzir uma máquina para escavar os leitos dos rios e limpar os canais? Respondi que este

Um homem havia vindo me ver, e eu lhe perguntara se, como súdito do Rei, ele havia oferecido aquela máquina ao nosso Ministério antes de levá-la a estrangeiros; que Ligniéres me dissera que havia cumprido esse dever, mas que a máquina não fora aceita; que eu não pensava muito bem disso, tanto pelo que Ligniéres me contara quanto pelo que eu sabia dos métodos de força e seu atrito.

Acrescentei que o que me dava a pior opinião sobre esse empreendimento era a proteção dada aos seus promotores pelo Conde de St. Germain, que os havia recomendado a mim.

Alaman me disse que ficava muito contente em ter a oportunidade de obter informações sobre tudo o que dissesse respeito a esse homem célebre, se eu tivesse a bondade de lhas fornecer.

Respondi que nada lhe ocultaria, e então lhe dei toda a história desse aventureiro desde a sua chegada à Holanda, assegurando-lhe que estava convencido de que M. de Bentinck desautorizaria por completo o que tal impostor havia divulgado em seu nome.

Em seguida, dei-lhe um relato detalhado de todas as imposturas que o aventureiro havia praticado aqui.

Ele pareceu surpreso com isso, e não lhe ocultei o quanto eu mesmo estava surpreso com a conduta de M. de Bentinck até o momento da fuga do aventureiro.

M. Alaman fez uma defesa fraca dele nesse ponto e, deixando de lado M. de St. Germain, falou de M. de Bentinck exatamente como M. de St. Germain havia feito, dizendo-me, entre outras coisas, que M. de Bentinck, em toda a sua conduta, não tivera outro objetivo senão os interesses e o bem-estar do país; que meu afastamento em relação a ele se devia apenas ao fato de eu conhecê-lo somente pelos relatos de seus inimigos, e que, se eu tomasse medidas para travar conhecimento pessoal com ele, em breve abandonaria meus preconceitos contra ele.

Respondi que, no início da minha residência aqui, eu havia me esforçado para travar conhecimento com M. de Bentinck, e isso é a pura verdade, mas que ele sempre recusara as aproximações que eu fizera, e confessei que elas não duraram muito, pois logo percebi que ele não correspondia a elas.

“Disse ainda que o comportamento de M. de Bentinck por ocasião da partida de M. de St. Germain de Haia não me pareceu demonstrar qualquer sinal do desejo que ele sugeriu de nos obrigar. M. Alaman respondeu que não sabia o que havia ocorrido a esse respeito, mas que podia me assegurar que M. Bentinck tinha um desejo real de me conhecer. Respondi friamente que ele poderia assegurar-lhe que eu sempre teria prazer em lhe demonstrar a cortesia devida a um homem de sua posição e que ocupava um dos mais altos cargos da República.

“Se M. de Bentinck continuar com o desejo de se aproximar de nós, comportar-me-ei exteriormente com ele como Sua Majestade me ordena, mas de tal maneira que os Republicanos não possam se ofender com isso e que M. de Bentinck não possa tirar proveito disso de forma alguma.

“Essa nova atitude dele, vinda de um homem que lhe foi uniformemente devotado nos últimos vinte anos, convence-me de que o suposto Conde de St. Germain realmente falara em seu nome, pois agira muito como Alaman.

“M. de Bentinck sempre se opôs abertamente a nós, e com tanta amargura que é impossível acreditar que o desejo de nos obrigar o faça renunciar aos seus princípios para promover os nossos interesses, e sou fortemente de opinião que tudo o que ele faz para se aproximar de nós se deve meramente ao seu grande desejo e necessidade de manter e aumentar o seu crédito aqui.


“Ele deve sentir que o caminho mais seguro para elevá-lo seria estabelecer relações estreitas com os principais Ministros estrangeiros, que possam estar encarregados de se esforçar para promover a Paz, e penso que, ao contrário, é essencial que sejam dadas aqui instruções para que M. de Bentinck nunca receba de nós qualquer confiança. Considero até necessário, em último lugar, que M. Grimaldi seja informado da conduta de M. de Bentinck e do relato que dela vos fiz, antes de ele deixar Paris para vir para cá.” D’AFFRY.

N.º 586. Fólio 399. Haia, 29 de abril de 1760. ~ (Recebido em 3 de maio. — Respondido em 10 de maio, N.º 212 — M. d’Affry.)

«... Os ventos de oeste retiveram o Correio Inglês em Helvoet até o dia 20. Seguiram-se ventos de leste e nordeste, de modo que as últimas cartas recebidas de Londres são do dia 21. Não poderemos receber notícias da Inglaterra até que cessem estes últimos ventos.

“Recebi as cartas que tivestes a honra de me escrever no dia 24 deste mês.”

Terei a honra de responder a eles até a próxima sexta-feira.

“Aproveitarei a oportunidade para apresentar aos Estados Gerais o Memorial sobre o assim chamado Conde de St. Germain.” D’Affry.

(Aqui termina o primeiro volume 4 (?) 1760).

Nº 221. _ (Aqui começa o segundo volume — maio-agosto.) O Duque de Choiseul a M. d’Affry.

|  Versalhes, 1º de maio de 1760.

“Recebi, Senhor, as cartas que me fizestes a honra de escrever nos dias 21, 22 e 25 do mês passado.

. . . Duvido que o assim chamado Conde de St. Germain tenha ido para a Inglaterra.

Ele é bem conhecido lá para ter qualquer esperança de enganar as pessoas.” Saige ot

  % 

Nº 587. Fólio 5.  Haia, 2 de maio de 1760.  (Respondido em 10, N.º 202. M. le Cte. d’Affry).

ee M. le Duc,

| ““Agora respondo às duas cartas com que me honrastes, de 24 do mês passado, sob os Nºs. Hed ‘e 209. Ontem de manhã executei as ordens de Sua Majestade, entregando ao Presidente da (semana?) o Memorial do qual anexo cópia.

Este Memorial foi aceito ad referendum por todas as Províncias, sob o pretexto de que M. de St. Germain não estando mais aqui, bastava que cada Província fosse informada da exigência de Sua Majestade, caso este aventureiro reaparecesse em qualquer uma das Províncias.

Parece-me que isso é realmente suficiente, já que este sujeito não está mais aqui, e como a publicação do meu Memorial nas gazetas o desacredita em toda parte, e para sempre; portanto, deixarei o assunto de lado, se Sua Majestade não me enviar novas ordens sobre o assunto.

“ O vento variou desde anteontem, - mas voltou ao ponto do nordeste; de modo que ainda não temos notícias da Inglaterra . . .” D’AFFRy.

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Fólio 8.

- Memorial apresentado por M. d’Affry aos Estados Gerais, a fim de desmascarar o assim chamado Conde de St. Germain, e de reclamá-lo em nome do Rei.

“ Uma pessoa desconhecida que se apresenta pelo nome de ‘Conde de St. Germain’, e a quem o Rei, meu senhor, generosamente deu abrigo em Seu Reino, abusou deste favor.

“ Ele veio há algum tempo para a Holanda, e recentemente para Haia, onde, sem autoridade de Sua Majestade ou de Seu Ministério, e sem qualquer comissão, o sujeito atrevido teve a ideia de anunciar que estava autorizado a negociar nos assuntos de Sua Majestade.

“O Rei, meu senhor, ordena-me expressamente que isto seja dado a conhecer a Vossas Grandes Potências, e publicamente, para que ninguém em vossos domínios possa ser enganado por este impostor.

‘Sua Majestade ordena-me ainda que reivindique este aventureiro como um homem não autorizado que abusou no mais alto grau do abrigo que lhe foi concedido, intrometendo-se e discutindo o Governo do Reino, com tanta impropriedade quanto ignorância, e afirmando falsa e audaciosamente que estava autorizado a tratar dos mais importantes interesses do Rei, meu senhor.

APÊNDICE IL.

“Sua Majestade não duvida que Vossas Grandes Potências administrarão a justiça que Ele tem o direito de esperar de vossa amizade e equidade, e que dareis ordens para a prisão do assim chamado Conde de St. Germain e sua remoção sob escolta segura para Antuérpia, para ser dali levado à França.

“Espero que Vossas Grandes Potências me concedam este pedido sem demora.”

Emitido em Haia, 30 de abril de 1760.

Assinado — L. C. D’Arry.

Nº 588. Fólio 11.

Haia, 5 de maio de 1760. “Senhor Duque,

“... Eu apelei ao Pensionário, solicitei-lhe que removesse esta dificuldade — [trata-se de uma questão de canhões e munições enviados da Suécia para Amsterdã]. Ele não se atreveu a empreendê-la e declarou-me constantemente que era necessário que eu apresentasse um Memorial ao Comitê de Rade, e que o enviasse a M. de Bentinck, que está à sua frente. O Registrador disse-me o mesmo, e eu havia ido ao último Ministro para saber o que havia acontecido em relação ao Memorial que eu havia apresentado contra o assim chamado Conde de St. Germain.

M. de Bentinck veio juntar-se a mim; aproveitei esta oportunidade para dizer, diante dele, tudo o que pensava deste aventureiro: cheguei mesmo a dizer que ele havia comprometido a mim em suas cartas, e que eu estava plenamente persuadido de que não era autorizado

Bee ge EAP Ere codon ME eo por ele, mas nada lhe disse do que eu sabia que ele havia feito para apoiar o homem antes de sua partida.


M. de Bentinck não respondeu e permaneceu muito embaraçado.

Falei então do Memorial que eu tinha de enviar-lhe, e nada poderia ser melhor do que a maneira como ele falou disso.

Fui vê-lo no dia seguinte; ele me recebeu em seu grande apartamento e deu-me as mais cordiais boas-vindas.

Ele me disse que o que eu exigia

não levantaria a menor dificuldade, e de fato recebi naquele mesmo dia a ordem do Comitê de Rade não apenas para permitir a passagem de nossa Artilharia, mas também para a devolução imediata do dinheiro depositado nos diferentes bureaus.

“M. de Bentinck afetou nos assistir nesta ocasião tão prontamente quanto poderíamos desejar, mas só podemos atribuir isso ao fato de ser do seu interesse parecer em bons termos conosco; mas nunca me desviarei da linha de conduta que Sua Majestade se dignou a me indicar a respeito dele.” D’Affry.

No 590. = Folio 37. O Duque de Choiseul ao Conde d’Affry.

Versalhes, 10 de maio de 1760.

“Recebi, Senhor, todas as cartas que tivestes a honra de me escrever (Nos. 585, 586, 587), as últimas das quais me foram encaminhadas pelo expresso que me enviastes no dia 5 do corrente e que vos devolvo sem demora. M. de Bentinck não merece que nos incomodemos muito com ele.

Há muito sabemos até que ponto confiar em seus desígnios, e algumas demonstrações de arrependimento bastante equívocas não desfarão vinte anos de procedimentos odiosos e impróprios de sua parte, relativos à França.

...

“Já vi em algumas gazetas a vossa Memória sobre o suposto Conde de St. Germain; mandarei inseri-la também na da França, e esta publicação cumprirá ao menos em parte o nosso objetivo a respeito deste aventureiro.”

No 593. Folio 37. Haia, 12 de maio de 1760.

“M. le Duc,

“... M. de Galitzin também me informa que o suposto Conde de St. Germain, ao chegar à Inglaterra, encontrou um mensageiro do Estado que o proibiu de ir mais adiante, e que tinha ordens de reembarcá-lo no primeiro navio que partisse.

Ele provavelmente retornou a Helvoet, mas é claro que não teria perdido um momento em deixar o território da República. Falarei, no entanto, com o Pensionário sobre isso ainda hoje. M. de Galitzin acrescenta que o Ministro inglês não permitiria que o Conde de St. Germain permanecesse em Londres, porque acreditava que apenas fingíamos estar descontentes com ele a fim de lhe dar um pretexto para ir para lá e meios mais assegurados de nos servir ali; mas a Memória que publiquei não pode deixar qualquer suspeita adicional quanto a isso.”

D’AFFRY.


No 395. Folio 45.

Haia, 14 de maio de 1750.

“M. le Duc,

“Ontem à tarde vi M. Yorke; ditei-lhe o que estava sublinhado em vosso despacho .....

SSP iertray ios Antes de nos separarmos, perguntei a M. d’Yorke a história do chamado Conde de St. Germain.

Ele me disse que este aventureiro não havia sido preso em Harwich, mas que o fora ao chegar a Londres, por ordem do Sr. Pitt, e que um chefe de secretaria deste Ministro o havia interrogado; que o depoimento deste chefe de secretaria mostrava que o Conde de St. Germain lhe parecera uma espécie de lunático, no qual, contudo, não descobrira nenhuma intenção maligna.

Com base nesse relatório, o Ministro mandou dizer a este aventureiro que, tendo ele dado provas de sua imprudência aqui e em outros lugares, não era conveniente que lhe fosse permitido permanecer em Londres, nem na Inglaterra, e consequentemente ele foi reconduzido a Harwich.

Ele retornou a Helvoetsluis e seguiu imediatamente para Utrecht, e de lá para a Alemanha.

M. d’Yorke pensa que ele irá a Berlim, ou se juntará a Sua Majestade Prussiana.

Perguntei-lhe se era verdade que este procedimento por parte deste aventureiro fora realmente causado pela desconfiança do Ministro inglês. Ele respondeu que ignorava inteiramente o motivo, mas que havia informado seu Ministério de que não duvidava de que fora por desejo de nos obrigar.’”’ D’Arry.

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APÊNDICE II.

Fólio 142.

Haia, 27 de junho de 1761. “M. le Duc,

“Um homem que se intitula um cavalheiro de Franche-Comté, que leva o nome de Liniéres, e que parece ter-se chamado anteriormente ‘Montigni’, veio aqui há alguns anos, mais ou menos na mesma época do chamado Conde de St. Germain: eles haviam formado uma sociedade, na qual, contudo, St. Germain não aparecia publicamente, para a construção de máquinas hidráulicas adequadas para limpar Portos, Canais e Rios.

Eles haviam emitido ações a fim de obter fundos para este empreendimento.

Durante esse tempo, Liniéres veio dizer-me que havia oferecido as máquinas ao nosso Ministério, mas que M. de Bellidor, que as examinara, lhe dissera que elas só poderiam ser aceitas por Comissários nomeados por nossa ‘Academia de Ciências’; que ele, Liniéres, não podendo confiar seu segredo a tantas pessoas, decidira vir aqui oferecer sua máquina, com a certeza de assim poder preservar seu segredo intacto.

Considerei meu dever fazer-lhe algumas perguntas, a fim de ver se essa máquina poderia realmente ser de grande utilidade para nós na limpeza de nossos portos ou de nossos rios, mas suas respostas foram tão incertas e demonstraram tão pouca capacidade que percebi que ele não conhecia sequer os primeiros princípios da mecânica.

Ele empreendeu e realizou a construção dessa máquina na cidade de Woorbourg, perto daqui, e convidou-me, há alguns meses, para ir até lá vê-la testada, o que não se mostrou bem-sucedido... [segue aqui uma descrição da máquina].


"Há uma segunda que obteve melhor êxito.

É uma bomba que tem muito menos atrito do que as bombas comuns, mas creio que é a mesma que tem sido utilizada em Besançon há vários anos.

"M. de Liniéres, convencido de que essas máquinas são de grande utilidade, suplicou-me que lhe permitisse a honra de escrever-lhe a respeito delas e de enviar-lhe os documentos que ele me remeteu sobre o assunto, e que aqui anexo.

Encontrará neles uma petição ao Rei, um projeto de privilégio, uma memória ou observação acerca dessas invenções; uma tradução de um extrato das resoluções dos Estados da Holanda relativas a essas máquinas; e, por fim, um relato dos produtos da máquina de (?) a fim de compará-los com os resultados da nova máquina de M. de Liniéres; mas este último documento não contém senão um cálculo, que é absolutamente falso, após consideração e depois do experimento do qual fui testemunha e que não foi verificado desde então.

M. de Liniéres está estabelecido em Vienne, e se julgar que vale a pena enviar qualquer resposta ao que tenho a honra de lhe comunicar, eu a transmitirei a ele assim que sua resposta me chegar..." D'AFFRY.

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Nº 793. Fólio 299. Haia, 23 de março de 1762: O Conde d'Affry ao Duque de Choiseul.

(sem cifra).  "' Senhor,

"..... O suposto Conde de St. Germain, que veio para cá há dois anos, que declarou estar incumbido de plenos poderes para negociar um tratado entre nós e a Inglaterra, e a respeito do qual recebi ordens de reclamá-lo como impostor, desde então tem perambulado pelas Províncias da República e seus arredores, sob nomes emprestados, e ocultando-se cuidadosamente; mas nos últimos dias soube que, sob o ~

comprou uma propriedade em Guelders, chamada Huberg, que foi vendida pelo Sr. Conde de Welderen e sobre a qual, no entanto, ainda não pagou mais do que cerca de trinta mil francos em moeda francesa.

Considerei meu dever informá-lo deste fato e perguntar-lhe se é desejo de Sua Majestade que eu tome providências contra este homem por meio de uma nova Memorial aos Estados Gerais contra ele, ou se Sua Majestade considera que seria melhor deixá-lo em paz, uma vez que o principal objetivo de minhas ações foi alcançado ao desacreditá-lo de tal maneira que ele não ousou se mostrar desde então, e está reduzido a tentar enganar as pessoas com seus segredos químicos para ganhar a vida." D'AFFRY.

Nº 311. Fólio 327. Versalhes, 10 de abril de 1762. O Duque de Choiseul ao Sr. d'Affry.

(sem cifra).

... Punimos o suposto Conde de St. Germain pela insolência e impostura de sua tentativa, e devemos deixar a este aventureiro a tarefa de completar o descrédito geral no qual o mergulhamos....

... sob o nome de um comerciante de Amsterdã, chamado Noblet, ele tem...

... do dia 13 praticamente faz pelo Conde de St. Germain ou pelo aventureiro que leva seu nome, e é um erro por parte do gerente do Jornal na ausência do Editor, que está no momento em Paris.

O que especialmente me impressionou foi o fato de o Editor...

APÊNDICE III.

Dos papéis do Senhor Bentinck van Rhoon, nos Arquivos do Palácio de S. M. a Rainha da Holanda, traduzido do holandês.

Domingo, 9 de março de 1760.

Ele (St. Germain) me disse... que não haveria obstáculos por parte da Inglaterra para a Paz, que os obstáculos viriam da França... que o Rei da França e a Sra. de Pompadour, toda a Corte, bem como todo o país, ansiavam apaixonadamente pela Paz; que um único homem a impedia, a saber, o Duque de Choiseul, conquistado como estava pela Corte de Viena (a Rainha da Hungria)... que toda a confusão e infortúnios na Europa se deviam ao Tratado de Versalhes de 1756... no qual havia uma cláusula secreta dando as Flandres ao Infante, em troca da Silésia, que esta última deveria ser subjugada, entregue e transferida à Rainha da Hungria.

... Não havia senão uma maneira de sair disso, e era concluindo...

Paz entre a Inglaterra e a França; que os métodos usuais de "Preliminares, Congressos e Conferências"

OAKLEY = O Conde de St. Germain.

- O CONDE DE ST. GERMAIN

significariam prolongar as coisas indefinidamente e causariam novamente a Guerra, cuja mera ideia faz a gente estremecer; ele era de opinião que se apenas algumas proposições possíveis fossem apresentadas, ou se apenas alguns homens honestos em quem o povo pudesse confiar interviessem, a Paz seria feita... sendo tão necessária para a Inglaterra quanto para a França; que o Rei e Mme de Pompadour a desejavam fervorosamente, que o Rei da Inglaterra a desejava não menos, que o Duque de Newcastle e o Conde Granville (Charles Foronshead) eram muito a favor dela (falando de Chesterfield, ele disse firmemente enquanto olhava fixamente para mim para ver o que eu responderia: "Chesterfield é um mero frívolo"), que Pitt, que agora fazia causa comum com os outros dois, sempre o havia contrariado até então, mas que Pitt era odiado pelo Rei.

... que um escocês de nome Crammon, que vivia em Paris, recebera uma carta de Neuville em Amsterdã, na qual era avisado para se preparar para recebê-lo, que Crammon recebera outra carta de Londres que viera na verdade via Bruxelas, e que esta última continha sugestões para fazer uma Paz separada entre a França e a Inglaterra; que essas sugestões vinham do Duque de Newcastle e de Lord Granville; que essa carta lhe fora comunicada por Mme de Pompadour (ele deu detalhes... "ela estava na cama"); que a alegria dela era grande, ela lhe dissera para mencionar isso a Choiseul; que ele protestara, mas acabara obedecendo; que Choiseul rejeitara tudo.

... A respeito de Amsterdã, St. Germain falou de sua grandeza, do número de seus habitantes, de seus tesouros, de sua circulação de dinheiro, de sua superioridade nesse aspecto sobre Londres, Paris e qualquer outra cidade do mundo.

"

APÊNDICE III.

Terça-feira, 11 de março de 1760.

Ele me contou que havia informado Mme de Pompadour do que se passara entre ele e mim... e que também escrevera ao Ministro nesse sentido.

Quando lhe perguntei como o Ministro receberia a notícia, ele disse com um olhar sorridente, mas seguro, que mudanças logo ocorreriam em Versalhes, dando-me a entender que não estaria no poder de Choiseul impedir a Paz por muito tempo.

Quarta-feira, 12 de março de 1760.

Que ele havia falado a d'Affry a meu respeito, e lhe dissera que agiria mal e falharia em seu dever para com seu senhor se me negligenciasse.

Domingo, 16 de março de 1760.

Toda a conversa foi tão variada e tão repleta de anedotas extraordinárias, juntamente com a singularidade do próprio homem e outras circunstâncias (que eu, no entanto, já conhecia mais particularmente por Yorke e d'Affry), tratando de suas relações com o Rei e Mme de Pompadour, que me ocorreu aproveitar a ocasião para sondar as profundezas deste negócio, e assim prevenir as informações falsas de várias pessoas envolvidas nele que só pensam em seus próprios interesses, corrigir as impressões errôneas que circulam quanto à política deste País, e insinuar-me num assunto que é da maior importância que eu compreenda claramente, apesar da inclinação que se demonstra em me excluir dele. Em prosseguimento a este plano, eu o instigava com minhas perguntas, às quais ele respondia pronta e claramente... (Ele fala como um mero "cabeça oca", embora não ousasse afirmar que o seja). Demonstrei grande imparcialidade por todas as nações, exceto a minha; professei desejar a Paz apenas por razões humanitárias, e compartilhar o pesar pessoal do Rei quanto à condição da Nação Francesa, da qual ele (St. Germain) me deu um quadro vívido e detalhado, como um homem que sabe mais do que outros sobre este assunto.

Ele falou com tanta precisão das pessoas, que continuei como havia começado e lhe falei de minhas esperanças, dos rumores tolos e das histórias absurdas e ridículas que os Ministros estrangeiros aqui escreviam a seus senhores.

... Eu o instigava, fazendo-o falar (o que é fácil!) e ele continuava com fluência.

Quarta-feira, 26 de março de 1760.

. Que ele havia decidido na segunda-feira visitar o Sr. d'Affry, que lhe disse ter recebido cartas de Versalhes ordenando-lhe que lhe dissesse (a St. Germain) que ele havia se metido em uma enrascada na Corte por escrever sobre mim à Sra. de Pompadour, uma enrascada de fato! — Que ele se envolvia demais em assuntos que não lhe diziam respeito! E que ele (St. Germain) estava ordenado, em nome do Rei, a cuidar da própria vida! — Que d'Affry falara como se pensasse poder intimidá-lo a deixar o lugar; que também lhe dissera ter ordens de não vê-lo (St. Germain), mas de negar-lhe a entrada!

APÊNDICE III.

Ouvindo-o até o fim, ele (St. Germain) finalmente respondera que "se alguém se metera em uma 'enrascada', não fora ele, mas d'Affry.

... que quanto ao que lhe fora imposto em nome do Rei, ele (St. Germain), não sendo súdito do Rei, este não poderia ordenar-lhe coisa alguma; que além disso acreditava que o Sr. de Choiseul escrevera tudo por iniciativa própria e que o Rei nada sabia a respeito! Se lhe fosse mostrada uma ordem (escrita) pelo próprio Rei, ele acreditaria: mas não de outra forma.

...' Ele (St. Germain) me contou que havia escrito uma 'Memória Instructiva' que pretendia enviar a d'Affry e que leu em voz alta para mim. Ele riu e eu também, pensando no efeito que sua 'Memória Instructiva' causaria em d'Affry.

"Ele chamou este último de 'cabeça-dura', 'pobre coitado', 'este pobre d'Affry que pensa que pode me amedrontar e intimidar, mas... ele se dirigiu à pessoa errada, pois eu pisei tanto no elogio quanto na censura, no medo e na esperança, eu, que não tenho outro objetivo senão seguir os ditames de meus sentimentos benevolentes para com a humanidade e fazer o máximo de bem possível à humanidade.

O Rei sabe muito bem que não temo nem d'Affry nem o Sr. de Choiseul.

Quinta-feira, 27 de março de 1760.

O Conde de St. Germain me contou, sob promessa de segredo, pois "não desejava ocultar nada de mim", que passara este dia quatro horas com o Sr. Yorke, que lhe mostrara as respostas que recebera da Inglaterra no dia 25, datadas do dia 21, do Duque de Newcastle, do Sr. Pitt e de Lord Holdernesse, relativo ao que Yorke lhes havia escrito sobre suas conversas anteriores com ele (St. Germain). Ele então me mostrou três pequenas notas que havia recebido e que me fez ler; em uma dessas notas, Yorke expressava o desejo de falar com ele e especificava o que


era exigido do Conde para que pudessem

falar um com o outro sem serem desautorizados em suas posições públicas ou privadas . . . exigia-se que ele (St. Germain) fosse "oficialmente investido de poderes" ou algo semelhante, a fim de que fosse possível a Yorke falar abertamente com ele, sem medo de ser comprometido.

Ele (St. Germain) me contou que Yorke lhe havia dado as cartas originais dos ministros antes mencionados para ler; que conhecia a caligrafia de cada um deles, exceto a de Pitt, e que essas cartas eram extremamente elogiosas

para ele.

.

- Fizesse o que fizesse, d'Affry estava agora impotente, "e ele (St. Germain) tinha a questão da Paz em suas próprias mãos"; o único obstáculo restante em seu caminho era M. de Choiseul, que poderia "talvez deixar de extrair todo o benefício possível para a Europa em geral e para a França em par-

ticular desta oportunidade.

"

Diante disso, eu lhe disse que ele deveria encontrar algum artifício com o qual controlar as ações de M. de Choiseul.

Ele pediu

minha opinião (como se eu conhecesse a Corte Francesa e os pontos fortes e fracos das pessoas nela!). Eu disse que

"cabia a ele encontrar tais meios", etc.

... ele

parecia estar ansioso quanto à resposta que receberia de Choiseul, a quem não ousava ignorar, mas cujo real de-

sejo pela Paz ele duvidava fortemente... .

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APÊNDICE III.

= Pe

Segunda-feira, 31 de março de 1760.

_ . Ele me disse que possuía algo que "deixaria Choiseul pasmo", que todas as pessoas decentes na França desejavam a Paz.

. . . que somente Choiseul desejava

continuar a guerra... . que ele tinha uma arma poderosa

contra Choiseul nas cartas que Yorke lhe havia escrito,

e das quais guardava os originais para usar se necessário

contra Choiseul, a quem não temia em absoluto... .

que d'Affry era escravo de Choiseul.

. . . que Choiseul

não ousaria ocultar cartas das quais Mme de P.

e o Marechal de Belle Isle tinham conhecimento.

Sexta-feira, 4 de abril de 1760.

O Conselheiro Aposentado (Stein) me disse que d'Affry o havia informado de que as ordens que recebera de Choiseul com relação a St. Germain consistiam principalmente em desautorizar tudo o que St. Germain tivesse feito ou viesse a fazer aqui, com respeito à Paz.

. . . que por elas ele era obrigado a comunicar isso a St. Germain, acrescentando que, se ele se envolvesse no assunto, seria aprisionado em seu retorno à França.

. . . O Escrivão Fagel me disse quase a mesma coisa que aquilo que "lhe contara apenas nesta manhã" ... No mesmo dia, St. Germain jantou comigo e me disse que "d'Affry lhe comunicara suas ordens e lhe mostrara a carta de Choiseul; ele respondera que isso 'não o impediria de retornar à França, que essas ordens jamais seriam postas em execução... - que emanavam somente de Choiseul.

. . . que conhecia Yorke desde a infância, 17 anos atrás, e que a família Yorke

_ O CONDE DE ST. GERMAIN

sempre fora extremamente gentil com ele;" ... que d'Affry também objetara a que ele me visitasse com frequência, o que St. Germain admitira fazer e acrescentara que "pretendia continuar fazendo." Que d'Affry lhe mostrara a carta de Choiseul juntamente com a que ele (St. Germain) mesmo escrevera sobre mim a Mme de Pompadour (a isso acrescentou que estava convencido de que Choiseul a roubara de Mme de P.); também que d'Affry lhe dissera repetidamente que a França jamais confiaria em mim. . .. No geral, parecia que ele se importava muito pouco com as ordens que d'Affry recebera a seu respeito, e ainda menos com o Sr. de Choiseul! ... e que todo o assunto permanecia indeciso; . . . que a França correria o risco de uma nova Guerra e que, se tal coisa acontecesse, ele (St. Germain) "iria para a Inglaterra e então veria o que poderia fazer."

Terça-feira, 15 de abril de 1760.

O Conselheiro Aposentado me disse, em sua sala, que d'Affry lhe mostrara as ordens que recebera 'na noite anterior por um correio, declarando que St. Germain era um "mero vagabundo," e que tudo o que ele pudesse ter dito deveria ser desautorizado! Que uma queixa deveria ser redigida contra ele, que ele deveria ser preso e trazido sob escolta a Lille para ser entregue à França, onde seria aprisionado .... Eu disse

apresentei-lhe minha opinião, que era a de que St. Germain viera a este país como outros estrangeiros, confiando na proteção da Lei e contando com sua segurança como um dos cidadãos; que ele não era acusado de nenhum crime de

[texto ilegível]

natureza tal que nenhum Soberano concederia proteção contra ele, como assassinato, envenenamento etc., e que o direito de asilo era considerado muito sagrado nesta República.

. . . . Ele concordou com isso, mas parecia muito ansioso quanto aos sentimentos da França . . . . Entrei na sala do Recorder e ele me disse, na presença do Conselheiro Pensionário, que d'Affry havia ido até ele e lhe contado . . . . (segue o mesmo discurso que com o Cons. Pen.), . . . . e que ele o aconselhara a dirigir-se ao Governo etc.; . . . . mas que ele não achava que o Governo entregaria uma pessoa que vivia neste país confiando em sua proteção, e contra quem não havia acusação de nenhum crime hediondo contra o qual nenhum Soberano concederia proteção.

<<

Quarta-feira, 16 de abril de 1760.

«....Eu disse ao Conselheiro Pensionário que o Sr. de St. Germain havia partido, do que ele pareceu muito satisfeito.....”

Quarta-feira, 16 de abril de 1760.

Quando informei Yorke do que acabara de ouvir sobre St. Germain, esperava que ele protegesse o primeiro, pois Yorke havia começado a negociar com St. Germain e o encorajara; eu mesmo vi os originais de suas cartas a St. Germain, elas são muito amigáveis e encorajadoras.

Mas, em vez de proteger St. Germain, Yorke assumiu sua expressão dura, altiva e arrogante, dizendo que "ficaria muito contente em ver St. Germain nas mãos da Polícia". Fiquei atônito, sabendo o que sabia: expressei-lhe minha opinião, muito gentil e timidamente, para não ofendê-lo; mas Yorke persistiu em dizer que "lavava as mãos de St. Germain", e recusou-se a me conceder um passaporte para o Barco de Correio, que eu lhe havia pedido.

Pressionado por mim, Yorke disse por fim que, se Z lhe pedisse um passaporte, como favor pessoal, ele não me recusaria "devido à minha posição". Concordei; ... mencionei que d'Affry poderia nos causar muitos problemas, os quais poderiam ser evitados dando a St. Germain os meios para escapar, e então Yorke chamou seu secretário e ordenou que trouxesse um passaporte.

Ele o assinou e o entregou a mim "em branco", para que St. Germain pudesse preencher com seu próprio nome ou qualquer outro nome que escolhesse adotar, a fim de evitar a perseguição de d'Affry ou de seus subordinados.

Levei o passaporte sem demonstrar a Yorke o quanto estava chocado e revoltado com o que havia testemunhado.

Quinta-feira, 17 de abril de 1760.

O Conselheiro Pensionário escreve para me informar que d'Affry o procurou para se queixar de mim; que d'Affry disse estar bem informado de tudo, que eu havia ido ver o Conde de St. Germain na terça-feira à noite por volta das 10 horas, e permanecera com ele até uma hora após a meia-noite, que uma carruagem puxada por quatro cavalos chegara diante da casa com um criado meu, e que M. de St. Germain partira nessa carruagem com meu criado atrás, e que ele (d'Affry) consequentemente não pudera cumprir suas instruções!

APÊNDICE III.

18 de abril de 1760.

Há alguns meses, o Sr. Yorke recomendou-me calorosamente um certo Sr. Virette, que veio aqui para obter uma patente para uma máquina de nova invenção... D'Affry fez-me uma visita e, ao falar de Liniéres, mencionou que este era ligado a St. Germain.

O nome me impressionou e despertou minha curiosidade por tudo o que ouvira sobre o Conde na Inglaterra, onde ele permanecera considerável tempo e frequentara a melhor sociedade.

Ninguém sabia quem ele era, fato que não me surpreendeu num país como a Inglaterra, onde praticamente não há polícia secreta, mas o que me surpreendeu foi que na França também não se soubesse! D'Affry disse-me que na França somente o Rei o sabia, e na Inglaterra ele acreditava que o Duque de Newcastle também o soubesse.

Repeti a M. d'Affry vários pormenores que ouvira sobre St. Germain a respeito de seus modos, riqueza e magnificência, a regularidade com que pagava suas dívidas, as grandes somas que gastara na Inglaterra, onde a vida é cara, etc.

M. d'Affry observou que ele era decididamente um homem muito notável, sobre quem se contavam todo tipo de histórias, cada uma mais absurda que a outra: por exemplo, que possuía a pedra filosofal, que tinha cem anos de idade, embora não aparentasse quarenta, etc.

Tendo-lhe perguntado se o conhecia pessoalmente, ele respondeu "sim", que o encontrara na casa da Princesa de Montaubon, que era uma figura muito bem-vinda e conhecida em Versalhes e frequentemente visitava Madame de Pompadour, que era extremamente suntuoso e magnífico, ... e entre outras coisas deu-me detalhes de sua munificência com relação a pinturas, joias e curiosidades; ele me contou ainda mais coisas que não me recordo, nem me lembro de todas as perguntas que lhe fiz.


Refletindo sobre o que se passou entre o Conde d'Affry e eu, tenho a impressão de que ele estava tão surpreso quanto eu próprio com esses detalhes a respeito da figura que o Conde de St. Germain havia representado na Inglaterra e na França, sendo discutida sem que uma única acusação fosse feita contra ele...

Mencionarei isso no decorrer da conversa com Yorke.

Yorke falou dele como um homem muito alegre e muito educado, que se insinuara no gabinete de Mme de Pompadour e a quem o Rei havia dado Chambord...

Ele mencionou que, mais tarde, fez conhecimento com St. Germain quando este estivera em Amsterdã e viera a Haia.... Foi em março que ele (St. Germain) veio me ver devido ao que Liniéres lhe havia escrito [isto é, que Bentinck van Rhoon desejava fazer seu conhecimento]; ... sua conversa me agradou muito, sendo extremamente brilhante, variada e cheia de detalhes sobre diversos países que visitara.

... tudo muito interessante.

... Fiquei extremamente satisfeito com seu julgamento de pessoas e lugares que eu conhecia; suas maneiras eram extremamente educadas e demonstravam que ele era um homem criado na melhor sociedade.

Ele viera de Amsterdã com Madame Geelvinck e o Sr. A. Hope e fora admitido diariamente na casa do Prefeito Hasselaar; viera a Haia recomendado a M. de Soele, pela família Hasselaar, que o levara

~ APÊNDICE III.

a Mme de Byland e a outros lugares.

No aniversário de

O Príncipe de Orange na antiga Corte (dando seu nome à porta) eu o levei ao Baile onde foi abordado pelos Hasselaars, pela Sra. Geelvinck, pela Sra. Byland e outros.

~ Fora sua intenção partir no dia seguinte ao Baile, e ele havia retido uma carruagem de Amsterdã para levar para casa as duas senhoras que vieram com ele, mas elas o fizeram ficar três ou quatro dias a mais.

Durante esse tempo, ele esteve diariamente com d'Affry e jantou na casa de d'Affry antes de retornar a Amsterdã; tive várias conversas com ele, das quais a maioria escapou da minha memória... . É digno de nota que, durante o intervalo decorrido entre o dia seguinte ao Baile e o dia em que.

ele partiu, d'Affry (acreditando que ele estivesse prestes a partir) enviava vinho e carne para a viagem a St. Germain todos os dias.

Posso dar testemunho disso pessoalmente, pois estive presente quando o criado de d'Affry os trouxe em dois.

dias consecutivos.

Como St. Germain não partiu afinal, ele foi e jantou na casa de d'Affry.

.

Eu mesmo fui ao Conde de St. Germain e o aconselhei, em seu próprio interesse, a partir o mais rápido possível.

Disse-lhe que fui informado, não diretamente, mas através de terceiros, que d'Affry tinha instruções para ordenar sua prisão e fazê-lo conduzido sob escolta até a fronteira francesa e entregue à França, a fim de que pudesse ser aprisionado lá pelo resto da vida.

:

Ele ficou extremamente surpreso, não tanto por M. de Choiseul dar tal ordem, mas por d'Affry ousar

Sa ree oe

+ + 'O CONDE DE ST. GERMAIN

pensar em fazer tal coisa num país que respeita as leis; ele fez muitas perguntas, cada uma mais pertinente que a outra, e com a maior compostura do mundo; não quis discutir o assunto com ele, pois teria achado bastante difícil responder às suas indagações e esclarecê-lo sobre os pontos que ele levantou.

Disse-lhe que não havia tempo para discussão, mas que ele deveria partir imediatamente se considerasse sua segurança, que teria até o dia seguinte para fazer seus preparativos, pois mesmo que M. d'Affry pretendesse tomar providências, não poderia fazê-lo antes das ro o. c. da manhã seguinte, e antes disso ele (St. Germain) deveria ter feito e executado seus planos.

O método de sua retirada foi então discutido, bem como a questão de para onde ir....

Quanto ao primeiro, ofereci-lhe meus serviços.

No que diz respeito ao segundo, sugeri a Inglaterra; sua proximidade, suas leis, sua constituição e a grandeza desta nação oferecendo-lhe um refúgio mais próximo e mais seguro do que o de qualquer outro país.... Concordamos neste ponto; eu disse que lhe conseguiria um passaporte do Sr. Yorke, pois sem ele não poderia embarcar no Paquete.

Como um navio cruzava no dia seguinte, disse que ele faria bem em embarcar em Hellevoetsluis e fazê-lo o mais rapidamente possível; feito isso, todos os procedimentos de d'Affry seriam tarde demais, etc.

... À noite, por volta das sete ou oito horas, fui a St. Germain e levei-lhe o passaporte.

Ele me fez muitas perguntas, às quais evitei responder, pedindo-lhe que pensasse antes em assuntos mais urgentes do que em indagações que eram abstrusas e inúteis na emergência presente.

Ele decidiu partir: como nenhum de seus criados conhecia a língua ou as

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APÊNDICE III.

—

estradas ou os costumes do país, pediu-me que lhe emprestasse um dos meus, o que fiz com prazer... Fiz mais: ordenei uma carruagem com quatro cavalos para ir a Leyden, que estivesse diante de minha casa às 4h30 da manhã seguinte, e disse a um dos meus criados que apanhasse o Comte de St. Germain no caminho e permanecesse com ele até que fosse enviado de volta a mim....

(Em seguida, uma defesa de sua (de Bentinck) conduta, dizendo que tratados secretos sempre foram permitidos).

Se o Comte de St. Germain tivesse demonstrado tanta prudência quanto zelo, teria, creio eu, acelerado muito a Paz; mas ele confiava demasiado em suas próprias intenções e não tinha opinião suficientemente má daqueles dos homens com quem tinha de lidar.

O que picou o Conde d'Affry foi uma frase sublinhada numa carta que St. Germain escreveu à Mme de Pompadour.

(Sei disso por aqueles que a viram)... . "Só tenho de prestar contas da minha conduta a Deus e ao meu Soberano"... . "quanto ao que se passa em minha casa... as pessoas que vejo e admito, disso não preciso dar conta.

Há trinta anos sou membro da Nobreza e sou conhecido por nunca me ter misturado com aventureiros ou impostores, nem por ter recebido canalhas."

M. de St. Germain veio aqui com muito boas recomendações; eu o vi porque gostava de sua companhia e conversa; ele é um homem agradável e educado cuja conversa é divertida e variada; pode-se ver de imediato que ele foi criado na melhor Sociedade: é verdade que não sei quem ele é, mas o Conde d'Affry me disse que Sua Majestade Cristianíssima sabe;...- isso me basta! Se M. de St. Germain voltar

e 2 de setembro de 1760.

; Fui informado de que St. Germain esteve em Dijon e viveu lá muito suntuosamente.

O Conde de Tavann, o Governador, escreveu à Corte de Londres sobre que política seguir com relação a ele .... como ele "não sabia quem ele era".... Ele recebeu a resposta de que deveria dar ao Conde de St. Germain toda a consideração devida a um homem de sua posição, e permitir-lhe viver à sua própria maneira.

---

APÊNDICE IV.

Extratos das "Memórias de Hardenbrock" (edição do Historisch Genootschap de Utrecht), tomo I, p. 220; traduzido do original holandês.

Abril, 1760.

- Fui informado de que Rhoon (Bentinck) tinha relações desprezíveis com os ingleses, entre os quais havia um certo Pagador chamado Nugent, embora o Conde de St. Germain, que está ausente no momento, o considerasse bem disposto para com a França.

Maio, 1760.

Doublet me contou o seguinte, declarando que ouvira de Hompesch:.... "que Rhoon teve várias entrevistas secretas com o assim chamado Conde de St. Germain, após as quais o Conde de St. Germain visitou o Embaixador francês, dizendo-lhe que Rhoon não era tão amigavelmente disposto para com a Inglaterra quanto se acreditava; que ele (St. Germain) havia escrito para a França nesse sentido e que, sendo assim, um homem tão influente deveria ser aproveitado." D'Affry finalmente respondeu às repetidas súplicas do Conde de St. Germain dizendo que "conhecia bem o Sieur Rhoon; que, sendo dependente da Inglaterra como era, não poderia prestar serviços de valor algum à França." Ele (d'Affry) consequentemente pediu-lhe (St. Germain) que não frequentasse mais sua casa.

A isso se seguiu a exigência da França pela prisão do Conde de St. Germain.

Ele foi, no entanto, avisado e partiu. . . . em uma carruagem com um dos criados de Rhoon, armado com um passaporte que Rhoon lhe havia conseguido, com a ajuda do Ministro Yorke. Este, porém, só o daria "em branco", e Rhoon preencheu o

---

OaKkiey - O Conde de St. Germain.

nomear a si mesmo, repetindo que a manobra por parte da França não passava de “intriga de corte”.

20 de março de 1762.

Fui informado de que o chamado Conde de St. Germain agora fixou residência em UBBERGEN, perto de NIMEGUE; que também possui algumas propriedades de terra perto de Zutphen; que tem um enorme laboratório em sua casa, no qual se tranca por dias inteiros; que sabe conferir às coisas as mais adoráveis cores imagináveis, por exemplo, ao couro, etc.; que é um grande filósofo e amante da Natureza; um fino conversador; que parece ser virtuoso; que se parece com um espanhol de alta linhagem; que fala com muita emoção de Madame, sua falecida mãe; que às vezes assina como “prince d’Es.” . . .³ que é orgulhoso; que deseja incentivar as Manufaturas na República, mas que não é sua intenção favorecer qualquer cidade ou Província em particular, apesar de Amsterdã já lhe ter feito ofertas vantajosas com a condição de que outros lugares fossem excluídos; que prestou grandes serviços a Gronsveld, ajudando-o a preparar as cores para sua Fábrica de Porcelana em Weesp; que está nas melhores relações com Rhoon, a quem frequentemente visita e com quem corresponde; que além disso mantém uma enorme correspondência com países estrangeiros; que é conhecido em todas as Cortes; que o falecido Príncipe de Gales (que era um caráter desprezível) o tratou muito mal, mas que ele (St. Germain), sendo inocente, foi novamente libertado e reabilitado; que corresponde com pessoas importantíssimas na França; que fala muito bem de Mme de Pompadour, etc.

Ele vai frequentemente a Amsterdã, onde visitou várias vezes G. Hasselaar; possui pedras preciosas de beleza singular: rubis, safiras, esmeraldas e diamantes. Diz-se que sabe conferir a todos os diamantes o brilho daqueles de primeira água e dar às pedras cores mais brilhantes. É muito generoso, possui grandes propriedades no Palatinado e em outras partes da Alemanha; em Amsterdã, hospeda-se às vezes em outros lugares e paga bem em toda parte.

Documento Maçônico

COMPOSANT LA BIBLIOTHEQUE Maçonnique DU GRAND ORIENT DE FRANCE, 1882.

Saint-Lazare, dito.

Agosto 1775 — 19 de Janeiro.

Manuscritos com as assinaturas de:

Pasauiee

de Saint-Germain

Lord Elech

Brognard

Rousseau

Presidente da Guarda Ségur

Montesquiou

Grimaldi Mônaco.

e muitos outros.

:

Documento Setaseable relatando “fatos.

desconhecidos, e: quanto ao espírito que se produzia na Instituição.

os nomes de St. Lazare, Equidade e Contrato

Social que outrora se portaram na marcha dos (então).

= t

APÊNDICE VI.

Papéis Adicionais de Mitchell, vol.

XV. 4 – Despachos de Lord Holdernesse, etc., 1760. – 6818, Plut.

P. L. CLXVIII, 1 (12).

(Por BLACKMORE)

Sua Alteza Real o Maj.

Gen.

Yorke.

“aire ~ _ (Separado).

cs Whitehall, 21 de março de 1760. Senhor,

Sua Majestade me ordena informar-vos que estais em liberdade de ler minha carta secreta desta data ao Conde de St. Germain tantas vezes quanto ele desejar, e até mesmo de permitir-lhe tomar tais precauções que ele possa julgar necessárias para auxiliar sua memória, a fim de evitar todos os enganos ao transmitir os sentimentos de Sua Majestade à Corte da França.

HOLDERNESSE.

Muito Honorável Conde de Holdernesse.

(Secreto). Haia, 25 de março de 1760.

Meu Senhor,

Recebi esta tarde, por intermédio do mensageiro Blackmore, a honra da carta secreta de Vossa Senhoria do dia 21

- APÊNDICE VI.

do corrente; é desnecessário, talvez, dizer que a graciosa aprovação de Sua Majestade à minha conduta, em minha conversa com o Conde St. Germain, foi uma grande consolação para mim, e retribuo a Vossa Senhoria meus humildes agradecimentos pela pronta informação que tivestes a bondade de me dar, pois facilmente imaginais que alguma ansiedade deve acompanhar o tocar em pontos tão delicados.

Como agora tenho as claras e amplas instruções de Sua Majestade, não perderei tempo em executá-las, e tomei medidas esta noite para fazer saber a M. St. Germain, em Amsterdã, que tinha algo particular a comunicar-lhe em consequência de nossa entrevista anterior.

Não deixarei de explicar muito claramente o que Vossa Senhoria prescreve, e de me esforçar para trazê-lo ainda mais próximo do ponto do que julguei conveniente insistir antes de conhecer os sentimentos de Sua Majestade; de tudo o que se passar, Vossa Senhoria será imediatamente informado, e enquanto isso tenho a honra de permanecer com o maior respeito.

. . . JOSEPH YORKE.

x

Elon.

Gen.

Jorke.

(Secreto). Whitehall, 28 de março de 1760.

Senhor,

Sua Majestade é de opinião, tanto pelo teor de vossas várias cartas, como por outros avisos que foram recebidos, que o Duque de Choiseul é o menos inclinado a medidas pacíficas de todos aqueles que têm crédito na Corte de Versalhes; e isso em consequência de sua predileção pela aliança da Casa da Áustria; mas

Ou,

i que, achando o partido pacífico demasiado prevalecente para ser abertamente combatido, ele aquiesceu em autorizar o Sr. d'Affry a falar da maneira como o fez, a fim de, pelo menos, ter uma parte na negociação pela paz, se essa medida for finalmente determinada, ou para atrasar ou frustrar a própria medida, o que ele se esforçou por fazer, nomeando uma pessoa que ele imaginava não poder ser aceita aqui, e até atrasando a partida dessa pessoa, até a chegada do Sr. de Fuentes, que não pode ser em menos de dois meses. Mas, não obstante a noção que se tem das intenções do Sr. de Choiseul, o Rei julga conveniente que a proposta feita pelo Sr. d'Affry não seja desencorajada, mas que uma resposta bastante semelhante lhe seja dada, como já foi dada ao Sr. St. Germain, como observareis pela minha outra carta desta data, não havendo outra diferença senão a que se relaciona com a nova insinuação feita pelo Sr. d'Affry, de enviar uma pessoa a Londres. Observareis que o Rei não tem objeção a isso, se uma pessoa adequada for escolhida, mas Sua Majestade está determinado a não receber um de seus próprios súditos na qualidade de negociador da França, e de todos os outros, o Sr. Dunn seria o mais impróprio para tal comissão, e o mais odioso aqui. O precedente do Sr. Wall não é análogo ao caso presente; mas se fosse, Sua Majestade ainda estaria em liberdade de fazer essa exceção. Ainda parece a Sua Majestade bastante provável que o Conde St. Germain tenha sido autorizado a falar convosco da maneira como o fez, e que sua comissão é desconhecida do Duque de Choiseul: mas como esse ministro, com toda a probabilidade, comunicará a resposta dada ao Sr. d'Affry a um formal


APÊNDICE VI.

proposta, feita, por ordem de sua Corte, àquelas pessoas que empregaram St. Germain, Sua Majestade considerou conveniente que houvesse uma exata uniformidade nas respostas dadas a ambos; como não é intenção do Rei negligenciar nenhum desses canais, procurareis, portanto, a primeira oportunidade de ter uma entrevista com o Sr. d'Affry; e como minha outra carta está escrita de maneira ostensível, podeis lê-la inteira para ele, e até permitir que ele tome nota do que está sublinhado nela. HOLDERNESSE.

  ; ; %  Ao Conde de Holdernesse.

(Secreta). Haia, 28 de março de 1760. Meu Senhor,

O Conde St. Germain veio a mim ontem de manhã em consequência de eu tê-lo informado do meu desejo de falar com ele; fui muito franco ao explicar-lhe a impossibilidade de entrar em qualquer conversa mais aprofundada com ele, sem que ele pudesse produzir uma autoridade autêntica de, ou em nome de Sua Majestade Cristianíssima, para negociar sobre o assunto que havia sido o tema de nossa última conversa.

Disse-lhe que eu era reconhecido e ele não, e portanto tudo o que ele dissesse poderia ser desautorizado de imediato; enquanto o que viesse de mim traria a marca respeitável do caráter com que o Rei me honrou.

Fui o mais enfático possível neste ponto, como introdução à comunicação que eu tinha permissão de lhe fazer, pelas ordens contidas na carta secreta de Vossa Senhoria do dia 21 do corrente mês;

z e acrescentei que, embora fosse evidente que havia mais de uma opinião na Corte da França, não poderíamos tratar com diferentes pessoas, algumas das quais eram autorizadas e outras não: que, como ele sabia do passo público que o Rei havia dado, ao abrir um congresso aos Seus inimigos, e desde então, a marca sem precedentes de generosidade que Sua Majestade havia mostrado ao permitir-me entrar em conversações preliminares com o Sr. d'Affry, era desnecessário discorrer sobre a inutilidade e impropriedade de novas medidas de nossa parte, se ele não encontrasse uma resposta adequada.


Tendo dito isso como preâmbulo, disse-lhe que, em consideração à pessoa cujas cartas ele me havia comunicado anteriormente, e por convicção de que ele era sincero em desejar avançar uma obra tão salutar, eu tinha a permissão do Rei de comunicar-lhe os sentimentos adicionais de Sua Majestade sobre uma reconciliação com a Corte da França: o que deveria convencer toda pessoa bem-intencionada de quão sinceros e quão puros são os sentimentos de Sua Majestade.



Curioso para saber o que ele propunha fazer, em consequência disso, e de que maneira procederia no negócio que havia empreendido.

Aqui penso que, pela primeira vez, o surpreendi vacilando um pouco: se isso procedia de algum receio do ressentimento do Duque de Choiseul, ou do que ele alega, a indiferença pelos negócios por parte do Rei da França, e a indecisão da Senhora, não pretendo afirmar: mas o encontrei em dúvida se não deveria trabalhar para trazer o próprio Duque de Choiseul, com o sistema que ele supunha estar enraizado nos peitos daqueles em cujo nome fala.

Não era meu papel conduzi-lo em tal assunto, e portanto apenas lancei que aquilo me parecia um assunto delicado à distância, e poderia embaraçar aqueles que o protegiam.

Insisti depois para que me informasse de que maneira pretendia fazer uso do que eu tinha permissão de lhe mostrar, e se pretendia ir ele mesmo a Versalhes.

Isso ele recusou por ora, — como disse, poderia ser mandado de volta imediatamente, e apenas daria mais motivo de desconfiança; mas enviaria um criado seu com três cartas, uma ao marechal Belleisle, uma a Mme de Pompadour, e uma terceira ao Conde de Clermont, Príncipe do Sangue, a quem mencionou pela primeira vez, como seu amigo íntimo, e como alguém que tinha a confiança do Rei da França, independentemente de seus ministros, e que era um amigo firme da chegada a um acordo imediato com a Inglaterra.

Para remover toda suspeita de que me enganava, ele de fato produziu uma carta daquele Príncipe para ele, datada do dia 14 do corrente, escrita nos termos mais amistosos e cordiais, lamentando sua ausência, e desejando fortemente seu rápido retorno.

Das duas últimas pessoas mencionadas ele não duvidava de receber respostas; de Mme de Pompadour, não esperava, disse ele, porque era uma máxima dela não escrever sobre assuntos de Estado, embora fosse absolutamente necessário informá-la de que ele se fortalecia e era capaz de trabalhar a seu favor.

Tudo isso é muito plausível, mas o efeito ainda está por ser provado.

Enquanto isso, é evidente que esses ministros franceses se contrapõem uns aos outros e, consequentemente, estão em sistemas diferentes; qual deles prevalecerá não depende de nós, mas não pode ser prejudicial ao serviço de Sua Majestade que seus sentimentos sejam conhecidos pela Corte da França, por qualquer canal que julguem adequado para recebê-los.

Os cumprimentos do Sr. d’Affry, depois de ele ter informado St. Germain das ordens do Duque de Choiseul, são tão extraordinários quanto o resto, especialmente porque ele conhece muito bem sua ligação com o marechal Belleisle e tinha visto o passaporte do Rei da França para ele.

Todo esse mistério será desvendado aos poucos, e não deixarei de informar Vossa Senhoria das demais luzes que puder colher; deixei claro ao Sr. St. Germain que ele ou qualquer outra pessoa devidamente autorizada era igual na Inglaterra; a principal objeção que tínhamos no momento, e o que detinha tudo, era a falta de uma credencial adequada e suficiente...

JOSEPH YORKE.


%

Ao Conde de Holdernesse.

(Secreto).

Haia, 8 de abril de 1760. Meu Senhor,

É antes para mostrar minha atenção a todas as cartas materiais com que Vossa Senhoria me honrou, no dia 28 do mês passado, do que por algo muito particular que tenha a incomodá-lo, que tomo a liberdade de reconhecer por si mesmas a honra das cartas secretas de Vossa Senhoria daquela data e do dia 1º do corrente.

Devo informá-lo, no entanto, que falei muito claramente com o Sr. d’Affry sobre o assunto do Sr. Dunn... e expliquei-lhe da maneira mais forte e completa por que seria impossível recebê-lo como negociador da Corte da França.

Devo fazer justiça ao Embaixador francês ao dizer que ele compreendeu as razões alegadas, mas se esforçou para me persuadir de que o Duque de Choiseul não poderia pretender propor um homem de quem não tivesse boa opinião; mas que esperava que, com as representações que agora lhe faria formalmente, isso fosse deixado de lado.

O Sr. St. Germain ainda está na Haia, mas até agora não produziu nada novo da França, e é altamente provável que, após o alvoroço que suas primeiras cartas causaram, ninguém queira arriscar uma correspondência direta com ele, que possa cruzar as medidas do Duque de Choiseul; o Sr. d’Affry alega que aquele Ministro francês deseja a Paz, porque Sua Majestade Cristianíssima a deseja, e que isso é servir ao seu Senhor de acordo com seus desejos.

De fato, a reserva que o Embaixador Francês observa em relação aos Ministros de seus Aliados aqui, o constrangimento desajeitado que demonstrou, temendo que soubessem que nos havíamos encontrado, e várias expressões que deixou escapar sobre eles e suas Cortes, inclinar-me-iam a pensar que a Paz é o objetivo da França, e que o partido pacífico é o mais predominante; mas, para a prova disso, devemos aguardar a resposta à Comunicação que acabo de fazer, que é tão franca e tão confidencial que, se não a aceitarem, não poderá restar daqui em diante a menor dúvida sobre sua determinação de tentar a sorte da Campanha.

Estou infinitamente grato a Vossa Senhoria por me encorajar com a garantia da aprovação de Sua Majestade quanto à minha conduta, e humildemente me recomendo à indulgência de Sua Majestade e de Seus Servos, no curso deste delicado assunto.

JOSEPH YORKE.

Do Sr. Mitchell ao Lorde Holdernesse

Quartel-General em Freyburg, quinta-feira, 27 de março de 1760. Meu Senhor,

Por duas vezes tive a honra de receber o Correio de Vossa Senhoria, o do dia 4 por Badmore, e o do dia 14 por um Correio Prussiano; comuniquei o mesmo à amizade de Sua Majestade Prussiana, e com irrestrita confiança.

Ele disse que seguiria o exemplo do Rei...

O Rei da Prússia pensa que nada de certo pode ser concluído de tudo o que se passou entre o Gen. Yorke e o Embaixador Francês até o dia 4 do corrente, mas acrescentou que estava na expectativa diária de ouvir algo da França que pudesse ser digno de confiança; que já tivera notícias de que a pessoa enviada pela Corte de Gotha fora bem recebida; que o Bailio de Froulay, imediatamente ao ler sua carta, fora a Versalhes; e que prometera ao emissário obter-lhe permissão para enviar expressos e correios, e passaportes para seu próprio retorno, quando fosse considerado oportuno: concluiu dizendo que, tão logo tivesse qualquer notícia certa do que se passava em Paris, enviaria um correio diretamente à Inglaterra.

O Rei da Prússia dispôs-se então a dar-me algum relato de uma conversa mais extraordinária, que o Conde St. Germain tivera com o General Yorke, no dia 15, em Haia, cujos pormenores não precisam ser mencionados, pois Vossa Senhoria os terá de forma mais autêntica: observou que, embora os modos fossem dos mais incomuns, ainda assim o Gen.

Yorke havia feito... para dar a Vossa Senhoria um relato imediato do que se passara, que era muito provável que o Conde tivesse sido empregado nesta comissão secreta pelo Marechal Belleisle, sem o conhecimento dos outros Ministros franceses, pois o Gabinete está extremamente dividido.

Ele me perguntou se eu conhecia este St. Germain, que, segundo fora informado, estivera algum tempo na Inglaterra.

Respondi que o vira lá, mas não imaginava que ele algum dia se tornaria um negociador.

Sua Majestade Prussiana respondeu que ouvira dizer que o Conde encontrara um meio de se insinuar nas graças dos franceses, a quem ele divertira com algumas histórias, e que os franceses...

[Trecho ilegível]

...abril de 1760. Sua Majestade Prussiana mencionou-me uma carta do Sr. [nome ilegível], na qual aquele ministro [referia-se] a Cabo Bretão para os franceses, mas ele hesita muito sobre a cessão de Guadalupe.

Ele também disse que o Sr. d'Affry havia, por ordem do Duque de Choiseul, comunicado aos ministros aliados tudo o que o Conde de St. Germain dissera ao General Yorke; e que a Corte de Viena, a pedido do Embaixador francês, finalmente consentira em enviar Ministros ao congresso, mas Kaunitz insinuou que eles deveriam ser autorizados a nada fazer.

A. MITCHELL.

Germain vence.

APÊNDICE VII.

Papéis diversos do English Record-Office.

Algumas destas cartas contêm passagens em cifra, com a escrita aqui dada entre as linhas.

A cifra é composta de uma série de numerais e pode, naturalmente, conter contradições diretas das palavras escritas.

Mas, como a cifra daquele período foi alterada e a chave é necessariamente conhecida apenas por aqueles que têm a guarda destes assuntos, é impossível sobrecarregar as páginas com matéria inútil.

Extrato de uma carta de M. Kauderbach.

(Recebida em 20 de março de 1760).

Haia, 14 de março de 1760.
Ao Príncipe Galitzin.

O correio de M. de Reischach finalmente retornou, mas não trouxe a resposta tão ansiosamente esperada. Este ministro deve receber suas ordens do Conde de Stahremberg em Paris, assim como o Conde de Beschicheff. Estes senhores esperam recebê-las em dois ou três dias.

Assim, veremos em breve qual será o fim deste grande assunto.

É singular que não possamos averiguar se a Inglaterra enviará realmente um corpo de tropas à Alemanha, e de que força será. Diz-se que o Rei da Prússia e o Príncipe Fernando solicitam encarecidamente esse transporte, mas que em Londres não se apressam quanto a isso.

Temos aqui um homem muito singular. É o célebre Conde de St. Germain, conhecido em toda a Europa por sua erudição e sua imensa riqueza. Ele está encarregado de uma importante missão neste país, e fala muito de salvar a França por meios diferentes dos outrora utilizados pela famosa Donzela de Orléans. Devemos ver como ele se sairá. Ele possui um estoque de pedras preciosas da maior beleza.

Ele afirma ter arrancado da Natureza os seus mais altos segredos e conhecê-la por completo. Mas o mais curioso é que se diz que ele tem mais de 110 anos de idade; no entanto, aparenta não mais de 45. "Gaudeant bene nati." Gostaria de obter o seu segredo para o vosso benefício, monsieur, e também para o meu próprio! Ele é um ardente apoiador de Mme de Pompadour e do marechal de Belleisle; e detesta os dois irmãos Paris, a quem atribui todas as desgraças da França. Ele fala muito livremente de tudo o que concerne a este reino — do rei ao bufão.

As cartas da Alemanha não nos trouxeram nada de novo.

Cópia de uma carta de M. Kauderbach.

(Rec. 25 de março de 1760). Haia, 10 de março de 1760. Ao Príncipe Galitzin.

Vós já tereis visto, monsenhor, a Lista dos Exércitos Prussianos que um correio trouxe a Londres, e que também foi comunicada a M. Verelat em Berlim. O Rei da Prússia, ao mesmo tempo, oferece-se para verificar a sua veracidade fazendo com que uma revista dessas forças seja realizada diante de Mr. Mitchel. Após essa oferta, como pode o Parlamento inglês temer lançar-se de cabeça nos projetos de Sua Majestade Prussiana e apoiá-lo vigorosamente até que a sua obra esteja concluída e ele possa voltar-se para outra coisa?

Se vós lestes o Filósofo de Sans Souci, achareis, como muitos outros, que ele guarda os seus desejos mais profundos sempre no fundo do coração. Essa obra abominável, que os prussianos exaltam como a obra-prima do intelecto humano, foi condenada e anatematizada como merece desde os púlpitos de Amsterdã, e fez com que muitos entusiastas abrissem os olhos para os belos princípios do seu Gideão.

Outros levam sua cegueira ao ponto extremo e persistem em insistir nisso — a produção como uma falsificação feita por seus inimigos.

P.S. Ainda aguardamos a famosa Resposta, da qual se diz que a única dificuldade reside na França.

M. d'Affry recebeu um correio na quinta-feira, mas não diz uma palavra sobre o que ele trouxe.

Parece que ele está esperando por algo antes de enviá-lo de volta, pois ainda o retém aqui.

Falei-vos em uma carta anterior, monsenhor, sobre o famoso St. Germain, que está neste momento em Amsterdã, onde se hospeda na casa do Senhor Hoope.

Ele viu o Sr. Yorke em sua casa e lá permaneceu por três horas.

Ele não enviou nem se dirigiu aqui a M. d'Affry, e no entanto me disse a mim mesmo que estava encarregado de uma importante missão.

Mas, para dizer a verdade, ele me parece demasiado presunçoso e demasiado incauto para ser um negociador de confiança.

Eu o coloco na categoria do famoso Macanis, que Vossa Excelência conheceu em 1747, ou pelo menos na do Conde de Seklow.

Contudo, não tenho notícia alguma de que haja negociações importantes em andamento... Este homem me disse que a França cederia Guadalupe... se nesse momento pudesse obter a Paz... Isso talvez não fosse de se admirar se a Inglaterra abandonasse a Prússia à sua própria sorte... O que pensais sobre isso? ....

M. de... informa-me que o Conde de Bristol teve uma longa audiência com o Rei da Espanha, imediatamente após a qual despachou um correio.

Todo o resto é matéria de especulação.

A Alemanha nada me oferece de interessante para comunicar, exceto os cruéis e incessantes sofrimentos da infeliz Saxônia.

Os prussianos declaram em voz alta que a transformarão em um deserto.

Que Deus tenha misericórdia da pobre humanidade.

Extrato da carta do Príncipe de Ginko.

(Recebida em 25 de março de 1760).

Londres, 25 de março de 1760.

Ao Sr. de Kauderbach.

Conheço o Conde de St. Germain bem por reputação.

Este homem distinto está hospedado há algum tempo nesta cidade, e essa pessoa declara que o objetivo da viagem do Conde à Holanda é meramente algum negócio financeiro.

As gazetas e o povo dizem que o Rei da Prússia contava em atacar os austríacos no dia 25 do corrente mês, e as pessoas em cargos oficiais afirmam que este monarca abrirá a campanha com 150.000 homens.

É certo que os Aliados reunirão uma força formidável neste ano na campanha.

Há alguma probabilidade de que a morte inesperada do Conde de Bestouchef possa atrasar a resposta em questão; embora, por outro lado, o Príncipe de Galitzin, meu primo em primeiro grau, já tenha sido autorizado há algum tempo a permanecer como Ministro junto a Sua Majestade Cristianíssima.

Cópia da carta do Senhor Kauderbach.

(Recebida em 31 de março de 1760). (Decifrada). Haia, 28 de março de 1760. Ao Príncipe Galitzin.

As pessoas aqui falam mais do que nunca de uma negociação privada entre a Inglaterra e a França, e se fosse possível julgar pelas aparências, seríamos tentados a acreditar que esses rumores têm algum fundamento.

Sei com certeza que os Senhores d'Affry e Yorke, após seguirem rotas diferentes para se encontrarem no Bois, efetivamente realizaram uma entrevista ali.

Sei ainda que tiveram um segundo encontro semelhante na estrada de Ryswick.

Deixo a seu critério julgar qual possa ser a razão dessa afetação de conferir em público, e qual dos dois é mais pertinente.

Os prussianos aqui dizem em voz alta que, se as duas Imperatrizes não se dispuserem à Paz, a França seguirá seu próprio caminho.

Espero que isso seja apenas presunção da parte deles.

M. de Reichach diz "não temam nada" e está certo da harmonia que reina entre sua Corte e a França; mas eu não estou tão tranquilo quanto ele.

Falei-lhe do Conde de St. Germain, que está aqui neste momento.

M. d'Affry, após recebê-lo em sua casa, onde o vi na melhor sociedade, acaba de proibi-lo de frequentar sua residência, por ordem de sua Corte, e ele nos comunicou isso. M. de St. Germain diz que essa ordem vem de M. de Choiseul, que ele é acusado de ter se intrometido nos assuntos da Paz, e que de fato ele fez um relatório ao Marechal Belleisle, de quem mostra cartas cheias de confiança, sobre certas disposições que descobriu em uma conversa com M. Yorke; que também deu a conhecer que M. d'Affry era negligente demais com certa pessoa de posição aqui, que parecia muito bem disposta.

De fato, essa história causará sensação.

É certo que M. St. Germain tem um passaporte assinado pelo Rei da França, o que lhe é muito honroso, e no qual se faz menção à sua missão na Holanda.

Também é certo que ele foi incumbido de uma comissão cujo resultado M. de Belleisle aguardava com viva impaciência, como se demonstra em uma de suas cartas.

Madame de Pompadour, da qual M. de St. Germain é grande apologista, também está envolvida nisso. Mas parece que este cavalheiro não é suficientemente prudente com relação a M. d'Affry, e, para dizer a verdade, aquele cavalheiro

O CONDE DE ST. GERMAIN —

conta esses pormenores a vós mesmo.

pois é melhor que eu não me envolva com essas histórias.

: q

Vossa Excelência verá pela Gazeta de Leyden que o Rei da Prússia acaba de retirar, por motivo urgente, as comissões dos Armadores de Emden.

Isso significa algo.

O Ministro sueco aqui me disse que na Inglaterra puseram em total liberdade, com uma indenização de mil libras, um navio sueco capturado por um armador prussiano, e que este último foi declarado corsário.

:

Acrescento a isso alguns escritos notáveis do filósofo de Sans Souci, e vereis que julgamento se faz deles na Suíça.

Acabam de conceder uma espécie de aprovação a este livro em Berlim, onde será reimpresso por autoridade.

Será aplaudido pelos malfeitores, mas abominado por todas as pessoas honestas, e o Ser Supremo, que é infamemente ultrajado nele, um dia confundirá a impiedade de seu autor e daqueles que lhe dão seus aplausos.

  Nós

Cópia de carta do Príncipe Galitzin.

(Rec. 1º de abril de 1760). ea  Londres, 1º de abril de 1760.  A M. de Kauderbach.

-  Li não sem surpresa a seta envenenada de abominável impiedade contida nos fragmentos do livro

em questão, que tivestes a bondade de me enviar, embora, na verdade, nada deva nos surpreender da parte —

APÊNDICE VII.

deste autor ímpio.

Esta última produção de sua mente perversa é digna de seus odiosos sentimentos.

Ficar-vos-ei muito grato, senhor, se tiverdes a bondade de me enviar algum dia o livro inteiro.

Não me admiro que, por queixa do Conde de Galofkin, a

>

venda deste miserável livro tenha sido proibida, mas estou muito surpreso que... ouse anunciar publicamente a

impressão de tamanha blasfêmia; e parece-me que ele pode ser levado a se arrepender de sua ousadia.

Ignoro completamente que fundamento há para se falar convosco de uma negociação privada entre

a Inglaterra e a França.

Aqui, não ouvimos a menor

 Z ie de tal coisa, e se assim fosse, eu deveria

— _ foi capaz de aprender algo sobre isso. Aqueles passeios — de que se fala no Bois e em Reswyk — não parecem ter ‘importância suficiente para dar crédito a tais rumores, |

_ contando no máximo com presunção de um lado e

-imprudência do outro.

No entanto, por mais perfeitamente inocente que essa conduta possa ser, é, ouso dizer, muito — fora de lugar nas circunstâncias atuais.

Menos ainda se  ; pode aprovar essa afetação ansiosa e confiante de

insinuar às mesmas pessoas que é somente graças a  gl ‘certa corte que uma certa Resposta, tão desejada,  , não chega.

Insinuações desse tipo, sendo todas re-  portadas aqui, não podem permanecer desconhecidas das pessoas  - interessadas.

Quanto à linguagem dos prussianos, é bom não prestar  atenção a ela, e assim tudo o que dizem sobre as duas  Imperatrizes e a França a respeito da paz é indigno  de consideração.

Todo o mundo está igualmente ansioso por con-  cluir uma paz, mas uma paz estável e honrosa.

O comportamento do Conde d’Affry por ordem de sua corte  em relação ao Conde de St. Germain, que se emancipou —  de querer se intrometer nos assuntos da paz sem a concordância e participação de todas  as cortes aliadas, provou suficientemente a falsidade dos ru- —  mores que circulam entre vocês sobre uma negociação par-~  ticular, da qual acabei de falar acima.


M. de St. Ger- _  main foi tratado em toda parte com base em um aventureiro ilustre.

Aqui, devido à sua imprudência e —  ao seu comportamento descuidado, ele foi tomado por um espião  e tratado como tal.

Quanto a mim, como você, penso —  que ele é um tanto tolo.

Você, senhor, tem melhores meios do que eu para conhe- |  cer a verdade do artigo na Gazeta de Leyden que  me enviou sobre Sua Majestade o Rei da  Prússia, que acaba de retirar suas comissões dos  armadores de Emden.

Tudo o que sei sobre isso —  é que o Barão de Kniphausen anteriormente deu essas com-"  missões do Rei seu senhor a todos os ingleses  que desejassem navegar pelos mares sob a bandeira prussiana.

Comissões desse tipo foram vendidas aqui por um inglês, |  que não estava mais disposto a usá-las —  ele mesmo, para outro.

Pode-se facilmente adivinhar que desordem —  esses tipos de venalidade produziriam.

Não sei  se foi devido às representações de certas ~  cortes, que você facilmente adivinhará e.

do qual o — ministro sueco não deveria mais estar ignorante, ou que — somente a justiça teve a principal parte nisso, que estes _ grandes abusos e desordens foram mencionados a M. de Kniphausen, que retirou várias dessas comissões do Rei seu senhor, e se não todas

APÊNDICE VII.

ainda, é de se acreditar que, a mencionada

Gazeta de Leiden mostrando o verdadeiro ânimo de Sua Majestade Prussiana sobre este assunto, o restante desses instrumentos de pilhagem será retirado imediatamente.

M. de Kniphausen recebeu ontem um correio do

Rei seu senhor, mas até o presente parece disposto a guardar para si o conteúdo do despacho.

O correio também trouxe uma carta do Rei através do ministro...

   

Cópia de carta do Conde Laurwig ao Conde de St. Germain, em Paris.

Copenhague, 3 de abril de 1760.

Minha inclinação certamente me teria levado a continuar a honra de seu conhecimento por carta, quando não mais

feliz o bastante para poder vê-lo.

Mas não tive o prazer de saber seu endereço, e não ousei incomodá-lo até que o Camareiro, o Barão de Gleichen, me desse a garantia de que o senhor me honrava com sua lembrança.

Aceite este testemunho de minha gratidão e da alegria que sinto por ter mais uma vez encontrado uma oportunidade de agradecer-lhe por toda a bondade e

amizade com que me honrou na Inglaterra.

A espada que me apresentou, e as cartas que

me escreveu, guardei como uma posse valiosa demais para jamais me separar; mas a honra de sua lembrança de mim está gravada profundamente em meu coração para permitir que eu perca esta oportunidade de assegurar-lhe da profunda estima que é devida à sua querida pessoa.

Peço que me dê notícias suas e suas ordens, se eu puder

ser útil de alguma forma neste país; e acredite, estou tão regozijado em encontrar meu amigo novamente (permita-me usar este termo) que não sei como expressar toda a minha gratidão a você.

Peço que receba esta carta com bondade, e acredite que é com verdadeiro prazer que posso repetir que sou e serei por toda a minha vida....

P. P. O endereço que está nesta carta foi-me dado pelo Barão de Gleichen; ele me disse que o senhor desejava ser escrito desta forma.

Caso o senhor, meu caro Conde, me honre com uma resposta, meu endereço é: Conde de Dannéskeold Laurwig, Cavaleiro Camareiro e Almirante.

Ao Conde de St. Germain, em Haia.

(Extrato). Amsterdã, 27 de abril de 1760.

Se um raio tivesse caído sobre mim, eu não poderia ter ficado mais confundido do que fiquei em Haia ao descobrir que o senhor havia partido.

Jogarei minha última cartada e farei todos os esforços concebíveis na esperança de poder prestar-lhe meus respeitos pessoalmente, pois bem sei, Senhor, que o senhor é o maior senhor da terra; apenas lamento que pessoas vis ousem dar-lhe problemas, e diz-se que ouro e intrigas são empregados em oposição aos seus esforços pacíficos.

Por ora, posso respirar um pouco, pois me garantem que o Sr. d'Affry partiu subitamente na quinta-feira passada para a Corte, e espero que ele receba o que merece por ter falhado no que lhe devia, e o considero a causa de sua longa ausência e, portanto, da minha desgraça.

Se o senhor achar que posso ser útil, conte com a minha fidelidade; não tenho nada além do meu braço e do meu sangue, mas estes estão alegremente ao seu serviço.

O CONDE DE LA WATE.

---

Cópia da carta do Sr. Cornet ao Conde de Haslang.

Haia, 29 de abril de 1760.

Um estrangeiro que se autodenomina Conde de St. Germain, cuja origem e país natal ninguém conhece, mas que se diz ser extremamente rico e muito bem recebido em diferentes Cortes da Europa, especialmente na da França, após uma residência de cerca de três meses que aqui fez, acaba de desaparecer quando menos se esperava.

Ele tem mantido relações íntimas com o Embaixador Francês, embora tenha sido assíduo em ver os Ministros e partidários Anglo-Prussianos. Além disso, confidenciou a algumas pessoas distintas sua correspondência com o Marechal Duque de Belleisle, que, segundo ele, estava inclinado ao restabelecimento da paz entre a França e a Inglaterra, a qual ele trazia no bolso.

O Conde d'Affry deu a conhecer isso ao Duque de Choiseul, que lhe ordenou que não o visse mais e que o ameaçasse com a Bastilha se continuasse a usar tal linguagem.

O embaixador — tendo-lhe entregue esta mensagem por escrito, o Conde de St. Germain disse publicamente alguns dias depois que este ministro havia feito perguntas sobre sua saúde, que estivera extremamente ansioso a respeito dela e que lhe implorava que fosse vê-lo, quanto antes melhor; mas que ele se desculpara, sob o pretexto de que, tendo em vista as ordens recebidas de sua própria corte, não se arriscaria. Essa conduta contraditória por parte do embaixador é atribuída a uma ordem que lhe teria vindo do Duque de Belleisle, e é considerada uma prova clara da pouca unanimidade que reinava entre os dois Secretários de Estado franceses.


Seja como for, o Conde de St. Germain continuou a dizer que o que afirmara era a pura verdade.

Num segundo relatório que o Conde d’Affry fez sobre isso à sua Corte, foi-lhe ordenado que o prendesse e exigisse sua extradição para o Rei seu senhor; tendo disso tomado vento, o Sr. de St. Germain partiu primeiro para Helvoet Sluys.

Como sabemos que o Conde estava nas boas graças do Rei e em correspondência regular com o Duque de Belleisle, as pessoas estão geralmente persuadidas de que ele estava encarregado de alguma missão, e que sua desgraça foi causada ou por sua indiscrição, ou pela falta de união que se diz existir no ministério francês.

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Taschenbuch fair Alchemisten, Theosophen und Weisensteinforscher, die es sind und werden wollen.

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... e em Ubbergen, comprado pelo Conde de St. Germain em 1762 do Conde de Weldern — ou Welldone... — como está agora, o antigo castelo destruído.

... de uma carta do Conde de St. Germain, e Welldone ao Príncipe F. A. de Braunschweig.

... o original.

CONTEÚDO

Prefácio por A. Besant.

... «1» ...

CAPÍTULO I. Místico e Filósofo ... ... ... pág.

As teorias sobre seu nascimento.

— altas conexões.

— o amigo de reis e príncipes.

— vários títulos — suposto Príncipe Rakoczy.

— vestígios históricos.

— na Corte de Anspach.

— amigo dos Orloffs.

— caráter moral dado pelo Príncipe Carlos de Hesse.

CAPÍTULO II.

Suas Viagens e Conhecimento.

... ... ... pág.

O Conde de St. Germain em Veneza em 1710 e a Condessa de Georgy.

— carta ao Museu Britânico em 1733, de Haia.

— de 1737 a 1742 na Pérsia.

— na Inglaterra em 1745. — em Viena em 1746.

— em 1755 na Índia.

— em 1757 chega a Paris.

— em 1760 em Haia.

— em São Petersburgo em 1762.

— em Bruxelas em 1763. — iniciando novos experimentos em manufaturas.

— em 1760 em Veneza.

— notícias de um jornal italiano de 1770. — Sr. de St. Germain em Livorno.

— em Paris novamente em 1774. — em Triesdorf em 1776. — em Leipzig em 1777. — testemunho de alto caráter por escritores contemporâneos.

CAPÍTULO III.

A Vinda... ... ... pág.

— seu súbito aparecimento em Paris.

— entrevista com a Condessa.

— avisos do perigo iminente para a Família Real.

— deseja ver o Rei e a Rainha.

— nota importante da Condessa d'Adhémar — relativa às várias vezes em que viu o Conde de St. Germain após sua suposta morte.

— última data 1822. —

CAPÍTULO IV.

... ... ... pág.

Continuação das Memórias de Madame d'Adhémar.

— Maria Antonieta recebe o Sr. de St. Germain.

— ele prediz a queda da Realeza.

— Luís XVI deseja ver o Sr. de St. Germain.

— Sr. de Maurepas chega.

— o Conde de St. Germain também.

— profundos medos.

CAPÍTULO V.

... ... ... pág.

O trabalho político do Conde de St. Germain.

— observações de Voltaire.

— Barão de Gleichen afirma que o Marechal de Belle Isle redigiu as Instruções.

— Luís XV os entregou pessoalmente com uma cifra ao Sr. de St. Germain.

— ira do Duque de Choiseul.

— tentativas de capturar o Sr. de St. Germain, — escuta | re

_ Holanda para a Inglaterra: xe

CAPÍTULO VI. Nos "Mitchell Papers". . . . « . « pag.

Correspondência diplomática entre Lord Holdernesse

e o General Yorke.

— do Museu Britânico.

—_ 2 missão secreta do Conde de St. Germain.

— não — permitido permanecer na Inglaterra.

— Jorge III pensa

não ser improvável que o Sr. de St. Germain seja 'um agente autorizado.

”’ :

oe Bag

Capítulo VII.

~

Tradições . 1. + +s +s pag

dito ser escrito por M. de St. Germain.

—

Maçonaria e Sociedades Místicas.

— acusações contra —

de St. Germain.

— refutadas por Mounier.

— docu- —

mentos relativos à sua morte em 1784. — Registros eclesiásticos - 'pelo Conde de Châlons em Veneza em 1788. — frequentando reuniões maçônicas em 1783. — visto pela Condessa d'Adhémar em 1804 e 1822.

Capítulo VIII.

|

Trabalho Maçônico e Tradições Austríacas . . pag: 'Sr. de St. Germain em Viena.

— encontro com Mesmer.

— encontro em Fedalhofe.

— prediz seu re- ; _torno da Europa.

— artigos recentes sobre o Sr. de St. Germain em Viena.

— correspondência com o Duque Ferdinando von Braunschweig sob o nome de Conde Well-  APÊNDICE I.    trechos dos Archives de l'État, Paris,  He sobre o apartamento, no Castelo de

Chambord, oferecido ao Conde de St. Ger- :  main por Luís XV, WidTS Vee a 8 PORe 183.

APÊNDICE II.

correspondência entre o Duque de Choiseul e  o Conde d'Affry, com relação ao Conde  de St. Germain, dos Arquivos de Paris »

APÊNDICE III.

dos papéis do Sieur Bentinck van Rhoon, -  nos Arquivos do Palácio de S. M. a

Rainha da Holanda; traduzido do  er ee er ee he A nee

_ APÊNDICE IV. Sg

Extratos das Memórias de iso ”  (edição do Historisch Genootschap de =  Utrecht) tom I, p. 220; traduzido do  Holandês Ovi pital.

Gens yee ee Bene

APÊNDICE V.

Orient de France gto es eRe eee

APÊNDICE VI.

APÊNDICE VII.

| Papéis diversos do English Record.

Offce >  _ Bibliografia Serre tee eae Ah Bi Is Bo

Soh lista de ilustrações.- 3) eso.

- Anperson J. — L'Anima Umana

Besant A. — Cristianesimo Esotérico.

. . .

» BT dealen LEOSO/LCO poke med; Sk  > — Cristianesimo d. p. d. v. teosofico  > — Nuova Psicologia e Teosofia .  > — Potere del Pensiero .  ; > — Rincarnazione . ae 3  ol > — Sapienza Antica, vol., 2° ed..  ,? > — Sapienza Antica, Op.  » — Studio sulla Coscienza . +» »  a > — Sentiero del discepolo  4 > _— Spiritismo e Teosofia  4 » eo Pg eRe eae  - > — Teosofia e Vita Umana.

> — Intimo proposito della Soc.

Teos.

» — Volonta e Destino.

=. +»  Bhagavad Gita — Trad.

di Kirby e Raja  _ BiavaTsky — Primi passi im occultismo .  : > — Voce del Silenzio.

. + -  > —— Dalle Caverne.

dell’ Indostan  - CaLtpERONE Avv.

J. — // Problema dell’ Anima  Catvari O. — Cenno biografico di A. Besant  = —Carvarr D. — F. G. Borrt . :  ~  CANCELLIERI — Unita delle Religiont .   CuaKkravartTi — Ricerca poteri psichici  (CHATTER)! — Filosofia Esoterica dell’ India  _ CHEVRIER — Materia, Piani, Stati di Coscienza  - CoopER OAKLEY — Mystical Traditions .  : > — Traditions Mystiques  Denis L. — A quale scopo la vita .

: Gunoia A. — P. N. Figulo

_ Pubblicazioni di Tecsofia, Occultismo, ecc.

es

Sy ey Ge he eh Vi. wi Ma UE MCR PN MAM IM MOS Ee a

3,—  3,50  0,20  0,20  1,50  1,25  I,—  4,—  0,20  4,—  1,50  0,20  1,50  1,50  0,20  0,50  I,50  0,99  I,—  2,—  Soca  0,25  0,60  0,20  1,50  0,50  Sigman  4s  0,50  0,

HARTMANN — Scienza e Sapienza Spirituale . Le re

Huesse SCHLEIDEN — Evoluzione e Teosofia »  - Jaccuint Luracur F. — J Fenomeni Media-  nici.

Inchiesta Internazionale.

. . . »~  ~LEADBEATER — Chiavoveggenza . . . . . »  : > — Cénni di Teosofia .-. . . »  > = PLOUOD ASU OLE oe a ste  > —~ La Morte, 2° ed. ois te oe  <= Lopce O.°—- Vita e¢ Materia.

. 5 2 se 8  > = Essenza della Hedé= 2... 2. a>  Mariani M. — Commedie Medianiche.

. . »  y Mgap — Frammenti di una fede dimenticata »  Metoni — Letteratura di Babilonia . . . »  “OLtcotr — Discorso al 3° Congr.

Intern.

Teos.

»  ~ - - PascaL — Che cosa @ la Teosofia, 2 ed. . »  2) > — Sapienza Ant.

attraverso i secoli.

»  Propa Dr. A. — Memorabilia . . . .. »  Porro Dr. G. G. — Asclepio.

Saggio mito-

logico sulla Medicina relig.

dei Greci »  RgeGHINI — Affinité degli eretici, soc.

secrete, etc.

SLowatsky — La Génese par lame . . .  i SPENSLEY — Teéosofia Moderna, 22 ed. . . . »  STAUROFORO — Studi Teosofici . . . . . » TT,  Boas TumMoLo Prof.

V. — Sulle basi positive dello  See SPirtldausmo oo. 2 oe OS ee ee  ; - WACHTMEISTER — Teos.

praticata giornal.

<, <¥---O)  WiLiiamson — Lei Suprema, legato ...  Recs Publicações diversas  3 . Bocerani G. — J Caduvei.

Grande luxo L. 20 - luxo L. 15  comum L. 12.  pés  Boceianit G. — 7 Ciamacoco.

. .... L.  ‘Carini Prof.

Dr. Franco — Vias Linfáticas  eae lijezions chivureciche: ©). epee ee  Doria CamBon N. — As Dianas.

Versos . . »  Ferrer! G. — Doc.

para a história da educa-

ZONE EL SOV AOMMUEL- im ss) ee at ee

BF Cooper-Oakley, Sra. Isabel.

O Conde de St. Germain, o segredo dos reis; «#  $3 monografia de I. Cooper Oakley ... Milão, G. Sulli-Rao,  C6 1912. :

254p. front.

(port.) lâminas, 2 fasc.

fac-símile.

19°. (Comitê internacional para pesquisa em tradições místicas.

Publicações v,

Bibliografia: parte 1, p. (271-277. 5 3 3 | ) é

1. Saint-Germain, conde de, m. 1784? I, Título.

Il. Série: Comitê Internacional para Pesquisa em Tradições Místicas.

Publicações, no. Se 18-S850  ws

Biblioteca do Congresso é S3C6 CCSC/mm